
Ânsia - O Livro Proibido do Erotismo
Capítulo 3
A tela do computador brilhava na minha frente, exibindo a nota que me fez travar o maxilar: 65 de 90. Era só um esboço para um artigo de pesquisa. Simples. Ou deveria ser.
Mas aparentemente, segundo o Professor Quelton, eu havia entendido tudo errado. Ele cortou vinte e cinco pontos e deixou minha paciência por um fio.
A culpa, no meu ver, era dele. Instruções vagas, modelo confuso… mas eu sabia que, se apontasse isso, não teria chance de refazer o trabalho.
Respirei fundo, tentando não escrever um e-mail inflamado. Abri a página de e-mail e digitei com cautela:
Tudo bem, Professor Quelton?
Estou entrando em contato porque tive dificuldade para entender minha nota na tarefa de esboço de pesquisa, em que obtive 65 pontos de 90. Entendi que as instruções e o modelo indicavam que três frases eram o requisito mínimo, e não o máximo. Caso seja possível reenviar uma versão revisada, agradeço desde já.
Atenciosamente,
Asllan Petter.
— Idiota… — murmurei, clicando em “Enviar” e indo direto para o banho.
Todos diziam que, na faculdade, sempre haveria aquele professor que você detestaria. O meu apareceu logo no segundo ano. Chamá-lo de “babaca” era ser gentil demais; “um pedaço de merda” soava mais justo.
Parecia sentir prazer em me irritar.
Mesmo quando eu entregava trabalhos impecáveis, ele arrumava um motivo para tirar um ou dois pontos. Eu vivia esperando o dia em que aquele café que ele tanto tomava lhe pregaria uma peça.
Saí do chuveiro e encontrei a resposta na tela:
Estou bem. Espero que esteja bem também, Asllan.
As instruções e o modelo estavam claros. A nota será mantida. Leia as orientações com atenção nas próximas tarefas. Estou à disposição para tirar dúvidas.
Tradução: “Você não sabe ler”, mas com educação acadêmica.
Talvez eu não tivesse sido direto o suficiente. Amanhã, tentaria de novo.
Fechei o laptop e me deitei, iniciando mentalmente uma discussão imaginária com o Professor Quelton — daquelas em que, no final, eu sempre ganhava.
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