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Capa do romance Andrew e a Escolha da Secretária - Duologia Amores Intensos Livro 2

Andrew e a Escolha da Secretária - Duologia Amores Intensos Livro 2

No segundo volume da série Amores Intensos, Maria Eduarda aprende que o amor não deve ser sinônimo de sofrimento. Após um término doloroso, ela busca recomeçar como secretária na Ferraz e Collins. Lá, Duda reencontra Andrew, um CEO de olhos azuis marcantes e estilo nada convencional. O destino os une novamente, e ele promete transformar a visão de mundo da protagonista, conquistando seu coração ferido de uma forma arrebatadora e profunda.
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Capítulo 1

Já teve o mesmo sonho, diversas vezes, a ponto de conseguir distingui-lo da vida real?

É engraçado como um sorriso convidativo e lábios bem desenhados podem ser um referencial, mesmo que, às vezes, demore para reconhecê-lo. Pode ser esquisito, mas sempre tenho o mesmo sonho: estou de volta à mansão Delamont, em algum evento importante, porque todos os convidados estão com roupas de festa, e um sorriso em especial chama a minha atenção. Eu não consigo ver o seu rosto devido à penumbra do jardim e da iluminação malfeita para a noite, mas seu olhar é direcionado a mim, assim como o seu sorriso. Tento me aproximar, mas conforme tento chegar mais próximo, mais distante a pessoa parece ficar; até o momento em que some de vez. Sempre o procuro em meio aos jardins bem decorados de Nick e Laura e, como numa brincadeira do destino, irritantemente acordo sempre no mesmo momento.

Parece um carma; um carma que, até então, não fazia ideia que estava apenas começando.

Bem-vindos a história de Duda e Andrew.

Capitulo 1

Encaro o ponteiro do relógio, que descansa na parede a minha frente, percebendo que já se passou uma hora desde que estou sentada nessa poltrona à espera da entrevista.

Bocejo, mais uma vez, e lembro-me da noite mal dormida por causa do pesadelo que tive. Mesmo que não seja um pesadelo realmente, sempre penso nele, dessa forma, já que sempre que acontece fico parecida com um dos zumbis do The Walking Dead, por ter um sonho que me deixa com uma sensação de familiaridade.

Cheguei há poucas horas no último andar desse prédio para fazer uma entrevista de emprego. Uma das recepcionistas, com caras e bocas de modelos famosas, me arrastou até essa segunda recepção e estou aqui desde então.

— Senhorita Maria Eduarda Castro Teixeira.

Epa! Meu nome aí!

— Eu mesma! — falo, já me levantando, e quase me arrependendo ao dar de cara com a loira de lindos cabelos lisos, olhos cristalinos e levemente puxados.

— Come with me! — OK! Eu sabia que a vaga era para pessoas bilingues, mas é estranho ouvir um brasileiro falando em inglês, mesmo assim.

Sinto as minhas pernas tremerem à medida que a acompanho pelos vastos corredores do enorme escritório de advocacia. Subimos dois lances de escadas e andamos mais alguns metros até nos depararmos com mais uma recepção. É do estilo de uma pequena saleta, parecida com um hall de espera, na verdade. Há uma mesa de frente para mim, e noto não haver ninguém trabalhando nela, fazendo-me perceber que talvez a vaga de recepcionista seja para este setor. Há duas portas ao meu lado esquerdo, e leio as plaquinhas presidência em cada uma delas. Ok, Duda! Não precisa fugir com o rabo entre as pernas agora! Vai lá, porque você consegue!

— Fique aqui! A senhora Ferraz já irá atendê-la — a loira fala seca. Ela bate duas vezes numa das portas e logo me deixa sozinha.

Meio minuto depois, a porta finalmente é aberta, revelando uma mulher que aparenta estar entre as casas dos trinta e quarenta anos. Seu rosto, que aparentemente é quadrado, está escondido pelos cabelos escuros e fartos; um emaranhado ondulado e bem cuidado que possui um brilho gutural. Seus olhos, tão negros quanto a noite, me esquadrinham da cabeça aos pés enquanto assisto petrificada e quase de boca aberta sua beleza negra quase que ofuscar todas as modelos da recepção.

