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Capa do romance Anjo das Sombras

Anjo das Sombras

Isabelly viveu o abandono parental e a perda trágica de seu irmão, mergulhando em um abismo de vícios e depressão. Após confrontar a própria mortalidade e lutar por sua recuperação durante dois anos, sua realidade é novamente abalada. O surgimento do misterioso Maxwell Underwood, um meio anjo caído, desafia todas as suas convicções. Em meio a essa conexão inesperada, ela deve confrontar seu passado enquanto descobre um mundo sobrenatural que jamais imaginou existir.
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Capítulo 3

Dia 12 do 03 de 2022,

atualmente.

Abri os olhos que pareciam estranhamente pesados, enquanto minha cabeça doía. Olhei o céu acima de mim, era noite e ele se encontrava estrelado, a lua estava linda, brilhava como nunca, parecia até mesmo maior, senti que se elevasse meu braço em sua direção eu poderia tocar-lhe.

Sentei-me no chão que outrora estava deitada. Observei a onde me encontrava, diria talvez que fosse uma floresta, a minha frente havia um rio, a fundo, parecendo perfeitamente

colocado abaixo da enorme lua, tinha montanhas e a minha volta havia árvores e mais árvores.

Senti um vento gélido acertar-me um tanto inesperadamente, me encolhi levemente pelo frio que senti. Levantei-me e caminhei cautelosamente até a beira do rio, aquele enorme vestido me atrapalhava um pouco. Olhei meu reflexo sendo exposto pela luz da lua ali naquele local.

O vestido era preto e longo, lembrava-se até mesmo um de noivado. Realçava minhas curvas, expondo meus seios em um decote cavado até a base de minha fina cintura, as mangas cobriam parte dá minha clavícula, deixando um pequeno círculo semelhante a um colar enfeitando o pescoço. A saia longa e cheia me lembrava duma bela flor preta. Era aberto nas costas, o que fazia com que eu sentisse mais frio, não chegava a ser vulgar, mas sim provocante e devo admitir que estava me dando um ar bem sensual e elegante, que eu estava gostando.

Mas não acabava por aí, meus longos cabelos ruivos estavam soltos, caindo sobre minha bunda e com seus cachos perfeitamente modelados, meus olhos cinzas destacavam-se em um delineado preto e meus cílios também estavam realçados em preto, ao invés do meu ruivo natural e para finalizar, meus lábios eram desenhados em um batom vermelho sangue.

Por incrível que pareça eu estava me sentindo bonita, exuberante na verdade, era raro eu estar perfeitamente arrumada dessa maneira. Fiquei algum tempo encantada vislumbrando meu reflexo até que novamente aquele vento frio me acertou, mas ao invés de sentir somente o frio, eu senti medo, como se alguém me observa-se atentamente.

Essa sensação não mudou, ficou mais forte, percorri os olhos pelo local, mas além da luz da lua ali era bem escuro e eu não via nada, senti os pelos de meu braço se arrepiarem e uma sensação incomoda se apoderar de mim.

Ouvi barulhos vindos das árvores, meu medo aumentou e consequentemente meus batimentos cardíacos também.

— Quem está aí...? — Perguntei, minha voz saiu em um sussurro.

Ouvi uma risada baixa, mas ainda não via ninguém.

— Devo dizer que você tá estonteante, me é de muito agrado a observar tão bela. —Ouvi a voz grossa atrás de mim e senti um arrepio percorrer minha espinha.

Não consegui me mover, eu não queria olhar.

— Quem é você...?

— Eu sou o seu pior pesadelo, minha donzela... — Ele sussurrou de forma lenta e tranquila em meu ouvido.

Agora todos os meus sinais de perigo gritavam, me afastei rapidamente e não sei como, mas pude sentir que ele sorria. Agora eu queria ver, procurei, mas não o vi.

— Aqui, Isabelly.

O escutei me chamar, como ele sabia meu nome? Olhei na direção da voz, não vi seu rosto, mas vi seus olhos, seus intensos olhos azuis, pareciam brilhar mais que a lua naquela escuridão, era como se me hipnotizasse. E estou chegando a acreditar que ele fazia isso, eu simplesmente não conseguia desviar a atenção.

