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Capa do romance Amor no Vidigal

Amor no Vidigal

Diego Ferrí, é dono do morro do Vidigal, e comanda alguns complexos aliados, junto com a maior facção do Rj. Ele e o seu irmão, Vítor. Vivem em uma eterna briga por poder. Em meio ao caos que é o tráfico, o comando e tudo que isso envolve. Ele ainda consegue se divertir bastante com toda patricinha que sobe o morro atrás de adrenalina. Mas nenhuma princesa da pista chama a atenção dele, como a Barbie da favela.. Em circunstâncias normais, ele não olharia pra ela duas vezes - Prefere mulheres mais velhas, e experientes. - Mas ao ver a irmã mais nova da sua ex, tão crescida e bonita. Ele resolve investir tudo o que tem para conquista-la, por pura vingança. Bianca aprendeu a ser forte desde pequena, e não é nenhuma jovem inocente. Apesar da sua vida difícil ela não quer ser vista como uma coitada. Mesmo novinha, ela é esperta o suficiente para perceber as intenções do dono do morro, e virar o jogo deixando claro que não vai ser manipulada por ninguém. Diego e Bianca tem uma história foda, cheia de altos e baixos, desencontros, brigas.. mas com muito amor envolvido.. Você não vai se arrepender de investir seu tempo nessa história!
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Capítulo 3

Diego

To encostado na grade de proteção do camarote, olhando lá pra baixo. Dou um trago no cigarro e fico passando o olho em geral, quando vejo o Kaká pegando a morena já dou o confere ao redor, sabia que a loirinha ia colar com ela. Avisei que queria e ela logo deu as caras, não me lembro de ver ela em outro baile. 

- Busca aquela dona ali pra mim, agora. - Chamo o canela e mando, ele me olha confirmando com a cabeça e desce. 

- Qual a boa de hoje? - Negão pergunta um tempo depois se aproximando. 

- A irmã da Letícia.. cresceu, tá gostosa pra caralho, vou dar um confere! - Falo e dou um gole no meu copo de uísque com gelo. 

- Letícia tua ex? - Negão pergunta me olhando torto e eu confirmo apontando com a cabeça pra novinha subindo a escada, de cara amarrada olhando pra todo lado. 

- Tá arrumando caô Ferrí! - Fala balançando a cabeça e eu sorrio. 

Depois de desenrolar um papo fodido com ela, me estressando atoa com um cu doce que eu não tô acostumado, volto pra minha mesa mandando um moleque encher meu copo e bolar um skunk. 

- Qual foi? A Barbie te mordeu? - Negão fala me zoando, filho da puta. 

- Famoso cu doce, tá ligado. - Falo e dou um gole. - Bom que a parada fica interessante. - Dou uma olhada nela. A dona é gata pra caralho, uma beleza natural e diferenciada, tem cara das patricinhas que sobem aqui, mas o rebolado é de quem nasceu no Vidigal. Apesar de se parecer com a filha da puta da Letícia, ela é ainda mais gata. 

- Não tá acostumado com essa parada né meu bom, aqui buceta voa na tua cara. - Ele da risada. - Essa daí vai comer teu juízo, escreve. Não tá procurando nada do que tu quer oferecer! - Negão fala. Pior que ela cresceu com a sobrinha dele, e conhece a mina melhor que eu. Mas que se foda, ela veio aqui hoje por um motivo, já tá la jogando a bunda e rebolando, se não quisesse já tinha metido o pé. 

Passo o resto da noite só de olho nela, também tenho a minha bronca e não sou de ficar forçando, sei que essa loira ainda vai comer na minha mão. 

Quando vejo ela descendo sozinha, chamo os moleques da contenção, pego minha glock e saio sem fazer alarde, ainda tá cedo pra caralho, o fervo tá só começando. 

