
Amor, Rendição e Salvação de Jeannie
Capítulo 2
“Jeannie – aquela que é agraciada por Deus”
Era a semana das provas finais, Jeannie estava uma pilha de nervos, andava de um lado para o outro no seu pequeno apartamento herdado de sua mãe, na cidade de São Paulo. Estava no último ano da faculdade de Assistente Social, tinha 24 anos, e estava diante de sua última prova, as outras já tinha tirado de letra. Porém, esta prova em particular, estava lhe tirando a paz.
Sem falar da tensão típica em sair de uma faculdade, sem perspectiva de trabalho ainda, enfrentar a concorrência e arrumar uma colocação no mercado de trabalho. Tudo muito difícil, ainda mais porque a área de assistência social não ser uma das mais lucrativas.
Com certeza, Jeannie sabia que precisava arrumar um trabalho, pois o dinheiro deixado por sua mãe estava quase no fim. Ainda bem que estudava em uma faculdade pública e gastava pouco com educação. Mas, o resto já era muito.
Sentia um inexplicável e insistente friozinho na barriga, naquele dia em particular. E, desde sempre, de suas lembranças mais remotas, ela sabia... aquele friozinho na barriga persistente e repentino significa mudanças em sua vida.
Pensa: “Oh! Esse friozinho de novo! Nãoooooo! O que será hoje?”
Tenta ignorar o friozinho... voltando a seu estado melancólico anterior, pois no mundo, podia contar com poucas pessoas, ainda menos, após a morte de sua mãe, quando tinha 17 anos, contava mais consigo ainda. Não podia falar com o pai, pois nem sabia quem era.
Seu pai mesmo, sempre foi o padrinho Marcão, Jeannie o considerava como da família. Seu padrinho Marcão, um Delegado de Polícia, na cidade de São Paulo. Era o típico homem autoritário e todo machão, mas sempre tratou Jeannie como uma filha. Ele era amigo de sua mãe e sua tia Shopia, desde sempre. Todos cresceram juntos no interior do Paraná. E, sempre que estava em apuros o Tio Marcão estava lá, para amparar sua mãe e agora a própria Jeannie.
Tia Sophia, irmã de sua mãe, morava nos EUA, trabalhava como intérprete em Nova York. As duas sempre passavam as férias juntas, cada ano em um lugar diferente. Eram muito ligadas, sendo Sophia muito jovem ainda, tinha 45 anos, e espírito aventureiro. Sempre convidava Jeannie para morar com ela, e agora poderia ser uma possibilidade após o término da faculdade.
Também, tinha as amigas Pamela e Beth como irmãs. Todas estudavam na mesma faculdade, e se conheceram num baile de calouros no primeiro ano. Outra amiga, porém não tão próxima assim, era a Amanara.
A Pamela, a "Pam", era a mais selvagem de todas, além do cabelo cor de fogo, olhos pretos, corpo forte e definido, tinha uma personalidade única. Era o porto seguro de todas elas, sempre pronta para uma briga pelas amigas. Estava também no último ano, mas da faculdade de Psicologia.
Amanara, a “Mara”, neta de índios, tinha a pele morena, e cabelos pretos lisos até os ombros. Era muito delicada, pequena e esperta, trabalhava como estagiária numa empresa de investimentos, na parte jurídica, e estava no último ano da faculdade de Direito.
Sua amiga Elizabeth, a Beth, já formada em Jornalismo, trabalhava para a revista “Os Fatos”, resumia acontecimentos globais, políticos, investigativos, crimes e corrupção. Mulher de 26 anos, esperta, inteligente, mas não tão bonita como suas amigas. Beth, estava sempre fora do peso, mas tinha um coração enorme e um sorriso lindo. Beth, a “amiga de alma de Jeanne”, nunca desistia de Jeannie.
A parte amorosa de Jeannie, nunca fora o forte em sua vida, não se importava tanto com isso. Sempre teve relacionamentos superficiais, apenas encontros e com pouco contatos físicos, não gostava de ser tocada na maioria das vezes. Sempre achava defeitos nos seus parceiros, em relacionamentos e não conseguia se ligar de maneira alguma. Quando a relação evoluía, os toques ficavam mais íntimos, não queria continuar. Para Jeannie, tudo perdia a graça, não havia a evolução emocionante das conquistas, pois os homens sempre estavam tão apaixonados por ela, perdia toda a graça e a emoção da conquista.
Então, decidiu que gostava mais de viver plenamente os momentos. Futuro e passado, não importavam para ela. Desta forma, se poupava do momento enfadonho em que seus parceiros, se declaravam estar totalmente apaixonados por ela, mesmo antes dela sentir algum tipo de ligação com eles. Tudo sempre se repetia, chegando a ser enfadonho. Os encontros furtivos e rápidos, ficaram sendo seus preferidos.
Ela acreditava, para se ter uma relação duradoura, deveria envolver muito mais do que palavras, como eu te amo, adoro você, és tudo para mim, penso em você o tempo todo. Ela queria sentir sensações intensas, amar e odiar são emoções conflitantes. A cumplicidade de um casal, onde deveriam falar sobre tudo sem quaisquer restrições, se sentir em casa quando estivesse com ele, ter alguns propósitos em comum também, com certeza, ajudaria a consolidar uma relação. Queria ter de lutar pelo amor de um homem, não sendo tudo muito rápido e fácil. Queria ser surpreendida, por situações boas e ruins.
