
Amor Obsessivo
Capítulo 2
Verão.
Carolina Gonzalez.
Chego em casa cansada de mais um dia de trabalho. Passo pela porta e sinto o cheirinho de bolo vindo da cozinha. Meu estômago ronca e eu vou direto para lá deixando minha bolsa jogada em cima do sofá.
- Boa noite mãe._Saúdo, e beijo seu rosto. - Hum... Bolo de chocolate, estou morta de fome. _ Pego um prato e uma espátula para retirar um pedaço.
- Parada aí mocinha!_ Paro no lugar e a minha mãe retira o bolo da mesa. _Faço cara feia. - Não adianta fazer cara feia. _ Diz colocando o bolo em cima da bancada. -Esse bolo é só pra depois do jantar!
- Nossa mãe era só um pedacinho._ faço bico.
- Já disse só depois do jantar._ Faz uma cara que não decifro o que é. Então pergunto.
- O que de tão especial, terá depois do jantar?
- Surpresa!_ Responde feliz. - Vai tomar um banho, enquanto eu coloco a mesa.
- Eu ajudo!_ Me olha brava.
- Carolina!_ Ralha como se eu fosse uma criança de apenas 5 anos.- Me obedeça, e vá tomar o seu banho!
- Está bem!_ Levanto às mãos em rendição.- Eu só queria ajudar. _ Saio da cozinha e pego minha bolsa na sala. E ela grita da cozinha.
- E sem banho demorado, ou o jantar esfria! _ Entro no meu quarto, me livrando das peças de roupa._ Minha mãe é uma comédia.
Nossa casa é simples e contém poucos cômodos. Uma sala três banheiros, um em cada quarto e um no final de um pequeno corredor, uma cozinha e um pequeno, mas fantástico quintal, cheio de pés de frutas, a mangueira e a goiabeira são os meus favoritos.
Somos apenas nos duas desde os meus quatorze anos. O meu pai, faleceu em um acidente de carro, deixando para nós duas, apenas uma casa aqui em Hallsburg. A minha mãe até tentou se apaixonar novamente, ela saiu com um homem que não tinha o rosto tão amigável. Ele me dava medo! E eu tinha razão... No começo do relacionamento tudo era flores, mas depois os espinhos vieram e a minha mãe sofreu muito.
Então por escolha dela, resolveu ficar sozinha._ Depois da morte do meu pai, as dificuldades que já não eram poucos se multiplicaram, então quando completei dezesseis anos comecei a trabalhar. A minha mãe não queria deixar, ela estava quase se matando para me sustentar, insisti muito eu queria ajudar. E para minha alegria ela concordou com a condição que, eu não deixasse que o trabalho atrapalhasse o meu desempenho escolar. E assim seguimos a nossa vida. _ Com boas notas completei o ensino médio e graças a Deus ganhei uma bolsa de estudos e comecei a fazer a minha faculdade. E o próximo ano será o meu último. Meu sonho sempre foi estudar em L.A, mas não conseguiria por não ter dinheiro suficiente para pagar. Enviei várias cartas junto a coordenação pedindo transferência e nunca consegui. Agora prestes a formar não sei se quero ir mais.
Aqui em Hallsburg eu sou feliz! Tenho minha mãe o bem mais precioso, que eu tenho na vida.
- Pronto cheguei._ Digo para minha mãe. Me sento a mesa.
- Pontual como sempre minha filha._ Começa a colocar comida em meu prato.
Começamos a comer e durante o jantar conversamos sobre vários assuntos. Inclusive sobre o último ano de faculdade que vou começar mês que vem.
- Eu tenho muito orgulho de você meu amor._ Se levanta e vai até o armário, pega o bolo e também um envelope azul marinho._ Me entrega.
- U.N.L.A? Mãe eu não acredito!
- Abre filha!_ Ela diz.
Meus olhos se enchem de lágrimas.
- Eu fui aceita mãe. Eles aceitaram a minha transferência _ Nos abraçamos.
- Finalmente minha filha, você conseguiu!_ Diz eufórica, mas o seu semblante triste a entrega.
- Eu não irei!_ Me olha confusa.
- Como não vai? Você sempre quis estudar em Los Angeles, e agora vai desperdiçar essa chance?
- Eu não vou mãe, tá decidido! Não vou deixar a senhora aqui sozinha._ Jogo o envelope sobre a mesa.- Quando pedi transferência a senhora estava com planos de ir pra lá, mais agora não. Já passou muito tempo! _Saio da cozinha ignorando os chamados dela. _ Sento no sofá emburrada.
Minutos depois...
- Toma, você queria tanto, e nem comeu._ Me entrega o bolo em um prato._ Noto o envelope em sua mão, mas não falo nada.
- Filha, sei que provavelmente sabe sobre o que quero falar, e não quer saber do assunto, mais mesmo assim eu vou falar._ fico calada. - Durante todos esses anos eu vi você lutar, para que tudo o que você é fosse reconhecido por alguém. Que fosse valer a pena. E valeu! _ Pega meu queixo e vira o meu rosto para ela.
- Eu te amo meu bem, você é a minha única família. Eu vou morrer de saudade, mais jamais meu amor vou deixar que desista dos seus sonhos, por mim!_ Começo a chorar.
- Sempre estarei aqui meu amor... Independentemente aonde estiver, seja aqui ou do outro lado do mundo. Sempre serei sua mãe!
- Eu não vou conseguir ficar lá, sem você!_ Pego as suas mãos.
- É claro que vai Carolina! Você é uma Gonzalez! É forte, guerreira. Você consegue!! _ Diz com convicção.
- Promete que vai ficar bem?_ Ela assenti. - Te amo mamãe! _ Sorrio e deito no seu colo.
"Eu vou conseguir!"
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