Meu plano era encontrar com ela fora do baile, onde tem menos movimento, ela pode ficar mais a vontade. Mas ela subiu no mototáxi e picou o pé, caralho mesmo. Pego minha moto e vou atrás com os moleques, quando chego na porta de um bar, vejo o fodido do pai dela metendo o louco. Já tava doido pra pegar ele vacilando pelo morro, porque tá devendo a boca pra caralho. Aí ele ainda tem coragem de fazer uma patifaria dessas na minha comunidade. 

Depois de explicar o proceder, o Negão me dá a ideia de levar ela pra minha tia, pra não deixar esse filho da puta junto dela. 

Quando ela sobe atrás de mim, arranco de uma vez fazendo ela se segurar na minha cintura. Olho pra sua mão pequena e tímida e já imagino altas paradas, quando chego na casa da dona Lurdes, deixo o problema com ela. 

Hoje não tinha muito o que desenrolar, depois do que aconteceu com o pai dela deu ruim, então só deixei ela lá e voltei pro baile. 

----

No dia seguinte cheguei na casa da minha tia a tarde, tava um calor do caralho e assim que entrei o Ruan já foi zoando comigo. Quando cheguei na cozinha vi ela de costas encostada na pia, se esticando pra encher um copo com água no filtro. De shortinho curto e blusinha pequena, o cabelo amarrado mostrando seu pescoço. Foi bom ter trago ela pra cá, vou me aproximar aos poucos, já que quer ficar nesse joguinho de comadre primeiro, bora lá. Tenho pressa não, é até bom que me diverte e da um expectativa diferente pra parada. 

Não da pra enjoar de buceta, é sempre bem vinda. Mas ultimamente eu tô preferindo as que vem de fora. Nasci e me criei nessa comunidade, conheço toda mulher daqui, não gosto de repetir as paradas porque aí tenho que dar condição de amante, e já tenho algumas pelo complexo da maré. Aqui no Vidigal é minha casa, e gosto de paz. 

Quando vi essa loira subindo o morro no sol quente, de calça apertada marcando bem a bunda, não deu outra, quis pra mim. Pareceu diferenciada no primeiro momento, mas quando olhei de perto vi que era a irmã da fodida da minha ex. Não lembrava dela assim, achava que ainda era uma pirralha, mas a dona já tem quase 18 e ta gata pra caralho. 

Ser irmã da maldita da Letícia, e ficar nesse jogo duro, é o que tá tornando a parada interessante, não vou negar. 

Me aproximo bem dela, já sentindo um cheiro bom, de sabonete e tal. Ela se vira quando sente a minha presença e se assusta. 

- E aí. - Falo passando por ela e estendendo o braço pra pegar um copo. 

- Oi. - Fala se afastando. - É.. queria te agradecer por me trazer pra ca ontem. - Fala me olhando sem jeito, encostada na pia enquanto bebo água. 

- Quer agradecer mesmo loirinha? - Falo me inclinando pra perto dela sorrindo, já sabendo que ela ia correr. 

- Diego! - Ela reclama e se afasta. Coloco o copo na pia ouvindo ela respirar fundo. - Como eu vou deixar claro pra você que não tô fazendo doce? - Pergunta me olhando e eu encaro ela interessado. 

- É o que tu diz, mas nem tu mesmo acredita nisso po. - Falo passando por ela. - Tô saindo fora. - Falo sem esperar resposta. Deixa o tempo novinha, logo tu vai entender o que tá perdendo

Bianca 

No dia seguinte acordo cedo e começo a me arrumar pra escola, pego minhas coisas e saio pra sala, tia Lurdes já esta dando café pro Ruan que também vai pra escolinha, e ela me fala o horário que tenho que buscar ele lá. 

Quando saio de casa aviso a Carol que já estou descendo, pouco tempo depois encontro ela na escadaria e vamos juntas pro colégio. Já tinha falado pra ela por mensagem que estava na casa da tia Lurdes no dia em que o Francisco voltou me envergonhando, mas ela perguntou de novo todos os detalhes, e me chamou pra morar com ela. Eu não aceitei, porque se era pra morar de favor na casa de alguém, melhor numa casa que poderia trabalhar pra ajudar né. 