Apesar da proximidade com suas amigas adoradas, sua vida corrida pelo último ano da faculdade e seu trabalho voluntário, Jeannie se sentia sozinha. No fundo, queria estar pelo menos com um cara legal para assistir um filme coladinha, jantar juntos, viajar e ter muitas sessões de amor e carinho, sexo quente e ao mesmo tempo terno. Alguém com que pudesse compartilhar seus segredos e seu lado mais sombrio, bem como sua face mais carinhosa e sem se sentir intimidada ou sufocada.
Quando estava junto da mãe Sylvia, super protetora, lhe cercando de amor e carinho, não se sentia sozinha, sua visão do mundo era de ser perfeito e muito feliz. Mas, sempre presenciou a mãe chorando por seu pai, mesmo nunca lhe dizendo quem era ou porque ele as abandonou. Via sempre o padrinho Marcão, olhando para a mãe com os olhos apaixonados, mas sua mãe sempre dizia: - “Nunca se apaixone minha Jeannie, as paixões são explosivas e passam tão rápidas, assim como elas vem. Cultive bons relacionamentos, espere ter uma relação duradoura com aquele com mais te endente. Ame mais a si mesma, e muito mais àqueles indefesos que nunca irão lhe tirar o que tem de mais importante, a sua sanidade mental”.
Jeannie havia se fechado numa concha interior, nunca deixava nenhum homem se aproximar muito de seu coração; não queria nunca, chorar como sua mãe. Porém, sentia um sentimento de vazio angustiante lá no fundo do peito, sabia, isso precisava mudar, ia precisar de mais... um dia.
Sentia-se completa, ajudando pessoas carentes, de qualquer forma, desconhecidos que nunca vira antes. Sua forma de demonstrar amor, aquecer seu coração, dando o seu melhor àqueles menos favorecidos, esquecidos pela sociedade e família, os excluídos. Desta forma, nunca se decepcionava ao dar sua dedicação à essas pessoas, uma das escolhas de Jeanne. Mesmo um deles tendo uma recaída, situação muito comum, pois a sociedade é cruel com os excluídos.
Ela era voluntária em uma ONG, já com uma possível oportunidade de emprego ao se formar, ajudando a tirar das ruas pessoas desiludidas da vida, como prostitutas, viciados em crack e moradores de rua. Fornecendo alimentos e assistência de saúde para famílias inteiras. Fez bons e fiéis amigos lá, aqueles que eram voluntários como ela.
Quanto a Beth, cresceram juntas, ambas eram vizinhas na cidade de Maringá, estudaram até o ensino médio na mesma escola. Compartilharam experiências, alegrias e tristezas, confidências do primeiro namorado, sempre grudadas. As mães delas trabalhavam juntas no mesmo escritório de advocacia, se mudaram todos na mesma ocasião para São Paulo, logo depois de Jeanne completar 11 anos e a Beth 13 anos. As amigas nunca souberam o real motivo, pois a mudança de cidade e estado foi às pressas, deixando quase tudo para trás.
Realmente, para Jeannie poucas lembranças restavam sobre essa época de sua vida. Contudo, lembra-se com clareza de que sua mãe sempre parecia estar se escondendo de alguma coisa, afirmando estar tudo bem e nada com que se preocupar. Beth, nunca comentava sobre o assunto.
Ao chegar em São Paulo, ambas foram morar na Saúde, bairro da Zona Sul da cidade, vizinhas de apartamento e suas mães, foram trabalhar juntas novamente em um novo escritório de advocacia, onde tinham sociedade. Nesta época, suas mães reencontraram o amigo de infância Marcão, hoje Delegado de Polícia Marcos Pontes. o Tio Marcão, amigo das duas famílias, se tornou uma figura paterna para Jeannie.
Para o grupo de amigas inseparáveis, Jeannie era aquela que sempre descobria como resolver tudo, conhecida como “gênio” por ter sempre a solução e parecendo como mágica, Pam tomava a frente de tudo, Mara aquecia o coração delas com sua doçura e suavidade, e Beth a mais corajosa e objetiva de todas colocando-as no rumo certo no final.
Nossa, hoje ... Jeannie, estava se desprezando, cheia de pensamentos negativos, melancólicos, pensamentos que sempre afastou. Sentia-se muito sozinha e amarga, vazia, se punindo por ser frívola com seus namorados e não ter uma experiência completa. Poderia ter alguém ao seu lado, agora mesmo não? Por que era sempre tão seletiva e se enjoava tão rápido? Por que não conseguia se ligar a ninguém? Não sentia nenhum sentimento por eles? Apenas, receio misturado com desejos e expectativas. Justo ela, nunca sentia nada, além da pura e mais gostosa adrenalina dos bons momentos.
Sentimentos como insegurança, medo e apreensão, ela simplesmente ignorava quando eles chegavam. Mas, hoje estava difícil, e aquela maldita prova na faculdade assombrando seus pensamentos... Aff!
“Ah! E o friozinho na barriga voltando...” – amaldiçoa, os próprios pensamentos.
Quando já vencida pelo cansaço de lutar contra os sentimentos, resolve espantar os pensamentos e ir se divertir um pouco, por não conseguiria dormir mesmo.
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