
AMOR e GUERRA
Capítulo 2
Lua sempre foi uma menina doce, criada sob a vigilância de seu pai, que a via como sua princesa. A mãe, por sua vez, esperava que ela sempre desse orgulho à família. Apesar de nunca terem sido pobres, depois dos vícios em jogos do pai, perderam muito dinheiro.
Foi então que o pai de Lua soube por um amigo que ele poderia casar seu neto, Luca, com Lua. Segundo o amigo, a união seria benéfica para ambas as famílias: Lua teria proteção e segurança, e Luca sentiria a pressão que só uma esposa pode dar a um homem.
— Meu amigo acha que eles aceitarão? — perguntou o pai de Lua.
— Sei que Luca não se oporá, já que espera há muito tempo assumir a diretoria. Agora, você só precisa convencer sua linda filha, e tudo ficará bem.
— Lua, minha filha, preciso que assine esses papéis — disse o pai, entregando o contrato.
— Do que se trata, papai? — perguntou Lua, curiosa.
— Assine e eu te explico depois. Esse contrato vai garantir as mensalidades da faculdade todos os meses.
— Mesmo, papai? — Lua, ansiosa, assinou todas as páginas sem questionar. Quando terminou, o pai pegou o contrato e se afastou. Lua achou normal; afinal, ele era muito ocupado.
Mais tarde, enquanto Lua seguia estudando, inquieta pelo mistério do contrato, seu pai, sua mãe e dois homens a esperavam em casa. Ela cumprimentou todos, mas quando viu o homem mais jovem, ficou tímida. Ele a devorava com os olhos.
— Lua, não suba ainda. Queremos falar sobre o contrato que você assinou hoje cedo — disse o pai, interrompendo seus pensamentos.
Lua olhou para ele, desceu curiosa e se aproximou.
— Bom, senhor… Luca pagará sua faculdade em troca… — começou o pai.
— Em troca? Vou trabalhar para ele? — interrompeu Lua.
— Na verdade, filha, em troca você se casará com ele.
O silêncio que se seguiu foi tão intenso que só se ouvia a respiração de Lua.
— Casar, papai? — murmurou, incrédula.
— Sim. Você vai se casar com ele. Assim todos viveremos bem, conseguirei reerguer a empresa… tudo ficará bem — explicou o pai. Lua percebeu que não era brincadeira e sentou-se, tentando processar a situação.
— Então o senhor me vendeu, papai? — perguntou, chocada.
Luca se aproximou, quebrando o silêncio:
— Lua, eu sou Luca. Também não escolhi esse casamento, mas podemos tentar nos conhecer.
Lua levantou os olhos, cheios de lágrimas, e respondeu:
— Casar? Eu não vou me casar com um desconhecido. Não vou!
Luca a observou com atenção. Ele não buscava um casamento, mas percebeu que a noiva era perfeita: cabelos pretos longos, pele branca, olhos azuis.
— E o que você ganha com isso? — perguntou Lua, desconfiada.
— Não diz respeito a você, Lua… — respondeu Luca.
Lua saiu para o jardim, tentando se acalmar. Sem perceber, Luca a seguiu e ouviu sua ligação:
— Matias, precisamos nos ver… meu pai acabou de decidir meu futuro. Se você me ama, precisamos fugir. Vamos nos encontrar no Bar 198 hoje às 19h? — disse Lua, ansiosa.
Luca anotou o endereço mentalmente, curioso para conhecer o tal Matias, que se tornaria seu “concorrente”.
Mais tarde, Lua vestiu um longo vestido preto e um scarpin, soltou os cabelos e foi até o bar encontrar Matias.
— Então quer dizer que a minha noiva já tem namorado? — murmurou Luca, ao telefone com Gean. — Precisarei conhecer esse sujeito e tirá-lo do meu caminho… para garantir a herança.
Chegando ao bar, Luca viu Lua sentada com Matias, um homem um pouco mais velho. Eles conversavam, e Lua parecia nervosa. Matias, com intenções suspeitas, colocou algo no copo dela.
— Calma, Lua. Tome sua água — disse Matias, tentando disfarçar.
Luca observava, irritado e preocupado. Gean alertou:
— Luca, ele a dopou. Devemos interferir?
— Não. Vamos ver até onde esse miserável quer ir — respondeu Luca, firme.
Quando Lua começou a se sentir zonza, Matias tentou levá-la a um quarto, mas ela resistiu:
— Não, Matias! Quero ir para casa! Todos aqui são muito pervertidos! — choramingou Lua.
Luca entrou rapidamente, dando dois socos em Matias, enquanto Gean ajudava a contê-lo. Ele pegou Lua em seus braços, que tremia e chorava, ainda sob efeito da droga.
— Sou eu, pequena… seu noivo — disse Luca, olhando-a nos olhos. Lua se acalmou imediatamente, aliviada.
No caminho de volta, Lua começou a se sentir perturbada pelo perfume de Luca e chegou a encostar o rosto nele. Ele afastou-se:
— Não posso, Lua. Você está drogada. Amanhã se arrependerá se fizermos qualquer coisa.
Ela implorou, mas Luca manteve a calma. Gean deu água para Lua, e ela finalmente se acalmou.
— Lua, vamos levá-la para minha casa. Amanhã, quando estiver bem, você volta para a sua — disse Luca, com firmeza e cuidado.
Chegando em casa, Luca subiu com Lua, ainda nos braços, chamando Milla. Ela ficou surpresa ao vê-la, mas ajudou Luca a colocá-la em segurança. Lurdes preparou uma banheira com água fria para ajudar Lua a se recuperar.
— Assim que terminarem, me chamem, por favor — disse Luca, preocupado. — Não vou permitir que nada de ruim aconteça com ela.
Lua finalmente começou a reagir, respirando melhor, enquanto Luca permanecia atento, cuidando de cada detalhe. Ele percebeu que Milla estava certa: Lua realmente tinha algo especial que traria a pressão e a emoção que ele precisava em sua vida.
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