
Amor nas montanhas
Capítulo 3
Carol não sabia o que faria a seguir, já estava em Manhattan por duas semanas, precisava voltar para casa, mas não queria deixar o restaurante da tia nas mãos de Guy para ele vender para qualquer playboy, que
não manteria o lindo ambiente italiano que tinha o restaurante, Como ela podia deixar que o legado de sua tia virasse um local frio e sem vida, aquelas porcarias chiques sem sentimentos ou histórias pra contar, cores mortas, funcionários frios e comida extremamente cara.
A vida no campo era muito melhor do que a vida na cidade grande onde havia, muita poluição, muita gritaria, pessoas que mal se falam ou se tocam, tudo muito impessoal, ela gostava do calor e das amizades do interior da Itália, todos se conheciam, se cumprimentavam, eram bem calorosos, as vezes até demais.
Carol não ia desistir do restaurante, ela ia passar o dia seguinte nele e ver como era administrado e cuidado, desejava conhecer os funcionários e ver quem era leal a sua tia.
Antony tentou, tentou arduamente não pensar em Carol, por que se havia algo que ele sentia falta da sua juventude era de Carolina Greco, sua melhor amiga e namorada na juventude e... era melhor não lembrar de coisas que jamais se resolverão, ele agiu como um cretino e tinha plena consciência disso.
Antony e Carol estavam noivos, eles estavam terminando a faculdade e queriam começar a vida juntos, mas ele nunca havia se conformado com a vida na casa dos pais, uma vida familiar onde um homem abusivo maltratava esposa e filhos, ele ficava indignado como sua mãe aceitava toda essa situação, ele não queria viver um casamento assim e quando surgiu a oportunidade entre escolher ir embora de Nápoles ou casar com Carol, ele deu ouvidos a razão e foi embora sem olhar para traz.
Agora ele era dono de um império, era dono de vários empreendimentos incluindo uma cadeia de restaurantes o que o leva de volta a Carol, ele não sabia que o lugar que tanto amava era da tia dela, com tantas possibilidades logo essa aparece diante dele para mexer com sentimentos a muito guardados e selados.
Gostaria de não ter dado ouvidos a Guy e ido naquele encontro estupido, mas Antony sabia que o homem ia detonar o lugar, não entendia como uma mulher inteligente como a Nona tinha um cara como esse por sócio, como pode ser enganada, ele queria muito manter a memória da Nona e estava certo de que jamais poria mãos no restaurante enquanto Carol fosse uma das sócias.
-Senhor?!-falou Irwi sua secretária do vão da porta entreaberta, tirando-o de seus devaneios.
-Sim
-Sua reunião no Plaza foi remarcada para a próxima semana, sua tarde de hoje está livre, deseja agendar algo para esta tarde?
-Não Irwi vou aproveitar para estudar os novos projetos, evite que eu seja incomodado.
-Senhor sua mãe ligou novamente- informou a secretária.
-Tudo bem eu retorno mais tarde-ele respondeu sabendo que não o faria.
Ele culpava a mãe por tudo o que havia passado, as constantes humilhações sofridas por causa do pai alcoólatra e agressivo, ele não conseguia aceitar o por que de não pegar os filhos e ir para longe daquele homem, que agora era só um peso morto na vida dela, bebeu até ter um derrame e ficar preso em uma cama, Antony ofereceu de pagar um lugar para o homem ficar, mas a mãe disse que cuidaria dele na saúde e na doença, deixando o filho extremamente zangado e criando mais um abismo entre os dois.
O celular que estava em cima da mesa começou a vibrar, ele havia tirado o som para participar das reuniões matinais e esquecera de por de volta, seja lá quem for era insistente já que não parava de ligar, era seu telefone pessoal e ele não queria tratar de assuntos pessoais naquele momento, queria apenas estudar os novos projetos e se desligar do passado.
O dia se arrastou para Antony, sua secretária desistiu de falar com ele depois de duas tentativas frustradas e de ver uma face bem agressiva de seu chefe, ela queria dizer algo referente a alguma ligação importante, mas que era de âmbito pessoal, então ele gritou que não atenderia ninguém enquanto estivesse estudando os novos projetos, ele precisava focar no trabalho, precisava esquecer toda a amargura do passado, todo o mal vivido e causado por ele.
Carol aproveitou que tinha a tarde livre do dia seguinte e marcou uma visita ao restaurante de tia Abigail, ela ficou chocada ao saber que sua tia devia dinheiro a Guy, por isso, ela havia dado 30 por cento do lugar a ele como pagamento.
Ela havia marcado uma reunião com Guy no escritório do advogado, queria oferecer a ele um acordo de compra dos 30 por cento dele,mas queria a presença de um advogado, desde o primeiro telefonema sabia que aquele era um homem perigoso e malicioso.
Como Carol esperava o homem veio cheio de falsos argumentos para a reunião e pediu uma semana para pensar e ela pediu essa semana para verificar de perto o andamento do restaurante e ver como o lugar era administrado, não ia ficar uma semana esperando sentada enquanto ele agia por baixo dos panos, mas o que ela não esperava era a ligação exasperada de sua avó e nem o pedido que ela havia feito,o qual ela se negara veementemente a cumprir, mas depois voltou atrás.
Já passava da seis quando Antony ouviu uma batida na porta, ele não respondeu mas a pessoa insistiu e não entendendo o recado a pessoa pôs a cabeça para o lado de dentro do escritório causando espanto em Antony.
A última coisa que Carol pensaria em fazer era ir até o escritório de Antony, mas a ligação de sua avó a deixou culpada e angustiada, então resolveu ir até lá e dar o aviso, que era muito importante.
-Sua família está ligando e você não atende o telefone-disse Carol da porta.
-Estava ocupado-respondeu ele secamente.
-Serei rápida-disse ela entrando na sala e deixando a porta aberta-Seu pai faleceu esta manhã e sua mãe está fora de si chamando por você, por isso sua família estava tentando entrar em contato, recado dado, sinto muito-disse Carol saindo do escritório sem olhar para trás.
Ele ficou lá sentado olhando para porta que se fechava, havia desejado tanto isso na sua infância que aquele homem morresse e deixasse sua mãe em paz, mas agora não importava mais, ele havia se libertado de tudo isso, Carol disse que sua mãe estava desesperada, algo que jamais aceitaria era esse amor doentio dela por aquele homem que só a fez sofrer e amargar uma vida infeliz.
Carol praticamente correu até o elevador rezando para ele não ter a brilhante ideia de ir atrás dela, só respirou normalmente quando estava dentro do táxi indo para o hotel o qual estava hospedada sabia que a morte do pai não o interessava mais sua avó sempre foi amiga de Madie mãe do Antony, sempre tentou cuidar e ajudar aquela família embora Madie não deixasse muita margem para isso.
Ela nunca havia entendido que mesmo tendo apoio total dos amigos e familiares, Madie sempre apoiou o marido agressivo e alcoólatra e agora sofria com a morte daquele homem que já estava inválido dando cada vez mais trabalho e afastando seus filhos já adultos de seu convívio, agora ela chorava e sofria e pedia o retorno dos filhos que um dia foram seus.
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