— Pode se sentar, senhorita Teixeira! — o seu tom de voz rouco me lembra um pouco de Luce, uma amiga querida, e noto os seus olhos, quase de águia, me analisarem insistentemente; parecendo a minha antiga chefe: dona Sophia.

Faço o que me pede e sento-me de frente para ela, notando-a colocar os seus óculos de grau e analisar o que parece ser o meu currículo. Ela volta o olhar para mim e fala:

— Boa tarde! Sou Marla Ferraz, sócia da Ferraz e Collins. Você já havia ouvido falar da nossa empresa, senhorita… — Ela encara o papel e logo volta o olhar para mim. — Maria Eduarda?

— Sei que é bem-conceituada e que está há anos no mercado.

— Me alegra saber que está a par dos nossos negócios. Pelo o que diz aqui, a senhorita tem vinte e sete anos e não possui filhos, certo? – Retorna o seu olhar para a folha de papel, quando confirmo com a cabeça, e continua: — Fala fluentemente inglês e estudou administração na U.V.A, além de ter feito um estágio de seis meses no banco que pertence à família Delamont. — Marla tira os óculos e parece me observar. — Notório, mas vejo que não possui muita experiência.

Experiência para atender telefone e servir café? Fala sério!

— Como pode ver, trabalhei alguns meses na área. — Aponto para o papel, que parece um brinquedo em suas mãos.

— Sim, diz aqui seis meses. — Ela me mostra o documento. — Mas a vaga é de secretária, como pode observar. A Ferraz e Collins, como você mesma disse, é uma conceituada empresa de advocacia. Aqui trabalhamos com grandes firmas existentes no Brasil e também no exterior. O Banco dos Delamont é um dos nossos clientes mais antigos, inclusive. Preciso de uma pessoa que trabalhe e saiba organizar o escritório — assinto e ela continua: — Eu e meu sócio, o Dr. Collins, somos parceiros há anos e estamos precisando de uma pessoa de confiança para lidar com as nossas agendas, e isso não será fácil. Inclusive, por causa do temperamento do meu sócio, que como eu posso dizer… — ela finge pensar colocando um dedo na boca — é três vezes pior do que o meu.

— Bom, senhora Ferraz, eu estudei muito para estar aqui e dediquei cada dia da minha vida a isso. Eu trabalhava de dia como empregada doméstica para ter como me sustentar e sustentar os meus cursos à noite. Eu parei a minha vida para isso e posso dizer que dou conta do recado! — Seus olhos fitam-me com uma curiosidade explícita neles, e sinto os meus dedos suarem conforme roçam uns nos outros por baixo da mesa. Ela solta o ar devagar e parece divagar nos pós e contras de me contratar.

— Eu te darei essa chance. — Um sorriso involuntário se abre em meus lábios. — Você começa amanhã. Passe no RH, eles lhe entregarão o seu uniforme e prepararão os seus documentos. — Ela me estende as mãos e cumprimento a minha mais nova chefe.

— Obrigada pela oportunidade. Garanto que não irá se arrepender!

— Espero mesmo! E espero, também, que isso se estenda ao meu sócio. — Ela é taxativa. — Bem-vinda à Ferraz e Collins.

Saio de sua sala e olho para o meu futuro local de trabalho. O arranjo de lírios parece solitário em cima da mesa, e uma voz alta me chama a atenção. Voz, não! Gritos.

— Não quero saber, Catarina. Esse é um erro grotesco, a senhora tem noção que se perdermos esse caso perderemos um dos nossos melhores clientes? Que merda! — grita. — Ajeite essa porra ou você nunca mais advogará para mim. — Ela sai um pouco embolada, talvez devido à porta fechada, não sei, mas consigo ouvir bem essa frase.

Levanto uma sobrancelha ao escutar mais gritos, e um aparelho de telefone ser desligado bruscamente. Começo a caminhar para o lado de fora o mais rápido que consigo. Se esse for o meu futuro chefe, prefiro conhecê-lo apenas amanhã.

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