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Capa do romance Amor Descartável: O Preço da Traição

Amor Descartável: O Preço da Traição

Cansado de ser o marido de fachada, vi Ana partir novamente para os braços de Lucas. Em meio ao desprezo, ela assinou o divórcio pensando ser apenas burocracia de nosso bistrô. Humilhado e descartado como lixo pelo amante com o aval dela, decidi colocar um fim ao ciclo de submissão. Eles me viam como um ninguém, mas meu segredo mudará tudo. O jogo virou e a revelação do meu verdadeiro poder mostrará que nunca fui o elo fraco dessa relação tóxica.
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Capítulo 2

A mala de Ana estava aberta na cama, de novo.

Pela terceira vez este mês.

Eu observei da porta do quarto, com os braços cruzados, enquanto ela jogava roupas lá dentro sem o menor cuidado, um amontoado de seda e algodão caros.

Ela não se preocupava em dobrar nada.

Ela nunca se preocupava.

A urgência dela era sempre a mesma, uma febre que tomava conta dela toda vez que o telefone tocava e a voz dele soava do outro lado da linha.

Lucas.

O nome dele era um gosto amargo na minha boca.

Ele era o músico de bossa nova, o artista carismático com a alma supostamente livre, e Ana era a sua fã mais devota.

Ela o seguia para onde quer que ele fosse, não importava a cidade, não importava o compromisso que ela estivesse abandonando.

Desta vez, era um show de última hora em Paraty.

Ela me contou isso sem nem me olhar nos olhos, o celular ainda pressionado contra a orelha, um sorriso bobo no rosto.

"Pedro, querido, preciso que você cuide de tudo no bistrô hoje à noite, ok? Lucas tem uma apresentação surpresa, e eu não posso perder."

Eu não disse nada, apenas continuei observando.

O bistrô, "Sabor & Memória", era nosso.

Mais meu do que nosso, na verdade.

Eu era o chef, a alma da cozinha.

A família dela entrou com o dinheiro, e eu entrei com o talento e os anos de trabalho duro.

Era um negócio de família, um que eu construí com o pai dela, que me respeitava como profissional.

Ana era apenas a herdeira, a bela anfitriã que flutuava pelo salão com um sorriso ensaiado.

Hoje à noite era uma das noites mais movimentadas do ano, a reserva de uma grande empresa para um jantar de gala.

Ela sabia disso.

Ela não se importava.

"Ana", eu disse, minha voz soando mais cansada do que eu pretendia.

Ela finalmente me olhou, a impaciência clara em seus olhos.

"O que foi, Pedro? Estou com pressa."

Eu caminhei até a escrivaninha e peguei uma pasta de papel.

Dentro, havia alguns documentos.

"Antes de ir", eu disse calmamente, "preciso que você assine isto."

Ela franziu a testa, pegando a caneta que eu ofereci.

"O que é isso? Outro contrato de fornecedor?"

"Algo assim", eu menti.

Ela nem se deu ao trabalho de ler.

Passou os olhos por cima da primeira página, viu o logotipo do nosso escritório de advocacia e rabiscou a assinatura dela no local indicado.

Ela fez isso com a mesma displicência com que jogava as roupas na mala.

Um ato trivial, mais um obstáculo insignificante em seu caminho para Lucas.

Ela me devolveu a pasta.

"Pronto. Agora, se me dá licença, meu táxi está chegando."

Ela passou por mim, deixando um rastro de seu perfume caro no ar.

Um perfume que eu tinha dado a ela no nosso aniversário de casamento, dois meses atrás.

Ela provavelmente nem se lembrava.

Eu fiquei ali, parado no meio do quarto, segurando os papéis do nosso divórcio devidamente assinados.

Eu era o marido de fachada.

O genro perfeito para a família dela, um chef respeitado que trazia prestígio ao nome deles.

Um homem estável e confiável que cuidava de tudo para que Ana pudesse viver sua fantasia romântica sem consequências.

A família dela sabia?

Provavelmente.

Mas eles fechavam os olhos.

Contanto que o casamento parecesse intacto para a sociedade, contanto que o bistrô continuasse a prosperar sob meu comando, as escapadas de Ana eram um segredo aberto que todos concordavam em ignorar.

Especialmente eu.

Lucas tinha esse padrão.

Ele aparecia, encantava Ana, a levava para seu mundo boêmio de noites sem fim e promessas vazias, e depois desaparecia.

Ele se cansava, ou encontrava outra musa, e a dispensava com uma crueldade casual.

E era para mim que ela voltava.

Chorando, arrasada, jurando que tinha sido a última vez.

Eu a consolava, a perdoava, e a vida voltava ao normal.

Até o próximo telefonema dele.

Um ciclo de humilhação que eu aceitei por tempo demais.

Eu me lembrava do dia em que se conheceram.

Foi no nosso bistrô.

Ele estava tocando no bar, um favor para um amigo em comum.

Ana ficou hipnotizada.

Ela nunca tinha olhado para mim daquele jeito.

Naquela noite, eu não era o marido dela, o homem com quem ela compartilhava uma vida.

Eu me tornei o obstáculo.

O vilão silencioso na história de amor deles.

Eu ouvi a porta da frente bater.

O som ecoou pela casa silenciosa.

Olhei para os papéis em minha mão.

Desta vez, não haveria volta.

Desta vez, quando ela voltasse, não me encontraria esperando.

O ciclo tinha que ser quebrado.

E eu era o único que poderia fazer isso.

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