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Capa do romance Amor Envenenado, O Fim Fatal de uma Amizade

Amor Envenenado, O Fim Fatal de uma Amizade

Clarice financiou os estudos de Alex com a ajuda do pai, mas descobriu que ele a traía com Ísis, sua melhor amiga. A tragédia aumentou quando seu pai foi falsamente acusado de desvio e morreu em desgraça, levando sua mãe ao colapso. Doente com câncer terminal, Clarice volta para casa e confronta os traidores. Ísis revela cruelmente que denunciou o pai de Clarice para destruí-lo, culpando a ex-amiga por toda a miséria e morte de sua própria família.
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Capítulo 1

Para manter meu namorado, Alex, na faculdade de direito, implorei ao meu pai que pagasse a mensalidade dele. Mas no dia em que me mudei para a cidade para ficar com ele, o encontrei me traindo com minha melhor amiga, Ísis.

A traição não parou por aí. Meu pai, um respeitado líder sindical, foi acusado injustamente de desviar fundos — o mesmo dinheiro que ele pegou emprestado para Alex — e morreu em desgraça. Minha mãe teve um colapso nervoso por causa da dor.

Enquanto cuidava da minha mãe, negligenciei minha própria saúde, apenas para ser diagnosticada com câncer terminal.

Voltando para minha cidade natal para morrer, encontrei Alex e Ísis novamente. Ísis, agora grávida do filho de Alex, zombou de mim.

"Seu pai me implorou para deixar o Alex em paz", disse ela, com um sorriso cruel no rosto. "Então eu o denunciei. Ele morreu por sua causa, Clarice. Foi você quem o matou."

Capítulo 1

O vento cortante castigava minha pele nua, uma recepção adequada à cidade que jurei nunca mais ver, especialmente não assim — morrendo.

O outono em Volta Redonda sempre pareceu uma provocação breve e cruel. Algumas semanas de vermelhos e dourados vibrantes, e então o cinza brutal descia, agarrando-se a tudo.

Não era apenas o vento, era o frio úmido que se infiltrava nos meus ossos, um frio que espelhava o que se espalhava dentro de mim. Cada respiração parecia inalar cacos de gelo.

Meus passos eram lentos, pesados, cada um uma luta contra a corrente invisível que me puxava de volta a um passado do qual tentei fugir. A tinta descascada do corrimão da varanda, a veneziana torta na janela do segundo andar — tudo estava exatamente como eu me lembrava. Esta casa, meu lar de infância, resistia ao tempo, um monumento silencioso ao que um dia foi.

Ela continuava sem ser vendida, não por qualquer esforço meu, mas porque Alex, de alguma forma, conseguiu mantê-la. Uma amarra estranha e distorcida que ele se recusava a cortar.

Minha mão instintivamente alcançou o tijolo solto perto da porta da frente, o lugar onde meu pai sempre escondia a chave reserva. Um hábito de uma vida inteira atrás.

Meus dedos encontraram argamassa fria e vazia. A chave não estava lá.

Um choque agudo e inesperado me atravessou, como uma queda súbita em um elevador. Era uma coisa estúpida, pequena, mas enviou um tremor através da muralha cuidadosamente construída ao redor do meu coração.

Então, uma presença atrás de mim. Eu não precisei me virar. O cheiro familiar, uma mistura de perfume caro e algo unicamente dele, já estava me sufocando.

Seu braço envolveu minha cintura, me puxando para perto. Perto demais. Minhas costas pressionaram contra seu peito, cada centímetro do meu corpo gritando em protesto.

Eu enrijeci, uma ordem silenciosa para que ele me soltasse. Quando ele não o fez, eu me virei, forçando-me a encará-lo. Seus olhos, o mesmo azul penetrante em que um dia me afoguei, estavam a centímetros dos meus.

"Clarice", ele sussurrou, sua voz um murmúrio grave. "Você parece... pálida. Você está bem?"

A preocupação em seu tom soava como uma língua estrangeira, uma zombaria cruel do que um dia fomos. Puxei minha mão de seu aperto, dando um passo para trás, colocando a maior distância possível entre nós sem correr.

Ele apenas ficou ali, me observando, seu olhar intenso, inabalável. Era o mesmo olhar que ele costumava me dar quando tentava decifrar meu próximo movimento, um olhar calculista de advogado.

Ele enfiou a mão no bolso do paletó, tirando lentamente algo pequeno e metálico.

Era o broche do sindicato do meu pai, aquele que ele usava todos os dias, um símbolo de seu orgulho e do trabalho de sua vida. A águia de latão gasta, a pequena faixa de esmalte desbotado.

"Você sempre esquecia isso", disse ele, a voz mais suave agora, quase nostálgica. Ele tentou pressioná-lo na minha palma.

Eu balancei a cabeça, meus lábios pressionados em uma linha fina.

"Não."

Minha voz era um sussurro rouco.

Sua mão vacilou.

"Você costumava usar, lembra? Para dar sorte, antes das provas, das reuniões importantes..."

Seu olhar caiu para o broche em sua mão, demorando-se na águia. Um lampejo de algo indecifrável cruzou seu rosto, rapidamente mascarado. Ele guardou o broche de volta no bolso.

"Você esqueceu suas chaves também?", ele perguntou, tentando soar casual, mas as bordas de sua voz estavam ásperas.

Eu assenti, sem confiar em mim mesma para falar.

"Eu posso te levar na loja", ele ofereceu, já se virando em direção ao seu carro, o andar familiar e confiante em seus passos. Ele sempre assumia o controle, sempre tinha um plano.

Uma risada silenciosa borbulhou na minha garganta. Me levar na loja? Como nos velhos tempos, quando éramos apenas crianças, cheios de sonhos tolos. Aquele Alex estava morto há muito tempo. Este homem era um estranho, envolto no fantasma de um amante.

Não somos nada além de estranhos agora.

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