
Amor de Coração
Capítulo 3
- Você conhece essa mulher? - Leonardo mostrou o celular do outro lado da mesa na grande sala do sócio. Ele tinha ficado a tarde inteira pensando como falaria para o amigo o que tinha ouvido mais cedo, porque sabia, certamente, que Gustavo se defenderia.
O amigo desviou sua visão da tela e olhou rápido para o celular de Leonardo, voltando a tela e depois voltando ao celular, e dessa vez o pegando da mão do amigo - Ah lembro, uma garota que conheci em Petrópolis, uns dois meses atrás. - Ele entregou o celular para Leonardo e voltou para o computador, mas logo o olhou de novo - Perai, como você tem a foto dela?
- Ela ligou aqui hoje mais cedo, procurando você.
Gustavo sorriu, presunçoso - Elas não se cansam de mim.
- Ela ta grávida.
Gustavo soltou uma risada - Até parece... inventando algo assim pra chamar atenção.
- Eu disse que se fosse mentira iria processa-la e ela disse que não tava inventando.
- E você acreditou?
- Gustavo, ela parecia bem abalada, disse que queria apenas te contar,e eu prometi que contaria.
- Até parece que esse filho é meu Leo... fiquei com a garota em uma festa qualquer, nem me lembro direito.
- Então não se lembra se usou camisinha ou não? - Leonardo o observou e Gustavo ficou em silêncio - Mas que merda hein? E se ao invés de um filho vocês pegassem uma doença?
- Eu tava muito bêbado, não me lembro de muita coisa...
Leonardo suspirou - Você precisa falar com ela...
- Eu não vou falar com ele!
- Sério Gustavo? Imagina o escândalo que ia ser se ela fosse pra imprensa...E se ela conseguir um exame de dna na justiça e for provado que você é o pai e que você não deu assistencia...
- Credo Leo, você fala como se eu fosse um canalha, se o filho for meu claro que vou dar todo suporte possível, mas eu tenho certeza que não é.
Leonardo suspirou - Então fale com ela, chame pra fazer um exame, pra colocar tudo em panos limpos, além da sua reputação temos a da empresa, e eu sou meio dono dela, então, como amigo eu to te pedindo - ele disse se levantando - mas como sócio eu to mandando. - e saiu da sala.
~
A noite, Heloisa estava sentada em seu apartamento, olhando para a televisão ligada sem realmente prestar atenção. Não tinha ido trabalhar pois tinha ficado muito nervosa com o exame, e depois do resultado tinha ficado ainda mais ansiosa.Ficava pensando no cara que tinha atendido seu telefonema, se era alguém de confiança, que iria mesmo falar a Gustavo. Ela realmente não queria nada dele, Heloisa tinha uma renda boa, e tinha juntado um bom dinheiro, era um fotógrafo conhecido em Petrópolis, tinha vários trabalhos,ele só queria que Gustavo soubesse, afinal era um filho dele no mundo, mas respeitaria se ele não quisesse se envolver. Havia amor o suficiente em Heloisa pelos dois.
E sim, Heloisa já estava apaixonada pelo filho que nem aparecia em seu corpo ainda.Prova disso era a caixinha que estava ao seu lado no sofá. Tinha ficado tão emocionada deppis de ter desligado o telefone que, andando no centro da cidade, não resistiu e comprou a primeira coisa que viu. Um sapatinho de bebê.
A mão estava pousada em sua barriga sem ela nem perceber, e sua cabeça estava congelada - nada passava nela. Ela não sabia o que pensar na verdade. Ela pensava que ia casar primeiro, achar um amor, noivar, e então engravidar... não assim do nada...Mas ela sabia que a criança não tinha culpa então não ia colocar um peso nela. Ia amar e dar seu melhor.
Estava tão absorta em suas reflexões que o celular vibrando a assustou. Na tela tinha um número desconhecido e sua barriga gelou ao imaginar quem era.Mas então respirou fundo, não ia deixar um homem a amedrontar, e atendeu o celular. - Alo?
"Heloisa Santos? Aqui é Gustavo Afonso" - e por incrivel que pareça, ela se lembrou de sua voz "Fiquei sabendo que me procurou hoje, como você esta?"
- Eu estou bem, apesar das circunstâncias... - ela disse mexendo na barra da camiseta.
"Então você confirma o que disse ao meu amigo?"
- Eu sei que nós não tivemos tempo de nos conhecermos naquela noite, e eu nem me lembro da maioria dela,mas eu não te procuraria se não tivesse a confirmação.
"E você tem certeza que é meu?" - Heloisa bufou ao telefone "Desculpe, mas você precisa entender minha dúvida..."
- Claro que tenho Gustavo Afonso.
"Então você não se importaria de vir até aqui para fazermos um teste de dna?"
- Não, não me importaria - ela disse respirando fundo - Mas porque eu tenho que ir? Porque você não vem?
Gustavo riu baixinho "Porque é você quem esta falando que eu sou o pai, e porque se der positivo aqui eu posso te dar toda assistencia que precisa..."
- Eu não quero nada seu Gustavo - Heloisa o interrompeu - Eu só queria que soubesse que vai ter um filho seu no mundo, mas não quero seu dinheiro, nem nada do tipo...
"Heloisa, se esse filho for meu ele vai ser filho de um dos mais ricos empresarios do Rio, e eu vou assumir sim,e dar tudo que ele precisa, você não pode me impedir de fazer isso pelo meu filho"
Heloisa fechou os olhos, Gustavo tinha razão - Eu vou ver o preço das passagens e te aviso.
"Eu compro pra você, só me mande seus dados"
- Não, eu tenho dinheiro pra comprar, você paga o exame.
Um silêncio se fez do outro lado "Certo, guarde esse número, é o meu, me avise quando tiver tudo certo."
- Ok.
"Boa noite Heloisa, e qualquer coisa me avise."
- Boa noite. - ela disse e desligou, jogando a cabeça pra trás. Até que não tinha sido muito ruim.
Ela procurou passagens e conseguiu uma para dois dias dali. Queria resolver aquilo logo, só não tinha comprado para o outro dia pois queria ir ao médico e ver como estava tudo.
Na consulta ela ficou sabendo que estava mesmo com 8 semanas, a médica a liberou para ir ao Rio,por ser uma viagem curta, e ela saiu de lá realmente entendendo que seria mãe. Ele seria mãe! E estava transbordando de felicidade.
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