
Ana Paula, Minha Noiva
Capítulo 2
O amor é a maior mentira de todas.
Para salvar a vida de Marcos, Ana Paula inventou uma mentira, uma que, por consequência, destruiu a reputação da amiga de infância dele, Sofia.
A partir daquele momento, a confiança que Marcos tinha nela se desfez completamente.
O pai de Ana Paula a aconselhou a desistir, mas ela teimou, insistindo que conseguiria provar seu valor e reconquistar o coração dele. Vendo sua determinação, o pai lhe deu um prazo de um ano, se ela não conseguisse a confiança de Marcos até o fim desse período, teria que voltar para casa e aceitar um casamento arranjado.
Finalmente, o dia chegou. Quando Marcos a abandonou mais uma vez por causa de Sofia, Ana Paula sentiu a obsessão que a consumia se apagar.
Tudo começou com um boato que se espalhou pela empresa, dizendo que Sofia estava se intrometendo no relacionamento de Ana Paula e Marcos. A situação piorou quando alguém postou fotos no grupo de trabalho, mostrando Sofia de braços dados com Marcos em um shopping. As fotos tinham marca d'água de data e hora, e se espalharam como fogo.
Aquele era o aniversário de Marcos.
Ana Paula tinha preparado um bolo e esperou por ele em casa por três horas, mas ele nunca apareceu.
No dia seguinte, todos na empresa acusavam Sofia de ser leviana, de ser uma interesseira.
Antes que Ana Paula pudesse sequer pensar em procurar Sofia para esclarecer as coisas, a porta de seu escritório foi arrombada. Sofia, acompanhada de uma amiga, invadiu a sala com o rosto vermelho de raiva.
Sem uma palavra, a mão de Sofia voou e atingiu o rosto de Ana Paula com força. O estalo ecoou pela sala silenciosa.
"Ana Paula, foi você quem mandou fazer isso?"
A pergunta veio carregada de fúria. Ana Paula, com a bochecha ardendo, mal teve tempo de processar o que estava acontecendo.
Antes que pudesse formular uma resposta, Marcos chegou.
O alívio que ela sentiu durou apenas um segundo. Sofia se virou, correu para os braços dele e desabou em lágrimas.
"Marcos, estou tão magoada, tantas pessoas estão me xingando..."
Marcos a abraçou com força, consolando-a, e então seus olhos se fixaram em Ana Paula. Por um instante, um lampejo de dor pareceu cruzar seu rosto ao ver a marca vermelha e o inchaço na bochecha dela.
Ele se aproximou lentamente.
"Dói?"
A pergunta foi baixa, quase um sussurro.
"Sim", Ana Paula assentiu, os olhos se enchendo de lágrimas. Uma pequena esperança brotou em seu peito, pensando que finalmente receberia um pouco de compaixão.
Mas a mão de Marcos se ergueu e, em vez de um carinho, ele esfregou com força o local do tapa, fazendo a dor se intensificar.
"Se dói, por que você não aprende?"
O corpo de Ana Paula enrijeceu. O desapontamento a atingiu como uma onda gelada, afogando a pequena chama de esperança.
"Eu já te expliquei tantas vezes que Sofia é apenas minha vizinha, uma amiga. Por que você insiste em fazer essas coisas por ciúmes? Três anos atrás você já a prejudicou tanto, não foi o suficiente?"
"Eu não fiz...", Ana Paula tentou se defender, a voz fraca.
"Cale a boca!", Marcos gritou, sua voz cortando o ar e silenciando os murmúrios dos colegas que observavam a cena. "Os atos sujos que você fez e a grande mentira que você inventou três anos atrás, preciso contá-los para que todos saibam?"
Uma grande mentira.
As palavras ecoaram na sala, e os olhares curiosos se voltaram para ela. Sim, ela havia contado uma grande mentira, uma mentira cujo verdadeiro propósito ninguém conhecia.
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