A gente ficou conversando sobre o estupido do Diego, e todo o achismo dele sobre mim. A Carol fica me zoando, porque sabe que tô odiando de verdade essa história. Ela me dá alguns conselhos e eu conto o que aconteceu ontem também. 

- Não sei se vou assistir todas as aulas hoje. - Ela fala quando a gente entra na sala. 

- Por que? - Pergunto. 

- Não to bem, desde ontem passando mal. - Ela apoia os braços na mesa e deita por cima deles. 

- Quer que eu te leve no postinho? - Pergunto preocupada.

- Não amiga, agora não, só se não passar. - Ela fala e eu fico o resto das aulas dando cobertura pra ela, e fazendo nossas atividades. Carol vive doente mas odeia hospital porque morre de medo de agulhas, por ironia ou não, é ela que tem varias tatuagens.. 

No intervalo a gente encontra nossa amiga Mayara e ficamos conversando. 

- O Lucas chamou a gente pro aniversário dele, nós vamos né?- Carol fala olhando pro celular. Lucas é um amigo nosso da turma.

- Quando? - Pergunto ao mesmo tempo que a Mayara confirma. E a gente fica conversando sobre a  festa pelo resto do intervalo.

Quando a aula acabou, passei pra pegar o Ruan na escolinha e fomos pra casa, ele falando bastante de como tinha sido sua manhã. 

A tia Lurdes tinha mandado nosso almoço pelo motoboy do restaurante, então coloquei a comida pro Ruan, ajudei ele a comer e almocei também. 

O resto da tarde foi bem tranquilo e apesar do Ruan ser bem agitado, correr pra todo lado brincando, quando estava assistindo desenho virava um anjo. Então eu fiquei estudando na sala enquanto ele assistia ou brincava. 

- Titio! - Já no fim da tarde Ruan gritou e correu na direção do Diego, ao ver ele abrir a porta. 

Ele me olhou e me cumprimentou com um aceno leve de cabeça. Eu olhei pra ele, sorri forçado e voltei minha atenção à televisão. E ele passou direto pra cozinha onde a tia Lurdes já estava. 

O resto da semana se passou dessa mesma forma. Ia pra escola, cuidava do Ruan, e a maioria das noites Diego aparecia pro jantar. A gente não conversava muito, não tínhamos assunto, quando ele começava a dar em cima de mim, eu cortava e ia pro quarto. A tia Lurdes levava tudo na brincadeira, e quando mais eu negava ele, mas ele parecia gostar, sorrir e ficar instigado. Nada do eu falasse adiantava! 

Mas apesar disso estava feliz, de um jeito muito estranho me sentia segura ali. Ninguém me machucava mais, e isso pra mim era tudo. Então eu estava comemorando. Não havia mais visto o Francisco ou se quer ouvido falar dele. Os hematomas haviam sumido do meu corpo, e o sorriso voltava aos poucos para o meu rosto. 

Hoje era sábado, a Carol me chamou pro baile, mas dessa vez não aceitei. Tia Lurdes estava me pagando por semana, então eu comprei algumas besteiras pra comer sozinha à noite. Ela havia saído com o Ruan pra um aniversário do primo dele, e iria dormir na casa da mãe dela. 

Fiquei o dia conversando com o boyzinho que sou afim da sala, sobre um trabalho que estamos fazendo juntos, e também fofocando no grupo das meninas. No fim do dia tomei um banho demorado, lavando e hidratando meus cabelos. Depois que sequei, vesti um pijama rosa curtinho e fui pra sala. Coloquei um filme, e comecei a comer as besteiras. Dividi minha atenção entre comer, responder o Gustavo, escutar os áudios da Carol bêbada, e assistir até adormecer na sala mesmo. 

________________________________

A  opção é diminuir o tanto de gente ao redor. Assim, serão menos decepções e assim vai ser bem melhor...

Emicida

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