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Capa do romance Amor Bandido .

Amor Bandido .

Rodrigo mergulhou no crime ainda jovem por falta de opções, carregando o fuzil e o ódio de um passado difícil. Marcado pelo trauma familiar, ele teme se apaixonar até que o destino o cruza com Jéssica. Criada sob rígidos valores evangélicos, ela é uma mulher de paz e coração generoso que acredita na mudança. Diante desse encontro improvável entre mundos opostos, Rodrigo precisará enfrentar seus medos internos e decidir se aceita o amor como sua única salvação.
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Capítulo 2

Jéssica

– Entra, a porta está aberta, senhor não sou digno, mas vim te adorar. Entra, a porta está aberta, quero que comigo venhas cear. Entra senhor, Jesus, em meu coração, vem inudar meu ser com tua presença, quero sentir o amor que nunca tive, porque não quero ser igual, quando amanhecer...- finalizei o canto abrindo um sorriso.

Falar sobre Jesus é algo tão bom, é algo que faz nossos corações saber o quanto precisamos dele, eu sigo, eu sou, eu louvo, eu adoro! Mas eu entendo que cada um tem sua escolha em relação a religião!

Alan: Sempre dei sentido pra essa sua voz.- sorri simpática com ele ao meu encontro.- Linda como a própria dona...

- Obrigada!- ele retribuiu o sorriso.

Alan é o tipo rapaz certinho aos olhos de qualquer um, porém, eu não acho isso tudo... Desde quando ficava com ele eu conhecia algumas reações estranha dele, mas nunca sentei pra conversa.

Alan: Será que não dá pra nós marca de se ver... Hoje mais tarde? Levo você pra tomar um açaí.

- Eu... Tudo bem.- engoli em seco.

Alan: Vou aguarda.- assenti acompanhando para a saída.

Comecei a caminhar a ladeira em passos largos pra chegar logo em casa.

— A crentona do cú quente.- engoli em seco olhando baixo.

Mulher é digna pra ouvir piadinhas sem graça de homem, eu tenho ódio de qualquer ser humano assim. Olhei de lado pra um rapaz que me encarava sério e com um cigarro sobre suas mãos, serrei os olhos e voltei meu olhar pra frente, mas continuei com a sensação de ser observada ainda.

Complexo da pedreira é cheia de homem assim, sujo.

Caminhei devagar até o escadão e subi para casa...

(...)

Marcos: Já falei pra tú parar de seguir isso!- falou alto.

Jasmim: Blá... Blá...

Joana: Jasmim, respeita!

Eu convivo isso dentro de casa pelo meu pai pastor e minha irmã da religião candomblé.

Dentro da nossa igreja é várias palavras bonitas do meu pai por ser pastor, vai de qualquer uma religião, as escolhas de cada uma da suas filhas, mas dentro de casa ele é não tudo isso, tem preconceito com tudo. Não aceita de modo algum nós tocar em assuntos de outras religiões, bebidas e homens.

Eu não concordo com isso, pois nossa religião é algo maravilhoso, assim como qualquer outra, todos merecem respeito.

Sou a certinha da minha família, aquela que nunca deu decepção e segue todos culto, talvez mesmo apenas por medo de ser negada por meus pais que são persistente na religião.

Alan: Foi tão complicado sair de casa?

– Sim... Discutindo novamente sobre religião.- neguei.

Alan: Você está bem?- assenti pegando meu açaí.- Conversei esses dias com mãe... Ela mesmo disse que eu sou um bom rapaz pra namorar você.- olhei pro açaí sentindo sua mão em meu rosto.

- Eu...eu... - tentei tirar sua mão, apenas senti seu rosto se aproximando enquanto ele levantava meu maxilar.

Alan: Faz tanto tempo que não ficamos, vamos matar essa saudade.- seus lábios foram até os meus beijando rápido, eu tentava parar não retribuindo, assim que forcei seu peito senti sua mão descer pela minha cintura e deslizar até minha bunda.

– Eu não quero.- o empurrei assustada.- As coisas não são assim...

Alan: Desculpa, achei que queria.

