
Amor Desfeito, Vida Recomeça
Capítulo 3
A história de nós três era antiga.
Eu conhecia Pedro desde que éramos crianças. Ele era o garoto popular, o capitão do time de futebol, o sonho de todas as garotas da escola. E eu era a vizinha quieta, a garota que o amava em segredo de longe.
Mas ele nunca me notou. Seus olhos sempre foram para Clara.
Clara era a líder de torcida, linda, vibrante e cheia de vida. Eles eram o casal perfeito, o rei e a rainha do baile.
Eu assisti ao romance deles florescer, meu coração se partindo um pouco a cada vez que os via juntos. Eu era apenas uma amiga da família, a garota que a mãe de Pedro adorava, mas para ele, eu era invisível.
Quando Pedro finalmente me levou ao hospital naquela noite, depois de ter deixado Clara confortavelmente instalada em sua casa, ele me encontrou sentada na sala de espera, pálida e exausta.
Clara estava sentada ao meu lado, o pé apoiado em uma cadeira, com uma expressão de dor ensaiada.
"Sofia, o que você está fazendo aqui?", Pedro perguntou, a surpresa em sua voz misturada com irritação.
"Eu não estava me sentindo bem", eu disse, a voz baixa.
Clara olhou para mim, um sorriso de escárnio mal disfarçado em seus lábios.
"Ah, querida, você sempre foi tão frágil. Não se preocupe, Pedro está aqui agora. Ele cuidará de nós duas."
O "nós duas" soou como um tapa na minha cara.
Eu a ignorei e olhei para Pedro. "Podemos ir para casa?"
"Ainda não", disse Pedro, seu foco totalmente em Clara. "O médico ainda não viu a Clara. O tornozelo dela está muito ruim."
Ele se sentou ao lado dela, pegando sua mão.
"Como você está se sentindo, Cla?"
"Dói muito, Pedro. Acho que quebrou."
A voz dela era um sussurro choroso, o tipo de voz que sempre conseguia tudo o que queria dele.
Ele acariciou a mão dela. "Não se preocupe, eu estou aqui. Não vou a lugar nenhum."
Ele nem olhou para mim.
Eu me senti como uma intrusa, uma espectadora indesejada em seu momento privado. A raiva começou a borbulhar dentro de mim, quente e amarga.
"Pedro", eu disse, a voz mais firme agora. "Eu preciso ir para casa. Eu não estou bem."
Ele finalmente se virou para mim, o rosto uma máscara de impaciência.
"Sofia, por favor. Você não pode esperar um pouco? Clara precisa de mim."
"E eu não preciso?", a pergunta escapou antes que eu pudesse contê-la.
Ele suspirou, exasperado. "Não comece, Sofia. Não hoje."
Naquele momento, um médico chamou o nome de Clara.
Pedro se levantou imediatamente, ajudando-a a se levantar com um cuidado exagerado.
"Eu vou com você", ele disse a ela.
Ele se virou para mim, a expressão dura. "Espere aqui. E, por favor, tente não causar uma cena."
Eles se afastaram, Pedro amparando Clara, suas cabeças juntas em confidência.
Eu fiquei ali, sozinha de novo, a humilhação queimando meu rosto.
Ele me acusou de causar uma cena. Ele me tratou como uma criança mimada.
Eu não conseguia mais suportar.
Levantei-me, minhas pernas tremendo, e caminhei em direção à saída.
Eu não olhei para trás.
Peguei um táxi e, durante todo o caminho para casa, as lágrimas que eu segurei por tanto tempo finalmente caíram, silenciosas e quentes.
Eu chorei pela perda do meu casamento.
Chorei pelo meu amor não correspondido.
E chorei pelo futuro incerto que me aguardava, a mim e ao meu filho.
Quando cheguei ao apartamento vazio, a decisão estava tomada, cravada em meu coração como uma pedra.
Não havia mais volta.
Eu não ia mais esperar por um homem que nunca me amou de verdade.
Eu não ia mais ser a segunda opção.
Fui até nosso quarto, peguei uma mala e comecei a arrumar minhas coisas.
Cada peça de roupa, cada livro, cada objeto era uma lembrança de uma vida que não era mais minha.
Eu deixei para trás as fotos, os presentes, tudo o que me lembrava dele.
Eu só levei o que era meu, o que definia quem eu era antes dele.
Antes de me tornar a Sra. Sofia, a esposa de Pedro.
Eu estava me tornando Sofia de novo.
Designer de moda. Sonhadora. Futura mãe.
Uma mulher que merecia mais.
Deixei a aliança de casamento na mesa de cabeceira, ao lado de um bilhete simples.
"Acabou, Pedro. Estou pedindo o divórcio."
Não havia mais nada a ser dito.
Saí do apartamento e fechei a porta atrás de mim, um som final e definitivo.
Eu não sabia para onde estava indo, mas sabia que estava indo na direção certa.
Longe dele.
Em direção a mim mesma.
---
Você pode gostar





