
Amor Emaranhado do Destino
Capítulo 2
Ponto de vista de Scarlett:
No caminho até o restaurante, fiquei em silêncio e Charles também não fez questão de falar nada. Estávamos casados há três anos, mas agíamos como estranhos um com o outro.
E agora eu estava acompanhando meu marido para encontrar sua noiva.
O motorista parou em frente ao Rainbow Dream, um restaurante com três estrelas Michelin. Era o lugar mais luxuoso para se comer na cidade.
"Senhor Charles, a senhorita Rita o aguarda no segundo andar", o porteiro cumprimentou Charles. Aparentemente, meu marido era um cliente regular ali.
Segui Charles até o elevador.
"Tente parecer feliz ao ver Rita, está bem? Não faça cara feia", Charles pediu com frieza.
"Está bem", respondi, forçando um sorriso no rosto.
Logo entramos em uma sala privativa.
"Scarlett, há quanto tempo."
Fixei meu olhar em Rita, tentando desesperadamente parecer neutra diante da situação. Ela ainda parecia jovem e atraente. O rosto e a pele dela eram suaves como porcelana. Aquela mulher provavelmente gastou fortunas para manter uma boa aparência e cuidar do seu corpo.
Uma vez Charles comentou comigo que ela estava morrendo, mas não me convenci disso até porque ela parecia melhor do que eu.
"Sim. Há quanto tempo", comentei de volta, dando um sorriso apático.
"Você já superou a mudança de fuso horário? Como foi sua noite de sono?" O sorriso no rosto dela parecia sincero, como se não tivesse me ligado na noite passada para me provocar.
"Dormi bem, obrigada por perguntar", respondi.
O prato principal do restaurante hoje era bife. Charles estava cortando o de Rita para ela.
Nunca o tinha visto ser tão atencioso com outra pessoa.
"Charles me contou ontem à noite que você está saindo com alguém."
"Sim, é um pintor", imediatamente inventei uma história.
Assim que respondi, percebi que as mãos de Charles tremeram levemente.
"Você tem alguma foto dele?"
A curiosidade de Rita me pegou desprevenida. Olhei para Charles, mas ele não se virou para mim.
"Bem, não. Ainda não estamos oficialmente juntos. Não acho certo ter fotos dele no meu celular se não estamos namorando", expliquei, baixando a cabeça e focando novamente em cortar meu bife.
"Mas nem no Facebook dele tem fotos?", Rita insistiu.
"Imagino que sim. Vou procurar, só um minuto." Enquanto falava, puxei meu celular e pensei em qual dos meus colegas de classe escolheria para ser meu falso pretendente.
Pierre foi o primeiro que veio à minha cabeça. Era um dos meus melhores amigos.
Abri o Facebook dele e encontrei uma foto sua em frente à Torre Eiffel. O cabelo de Pierre era comprido e seu rosto jovial e bonito. Parecia mesmo um artista e era bem diferente de Charles.
Entreguei meu celular para Rita.
"Parece um garoto romântico de Paris. Fico muito feliz por você. Charles, parece que você é bem diferente do tipo de homem que Scarlett gosta." Depois de falar isso, Rita mostrou a foto de Pierre para ele.
Charles apenas olhou a tela de relance e grunhiu: "São um par perfeito."
"Ele está vindo para os Estados Unidos?" Rita indagou, entregando meu celular de volta.
"Ele ainda está na Europa, fazendo uma exposição em Lyon. A ideia dele é desenvolver sua carreira artística aqui nos Estados Unidos, portanto é bem possível que ele venha morar desse lado do mundo", falei, inventando mais mentiras.
"Você o ama?", Rita instigou.
Fiquei abalada com sua pergunta por um momento.
Depois de me recompor, falei: "É claro que sim." Procurei ao máximo manter a calma para não me entregar.
"Que maravilha. Parece que não precisamos nos preocupar com Scarlett, Charles. Vamos brindar pela felicidade de Scarlett e do seu parceiro especial", Rita declarou, levantando sua taça.
Charles também ergueu seu copo, mas sem demonstrar qualquer emoção.
"Scarlett, desejo a você e ao seu homem uma vida maravilhosa", Rita afirmou com um sorriso e o rosto transbordando felicidade. Mesmo sem conseguir ver nenhuma falha naquela fachada perfeita, eu sabia que por baixo daquele rosto angelical se escondia um monstro pavoroso.
"Obrigada. Desejo a você e a Charles uma vida maravilhosa também."
Todos nós brindamos e bebemos.
Quando pousei meu copo de volta na mesa, minha mão tremeu. Meu estômago se contorceu, enojado. Engoli de volta o vômito que queria sair pela minha garganta e torci para o almoço terminar logo. Não queria passar nem mais um minuto na mesma sala com aquela mulher presunçosa.
"Com licença. Preciso ir ao banheiro", murmurei, me levantando e saindo dali. Na verdade, não precisava usar o banheiro. Só queria respirar um pouco de ar fresco.
Quando voltei, Charles já estava ajudando Rita a vestir seu casaco de veludo.
"Rita não está se sentindo muito bem. Vou levá-la para casa. Volto para pegar você..."
"Não, não precisa. Está tudo bem, consigo voltar para casa sozinha."
Observei enquanto Charles a levava para fora do restaurante com o braço ao redor dos seus ombros. De repente, todos os músculos que haviam se tensionado no meu corpo relaxaram.
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