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Capa do romance Amor e Traição em Pães

Amor e Traição em Pães

Luana sacrificou sua luxuosa confeitaria e economias para salvar Pedro da falência, trabalhando exaustivamente em uma padaria humilde. No entanto, ela descobre que tudo foi uma farsa cruel: Pedro fingiu a ruína para que ela financiasse seus luxos e o casamento com a socialite Isabela. Humilhada e chamada de patética, Luana decide não desmoronar. Com o dinheiro que restou e uma sede implacável de justiça, ela usará sua força para fazer o traidor pagar pelo desprezo.
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Capítulo 2

"Quebrou? Como assim, Pedro?"

A voz de Luana saiu baixa, quase um sussurro. O barulho da batedeira profissional, que antes era música para seus ouvidos, agora parecia um ruído irritante no fundo da sua confeitaria chique, a "Doce Luana" .

Pedro estava na sua frente, o rosto bonito contorcido numa máscara de desespero. Ele segurava as mãos dela com força.

"Eu perdi tudo, Lu. Tudo. Um investimento que deu errado, meu pai me cortou, eu... eu não tenho mais nada."

Luana olhou para ele, para o homem que amava há três anos. O homem charmoso, de família rica, que parecia ter o mundo aos seus pés. Ela sentiu o coração apertar. Não de dúvida, mas de uma compaixão imensa.

"Calma, meu amor. Calma. Nós vamos dar um jeito. Você tem a mim."

Ela o abraçou, sentindo os ombros dele tensos. Não hesitou por um segundo. A confeitaria dela era um sucesso, ela tinha economias, um nome no mercado. Podia sustentá-los até ele se reerguer.

"Eu vou fechar a loja por um tempo" , ela disse, com a decisão se formando rapidamente em sua mente. "Vou pegar todo o dinheiro que guardei. A gente pode recomeçar. Abrir algo menor, mais simples. Uma padaria de bairro, talvez? Até você resolver suas coisas."

Pedro a olhou, os olhos brilhando.

"Você faria isso por mim, Luana?"

"É claro que eu faria" , ela respondeu, beijando o rosto dele. "A gente está junto nisso."

Em menos de um mês, a "Doce Luana" , com suas vitrines elegantes e doces finos, fechou as portas. Luana liquidou o estoque, encerrou contratos e juntou cada centavo que tinha. Ela entregou tudo para Pedro.

Eles alugaram um pequeno ponto num bairro operário, um lugar que cheirava a graxa e a comida barata. A nova vida de Luana começava antes do sol nascer.

O cheiro agora não era de baunilha francesa e chocolate belga, mas de fermento e farinha barata. Suas mãos, antes acostumadas com a delicadeza de um macaron, agora estavam ásperas e doloridas de sovar pão de sal. O calor do forno industrial era implacável, grudando o cabelo em seu rosto suado.

Ela trabalhava dezesseis horas por dia. Pedro "ajudava" , mas passava a maior parte do tempo no celular, supostamente tentando resolver seus "negócios falidos" . Luana não reclamava. Ela amassava, assava, limpava o chão, atendia no balcão. Via o cansaço no espelho, as olheiras fundas, as unhas quebradas. Mas via também o dinheiro entrando.

A padaria, com seus pães quentinhos e o sorriso cansado mas genuíno de Luana, começou a fazer sucesso no bairro. As pessoas gostavam dela. Em seis meses, a caixa registradora estava sempre cheia no fim do dia. Ela guardava todo o dinheiro numa caixa de sapatos debaixo da cama do pequeno apartamento que dividiam.

Era para o futuro deles. Para quando Pedro se reerguesse.

Numa terça-feira chuvosa, o movimento estava fraco. Luana estava limpando o balcão quando a porta dos fundos, que dava para um beco, se abriu. Pedro entrou, rindo ao telefone. Ele não a viu ali.

"Cara, você não acredita. A padaria está bombando. A 'padeira' aqui leva jeito pra coisa."

Luana parou, o pano sujo na mão. A voz era de Pedro, mas o tom era diferente. Zombeteiro.

Ela se escondeu atrás de uma prateleira de pães, o coração começando a bater de um jeito estranho.

A voz do outro lado da linha era alta o suficiente para ela ouvir. Era Gustavo, o melhor amigo de Pedro.

"E aí? Ela já juntou quanto nessa brincadeira de pobre?"

Pedro soltou uma gargalhada.

"Quase duzentos mil. A idiota guarda tudo numa caixa de sapatos. Acha que é pra 'nossa padaria dos sonhos' ."

Luana sentiu o ar faltar. Padeira? Idiota? Caixa de sapatos?

O que estava acontecendo?

"Duzentos mil? Porra, Pedro! Isso paga a entrada do carro novo da Isabela. Você é um gênio, cara. Fazer a confeiteirazinha de luxo virar padeira de bairro pra bancar sua vida... épico."

O nome "Isabela" caiu como uma pedra no estômago de Luana. Isabela era a socialite com quem Pedro dizia que não tinha mais contato.

Pedro continuou, a voz pingando desprezo.

"Qual é, Gustavo. Eu precisava desse dinheiro. E foi divertido, vai. Ver a princesinha toda orgulhosa das mãos cheias de calos, cheirando a fermento... Ela realmente acreditou que eu tinha falido. Que eu, Pedro Alcântara, ia acabar meus dias vendendo pão de sal num muquifo desses."

Ele cuspiu no chão do beco.

"Ela é tão patética. Tão... comum. Mas tenho que admitir, o dinheiro que essa 'padeira' faz tem um cheiro ótimo."

A risada dos dois homens ecoou pelo beco. Para Luana, soou como o barulho de seu mundo se partindo em mil pedaços. Ela ficou paralisada, o pano caindo de sua mão no chão sujo de farinha.

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