Comecei a sentir falta de ar, como se meus pulmões parassem lentamente, levei a mão ao peito respirando com dificuldade. Ele ainda sorria, eu sabia disso. A falta de ar se intensificou e veio acompanhada de uma forte dor em meu abdômen. Olhei aquele homem em desespero, eu queria falar, mas era como se minhas cordas vocais tivessem atrofiado.

Senti algo quente escorrer em minha barriga, e uma dor aguda em seguida, levei a mão até o local e abaixei a cabeça com dificuldades, arregalei os olhos espantada, eu estava sangrado e havia uma adaga enfiada profundamente ali.

Como não senti isso? Como não senti ao colocar a mão? Droga, agora eu sentia, sentia perfeitamente a lâmina me perfurando e tocando minha pele, era um toque frio e sôfrego.

Lágrimas começaram a brotar em meus olhos, eu queria gritar, mais nada saia. Olhei o homem, ele debochava silenciosamente de mim. Eu tinha que me afastar dele, juntei forças que nem mesmo eu sabia que tinha, virei o rosto e sai correndo entre as árvores.

— Correr só irá tornar mais doloroso.

Ignorei a voz enquanto continuava correndo, porém ele não estava errado, doía de forma tão intensa que eu poderia gritar se conseguisse. A cada passo que eu dava, ali ficava mais sufocante, menor, meu medo me sufocava de uma forma arrebatadora.

Tentei gritar em desespero, mas não saiu nada além de soluços de choro. Corri com mais afinco, entretanto meu corpo ficava cada vez mais fraco e a cada vez que eu forçava era como se houvesse centenas de agulhas sobre ele.

Antes que eu percebesse e desviasse eu tropecei em um galho preso a terra, caindo no chão e de uma forma assustadora a adaga se aprofundou mais em meu abdômen, me perguntei por que eu não tinha a tirado ainda, porque eu corria com ela enfiada em mim? Fiz careta me encolhendo pela dor, minha visão começava a ficar turva, eu ia morrer e nem ao menos sabia o que estava acontecendo, isso era horrível.

Ouvi passos em minha direção, era ele, me sentei arrastando-se para trás e vi na minha frente aqueles olhos novamente. Ele caminhava com calma em minha direção, parecia calcular seus atos e movimentos, assim como um predador faz com sua presa antes da refeição.

Sentias lágrimas quentes nos meus olhos, saiam sem controle e eu não parava de soluçar. Foi quando vi que aquele vulto se aproximava lentamente. O ser a minha frente ficou próximo a mim e agora eu podia ver seu sorriso, era um sorriso sádico e maldoso.

— Sabe, você é bem linda, a mais linda de todas. — Se aproximou pegando uma mecha de meu cabelo e levou ao rosto aspirando o perfume, me olhando diretamente nos olhos. — Almejei tanto por esse dia.

Sua voz me dava calafrios, simplesmente não conseguia gesticular uma sequer palavra. Ele chegou perto, bem mais perto, me encolhi. Queria correr, mas meu corpo simplesmente não obedecia às minhas vontades.

Tremi em desespero quando ele levou o polegar ao meu rosto, seu toque era gelado, porém extremamente leve, com a outra mão ele segurou a adaga enfiada em meu abdômen, a puxando, gritei pela dor horrível que aquilo causou. Pisquei com a ardência em meus olhos, não aguentava mais chorar, o olhei, implorando por algo que eu não sabia ao certo o que, talvez a morte? Funguei ao constatar que o mesmo sorriso maldoso se mantinha em seu rosto.

Senti sua mão sobre o corte e então ele pressionou, movendo o rosto próximo ao meu, tão próximo que eu podia sentir sua respiração quente soprar em meus lábios, minha mente entrou em pânico com a ideia de que ele fosse me beijar ou qualquer outra atrocidade.

Fechei os olhos, desolada e então um clarão se pôs entre nós, os abri novamente, olhei sua mão que tinha uma luz azul forte, senti dor, tanta dor que meu corpo tremeu.

Fiquei tonta, o olhei vendo tudo turvo, começava a perder o sentido, levantei a mão trémula tentando alcançar a sua, mas foi em vão, a fraqueza que me atingiu fez com que eu desmaiasse ainda em seus braços.

— Até mais, minha donzela. — Umedece o lábio com um sorriso, a observando atentamente.

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