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Capa do romance Amor Perigoso na Favela

Amor Perigoso na Favela

Seis meses após ver seu pai, o Capitão Mendes, ser executado pelo General, uma jovem enfrenta o domínio da milícia na favela. Traída por um sistema corrupto que ignorou suas provas e a ameaçou de morte, ela percebe que a justiça oficial não virá. Determinada a não ser mais uma vítima, ela se une a Zé, um ex-policial, para iniciar uma perigosa rebelião. Juntos, planejam destruir o império do General e vingar a memória de seu pai em meio ao caos.
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Capítulo 2

A poeira do beco subia com o vento, grudando na pele suada de Maria da Luz, ela sentia o cheiro de esgoto e de fumaça que dominava a favela desde que a milícia tomou o controle, o ar parecia pesado, difícil de respirar, e ela odiava aquilo, odiava a sensação de estar presa, de não ter para onde correr. A vida tinha se tornado um ciclo de medo e submissão, cada dia era uma luta para simplesmente sobreviver, para não chamar a atenção errada, para não se tornar mais uma estatística. Ela era enfermeira, treinada para salvar vidas, mas ali, naquele lugar, ela mal conseguia salvar a si mesma. O desejo de liberdade era uma dor física, uma queimação constante no peito que a mantinha acordada à noite.

Tudo mudou há seis meses, o dia em que seu pai, o Capitão Mendes, foi assassinado, ele era um ex-militar condecorado, um homem que acreditava na justiça e na honra, um herói para a comunidade, e foi morto na sala de sua própria casa, com uma brutalidade que chocou a todos. Maria lembrava do som dos tiros, do cheiro de pólvora, e de encontrar seu pai caído, o olhar ainda surpreso, traído. O assassino não era um estranho, era "O General", um ex-colega de seu pai, um homem que ele um dia chamou de amigo, mas a ganância e a crueldade o transformaram em um monstro, e agora ele era o dono da favela, o dono de tudo, inclusive das vidas dos moradores.

Nos dias que se seguiram, Maria tentou fazer a coisa certa, ela juntou o que podia de provas, testemunhos de vizinhos que tinham medo demais para falar em voz alta, e levou tudo para a delegacia mais próxima. Ela esperou por horas em um banco de plástico duro, o cheiro de desinfetante barato misturado com o de café velho. Quando finalmente foi atendida, o delegado mal olhou nos olhos dela, ele folheou os papéis com desdém, um sorriso cínico no canto da boca.

"Minha jovem, você não sabe com quem está se metendo", ele disse, a voz baixa e ameaçadora. "Esqueça isso, pela sua própria segurança."

Ela insistiu, a voz tremendo de raiva e dor, mas ele apenas a ignorou, e quando ela saiu da delegacia, dois homens a seguiram, eles a encurralaram em uma rua estreita, um deles segurou seu braço com força, os dedos afundando em sua pele.

"O General mandou um recado", o homem sibilou. "Fica na sua, ou você vai fazer companhia pro seu pai."

A ameaça a deixou sem ar, o medo gelado percorreu sua espinha, e ela entendeu que estava sozinha, as autoridades eram corruptas, parte do mesmo sistema podre que matou seu pai.

Naquela noite, enquanto revirava os pertences de seu pai em busca de alguma memória, de algum conforto, ela encontrou algo inesperado, escondido no fundo de uma velha caixa de munição, havia um diário de capa de couro e um mapa amarelado. As anotações de seu pai revelavam um esquema de corrupção gigantesco, envolvendo "O General", políticos influentes e um tesouro, dinheiro sujo de um golpe antigo, escondido em algum lugar. Era por isso que seu pai tinha morrido, ele sabia demais. Naquele momento, a busca por justiça ganhou um novo propósito, não era apenas por seu pai, era para desmantelar tudo o que "O General" havia construído.

Foi então que um homem a procurou, ele se apresentou como Zé, um ex-policial, seu rosto era marcado pelo cansaço e pela desilusão, mas seus olhos ainda tinham uma faísca de integridade. Ele tinha visto Maria na delegacia, tinha ouvido os rumores sobre a ameaça que ela sofreu.

"Eu sei o que você está tentando fazer", disse ele, a voz rouca. "E sei que não vai conseguir sozinha, esses caras são perigosos, mas eu saí da polícia porque não aguentava mais a sujeira, talvez eu ainda possa fazer alguma coisa de bom."

A promessa dele foi um pequeno raio de esperança no meio da escuridão, pela primeira vez em meses, Maria sentiu que não estava completamente sozinha.

Naquela mesma noite, enquanto conversava com Zé em um canto discreto da comunidade, planejando os próximos passos, uma sombra se projetou sobre eles, o ar ficou pesado, e o barulho da favela pareceu silenciar. Era "O General", ele caminhava em direção a eles, seus homens armados logo atrás, seu olhar fixo em Maria, um olhar de predador, intenso e possessivo.

Ele parou a poucos metros de distância, ignorando completamente a presença de Zé.

"Maria da Luz", ele disse, o nome dela soando como uma ordem, uma declaração de posse. "O que você está fazendo aqui fora a essa hora? Conversando com esse tipo de gente?"

O desprezo em sua voz era palpável, ele se aproximou mais, seu corpo grande e imponente bloqueando a luz do poste, ele estendeu a mão e tocou o rosto de Maria, o polegar traçando a linha de sua mandíbula, um gesto que deveria ser de carinho, mas que era carregado de ameaça.

"Você sabe que não gosto que ande por aí sozinha", ele continuou, a voz agora um sussurro perigoso. "Você é minha responsabilidade agora, a filha do meu velho amigo... eu tenho que cuidar de você."

A menção ao pai dela foi como um soco no estômago, Maria sentiu o sangue ferver, mas se manteve imóvel, o medo a paralisando.

"Volte para casa", ele ordenou, o tom final, sem espaço para discussão. "E não quero mais ver você com esse ex-policial de merda, entendeu?"

Ele não esperou por uma resposta, apenas se virou e foi embora, seus homens o seguindo como cães de guarda. Maria ficou ali, tremendo, o toque dele ainda queimando em sua pele. Zé a olhou com preocupação, a mandíbula tensa de raiva.

"Ele não vai desistir", disse Zé. "Ele acha que é seu dono."

Maria sabia que ele estava certo, a luta pela justiça havia se tornado algo muito mais pessoal e perigoso, era uma luta pela sua própria vida, pela sua própria alma. E ela não ia desistir.

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