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Capa do romance Anjo Sombrio - Irmãos Dvorak - Livro II

Anjo Sombrio - Irmãos Dvorak - Livro II

Neste segundo volume dos Irmãos Dvorak, Ayla busca reconstruir sua vida após sobreviver a um relacionamento abusivo. Seu caminho cruza com o de Matteo, um homem reservado que carrega o peso de falhas passadas. Entre segredos e traumas, surge uma conexão capaz de transformar ambos. A obra mostra que o amor pode superar memórias dolorosas, oferecendo um novo sentido ao prazer. É recomendável a leitura do livro anterior para plena compreensão da trama.
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Capítulo 3

Ayla Garcia

O dia foi bem longo e tenso. Matteo Dvorak mexia comigo de um jeito estranho. Ele me deixava nervosa. Nunca tinha visto olhos como os dos irmãos Dvorak, e ele era muito grande, fazia eu me sentir um criança ao seu lado. E ainda tinha que lidar com o fato de que vez ou outra me pegava imaginando como seria beijá-lo. Um pensamento idiota para alguém que acaba de literalmente fugir de um relacionamento.

Eu tentava agir profissionalmente e sorrir sempre que podia. O bom de o dia ter sido tenso é que nem parei para pensar no meu passado.

No fim da tarde, ele passou pela minha mesa, desejou um bom descanso e se foi.

Desliguei o computador, peguei as minhas coisas e suspirei enquanto me dirigia ao elevador.

Foi no elevador que encontrei Rubia. Conversamos um pouco e na saída também encontramos Dominique. Rubia se foi com o seu namorado, depois de nos avisar para não perdermos nosso emprego porque queria continuar nos encontrando. Helena me falou tudo que sabia sobre a empresa e eu já sabia que não podia errar ou a minha vaga estaria nas mãos de um dos muitos desesperados por uma.

Dominique foi comigo até a estação e seguimos em direção diferentes.

Enquanto seguia até a casa de Helena, meu coração se mostrou mais leve. Algo me dizia que minha vida seguiria por melhores caminhos e que Rubia e Dominique seriam importantes em minha vida. Havia me sentido ligada a elas desde o primeiro momento. Era isso que estava faltando em minha vida, amizade, liberdade, amor-próprio, e mais algumas coisinhas. Eu conquistaria tudo com esforço e dedicação. E não fugiria de amar outra vez. Deixar Roberto ser a única lembrança do que é um relacionamento amoroso estava bem longe dos meus planos. Se eu tinha medo de viver aquilo tudo novamente? Claro. As feridas não estavam completamente cicatrizadas, nem no meu corpo nem na minha alma. Mas eu tinha mais medo de perder as esperanças e mais medo ainda de nunca ter a família que sempre sonhei.

Suspirando, olhei para o teto do metrô. E agradeci.

“Deus, obrigada por me trazer até aqui.”

***

Os dias passavam e eu estava cada vez mais acostumada com o trabalho. Quase sempre via a Rubia, que me ajudava a fazer o meu trabalho. Ela se sentia inútil sendo secretária de alguém que não vinha trabalhar.

No fim de semana Helena me levou para uma volta no Parque Municipal Benedito Bueno de Morais. Foi um sábado maravilhoso. Helena e seu marido pareciam muito felizes, era a típica família de comercial enquanto brincavam com o pequeno Gabriel. Olhá-los me faziam lembrar do filho que perdi. Doía pensar que uma vida foi ceifada por causa da maldade e ciúmes de Roberto, mas imaginar que uma criança poderia sofrer o mesmo que eu me faz agradecer a Deus por levar o meu anjinho ao céu logo nas primeiras semanas. Se é um pensamento cruel... Não sei. O que sei é que uma criança poderia morrer se tivesse passado pela metade do que sofri. As palavras de Roberto sobre o que faria com um filho que tivéssemos me congelava.

“Eu me casei com você para ter uma mulher para fazer comida e ser comida, não para sustentar nenhum catarrento. Engravida para você ver o que faço com “a coisa”. Meus cães adoram carne.”

Lembrar daquilo era mais assustador do que lembrar da surra que levei naquele dia, por simplesmente dizer a ele que poderia estar grávida.

***

Na segunda feira fui trabalhar com um animo a mais. Queria ver Rubia e Dominique. E qual não foi a minha surpresa quando Rubia chegou na minha mesa quando eu estava saindo para o almoço.

— A Dominique foi demitida — disse triste.

— O que? Por que? — perguntei incrédula. De nós três, Dominique era a que tinha o melhor cargo e se mostrava tão feliz ao falar do seu trabalho.

— Segundo as fofocas dos corredores, ela chegou atrasada sem justificativa válida.

— Você tem algum telefone, e-mail, endereço dela? Não queria perder o contato.

— Não tenho nada, mas pode deixar que dou um jeitinho e consigo com alguém do setor dela ou do RH. Agora vamos almoçar que estou faminta. Com um belo bife na minha frente consigo raciocinar melhor. — Colocou a mão na barriga para ilustrar o quanto estava com fome. Rubia era linda até fazendo careta.

Fomos almoçar e acabamos não tendo a chance do nos falar mais naquele dia.

Fui para casa pensando se realmente perderia o contato com Dominique. Ficaria muito triste. Já sentia que éramos amigas.

Para meu alivio, antes que Rubia conseguisse os contatos de Dominique, ela reapareceu na quarta-feira com a novidade que seria readmitida. Uma novidade maravilhosa. Almoçamos juntas e marcamos de ir a um bar. Seria a primeira vez que eu sairia desde que cheguei em São Paulo. Liguei para Helena e ela ficou muito empolgada.

O namorado de Rubia nos levou e nos deixou no bar. Isso depois de se despedir com um beijo de cinema prometendo que voltaria após terminássemos nossa reunião de meninas.

Rubia e eu estávamos curiosas para saber o que aconteceu com nossa amiga, então quase cai quando a ouvi dizer:

— Eu caí na lábia do Dono do mundo... Foi isso. Cai na lábia dele e por causa de um mal-entendido besta me atrasei e fui demitida, mas ele resolveu.

Claro que exigimos maiores explicações e detalhes. Saber que nossa amiga estava envolvida com um dos trigêmeos mais desejados da América Latina era uma novidade e tanto. Nem preciso dizer que pesquisei tudo que podia sobre a família e a empresa depois que comecei a trabalhar na Dvorak.

Nos divertimos naquela noite. E no fim, o namorado de Rubia voltou e nos levou para casa.

No dia seguinte, voltamos a rotina nos nossos trabalhos.

Sendo que na minha rotina estava inserido ser tola e sonhar com meu chefe. Ele era muito surrealmente lindo e sua gentileza para comigo me fazia viajar. A imaginação não teria nada de perigoso, enquanto não saísse da minha mente.

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