
Amor inquebrável
Capítulo 3
"Mitchel?" Ao vê-lo, o sangue de Tessa gelou. Ela sempre tivera medo dele. A mãe também a alertara para não provocá-lo.
Porém, ao lembrar-se do tapa, adotou uma expressão lamentável e chorou. "Mitchel, olhe para o meu rosto. Ela me bateu."
A luz do sol caía sobre o belo rosto de Mitchel.
De repente, Raegan sentiu uma profunda tristeza e baixou a cabeça para olhar a parte de trás do braço, queimada pelo café.
Seus olhares se encontraram. Com a testa profundamente franzida, Mitchel olhou para Raegan e perguntou: "Raegan, esqueceu-se das regras da empresa?"
A frieza dele fez Raegan perder o fôlego. Não conseguia acreditar no que ouvira.
Naquele momento, ninguém ousava emitir um som.
Raegan permaneceu em pé, com sua figura esbelta.
Quando fora contratada, Mitchel dissera-lhe que o Grupo Dixon não era lugar para bagunça e que ele não toleraria qualquer erro de sua parte.
Raegan conseguia entender sua postura.
Contudo, naquele instante, desesperava-se para saber se Mitchel ouvira as palavras cruéis de Tessa ou apenas fingira não ouvir porque concordava com elas.
Será que ele realmente a via como um objeto para seu prazer?
Assustada com a fúria de Mitchel, a multidão logo se dispersou. Alguns funcionários foram corajosos o suficiente para espiar de longe, relutantes em perder o espetáculo.
Os olhos frios de Mitchel fizeram Raegan estremecer da cabeça aos pés.
Beliscando a palma da mão para conter as emoções, Raegan olhou para Tessa.
"Sinto muito, senhorita Lloyd. Como funcionária do Grupo Dixon, errei ao bater em você."
Fitando Raegan, Tessa ergueu o queixo com complacência. "Humm! Não pense que vai se safar com um pedido de desculpas tão simples. Não aceito..."
"O tapa não tem nada a ver com a empresa. Pessoalmente, recuso-me a pedir desculpas. Agora, se me dá licença", interrompeu Raegan.
Em seguida, passou por Mitchel sem sequer olhá-lo.
"Sua... sua vadia!"
O rosto de Tessa ficou azul após ouvir as palavras de Raegan.
Em todos os seus anos de vida, nunca fora tão humilhada. Sempre fora a valentona, nunca a vítima!
A humilhação era tanta que nem despedaçar Raegan naquele momento aplacaria sua raiva.
Apontando na direção de Raegan, gritou: "Mitchel, ouviu o que essa mulher disse? Deu-me um tapa na cara e ainda é tão arrogante. Chame-a de volta. Tenho que esbofeteá-la até que implore por misericórdia!"
Mitchel, observando as costas magras de Raegan que se afastava, tinha uma expressão ambígua.
"Já chega!", disse ele friamente, erguendo a mão.
Como alguém que vivia e respirava drama e crueldade, Tessa não julgou que Mitchel estivesse sendo parcial com Raegan. Presumiu que ele simplesmente não se importava.
Tessa cerrou os dentes e disse com malícia: "Da próxima vez, arrumo alguém para dar uma lição naquela vadia."
"Tessa!" O tom e o olhar de Mitchel soaram como uma severa repreensão.
Imediatamente, Tessa estremeceu.
Com semblante sombrio, Mitchel declarou: "Só direi isso uma vez. Esqueça o que aconteceu hoje. Deixe Raegan em paz."
A aura que ele exalava secou-lhe a língua. Todas as ideias perversas que guardara contra Raegan desapareceram num instante.
Gaguejou: "Tá... Tá bom, entendi..."
Após lançar um olhar gélido sobre ela, Mitchel dirigiu-se a Matteo: "A partir de hoje, pessoas irrelevantes não serão permitidas aqui."
Sem captar a mensagem, Tessa adulou-o: "Boa decisão. Esta é uma empresa de ponta. Nem todos têm acesso."
Matteo acenou a Mitchel e dirigiu-se a Tessa, gesticulando em direção à saída. "Senhorita Lloyd, por aqui, por favor."
Foi só então que Tessa percebeu ser a pessoa irrelevante a quem Mitchel se referira. Ao tentar falar com ele, Matteo bloqueou-lhe o caminho. Os seguranças então a expulsaram, sem demonstrar qualquer piedade, tornando sua resistência inútil.
Enquanto isso, ao voltar para seu escritório, Raegan trocou de roupa.
Seu coração transbordava de tristeza ao lembrar como Mitchel a olhara minutos antes.
Logo chegou o horário de fechamento.
Raegan pegou a bolsa e dirigiu-se à saída, mas Matteo a deteve.
"O senhor Dixon tem um assunto urgente", disse ele, "e me pediu para levá-la para casa."
Raegan recusou a carona sem hesitar.
Antes, estivera cega, mas agora enxergava a situação claramente.
Aos olhos de Mitchel, ela não passava de uma ninguém.
Como ele concordaria em acompanhá-la para visitar a avó, se nem sequer se importava com ela?
Ao chegar ao hospital, Raegan viu a enfermeira prestes a dar o jantar à sua avó. Assumiu a tarefa e fez tudo sozinha.
A vida toda, a avó vivera no campo, desfrutando de uma vida tranquila. Tudo mudara no mês passado, quando seu exame de rotina mostrara que algo estava errado com seu pâncreas. Raegan insistira em trazê-la para a cidade, para um tratamento melhor.
Sua avó não sabia de seu casamento com Mitchel.
Raegan planejara surpreendê-la naquele dia, mas, como se viu, isso já não era necessário.
Esperou que a avó adormecesse antes de sair. Deixou o hospital e esperou por um táxi.
Ao longe, um carro de luxo preto entrou na entrada do hospital.
Os olhos de Raegan iluminaram-se ao vê-lo. Reconheceu o carro de Mitchel.
Terá ele vindo buscá-la?
Naquele momento, esqueceu toda a dor que sentira.
Estariam erradas suas ideias sobre ele? Importar-se-ia ele com ela, ao contrário do que diziam as fofocas?
A porta do motorista abriu-se e Mitchel saiu.
Raegan começou a caminhar em sua direção, o coração transbordando de alegria.
De repente, parou abruptamente.
Mitchel acabara de ir para o outro lado e carregara uma mulher para fora do carro.
Preocupação e compaixão estavam estampadas em seu belo rosto, apagando o sorriso do rosto de Raegan e fazendo seu coração afundar.
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