- Eu... Não quero, não agora.- murmurei.

Alan: Me desculpa!

– Tudo bem.- voltei minha atenção para o açaí dando um giro na cadeira e me indiretando.

Olhei para o outro lado da barraca do açaí encarando um rapaz que mantinha seu olhar na minha direção, ele estava com uma bermuda, camiseta no ombro que deixava a mostra uma arma em sua cintura, arquiei a sobrancelha lembrando do seu rosto de mais cedo, porém, dessa vez estava sozinho com a cara de mau intenção, sério.

Desviei meu olhar terminando o açaí.

Alan: Você conhece aquele rapaz?- neguei séria.- Não para de me encarar... e olhar pra cá.

– Nunca vi...

Alan: Sei bem... Tá se envolvendo com traficante?- olhei rápido pra ele.

– Não!

Alan: Jéssica, pessoas assim não querem nosso bem... bandido é ruim.

– Eu nem o conheço, cara...- bufei.

Alan: Tá legal, vou pagar...- assenti levantando e jogando o copo no lixo, olhava baixo todo momento, apenas esperando Alan.

Nunca me envolvi em nenhum tipo desses traficantes em questão de saber o quanto eles são ruins mesmo, sempre quando vejo um eu me afasto, ainda mais quando eles ficam se ostentando pela favela.

Guerreiro

A cada dia nisso aqui é um menor mais emocionado que o outro, parcero, eu já fui como um desses menor que quer pagar tudo na emoção, maneiro.

Já passei do tempo que me emocionava apenas com um radinho na cintura e pentão reserva, papo reto.

Me sentia o rei disso tudo e na verdade não era porra nenhuma. Primeira vez é foda no bagulho.

– Desenrola o papo!

Xxx: Pô, eu preciso de dois daquele pino.

– Quantos anos tú tem, menor.

Xxx: Doze...- tirei logo fazendo ele estender a mão com dinheiro.- Já sou cliente.

– Da morte também tú já é cliente.- mandei serinho contando o dinheiro e voltado o troco.

Aqui não tem essa de idade, vai de menor até o mais velho, pediu é pra vender, parcero.

A vida é essa mermo, vários menor trilhando essa linha, se deixando levar por algo de momento, a maioria é por incentivo de parceiros que se dizem ser amigos, digo por experiência própria.

Manda papo que é amigos, mas na real quando tú mais precisar vão negar voz, meu único amigo rodou pro asfalto, queria tanto ser um dos gambé que fez vários concurso e até hoje nunca mais voltou.

Ele mesmo me incentivou a entrar nessa vida, tinha mais condição na vida, já eu me fodi.

Patatá: Precisamos de lazer, tem uma parceira minha elaborando um churrasco na laje, vou brotar...- joguei os pacotes da maconha dentro da mochila, calado.- Coé, vamos brotar!

– Não tô afim.

Patatá: Colfoi, tú só fica ai, precisa de uma piranha pra te satisfazer, bebida e ouro.- riu debochado.- Precisa de mais que isso?

– Brota tú, já mandei que não tô afim.- murmurei colocando a mochila na costas.

Patatá: Tú é amarelão mermo, não brota em lugar nenhum, faz quanto tempo que não transa?

– Pergunta pra tua mãe que ela vai saber te responder...

Patatá: Se liga nesse teu papo.- apontou o dedo.- Mas a tua mãe é mais gostosa, coroa gostosona pra caralho.

– Aproveita que ela está solteira.- mandei um legal saindo, escutei ele resmungar algo que me fez revirar os olhos.

Puxei a chave da moto do bolso, subi na mesma ligando em seguida e dei pinote logo pro barraco antigo da minha mãe, desenrolar um papo sério.

Assim que parei entrei encarei Rafaela no sofá.

Rafaela: Quem é vivo sempre aparece...

– Cadê tua mãe?

Cíntia: "Tua mãe" um caralho, sou tua mãe também, porra.- mudei meu olhar pra cara dela.

– Tô sabendo da tua descendo o asfalto todo dia...

Cíntia: Quando tú aderir a palavra educação, vem conversa com tua mãe!- deu as costas indo pra cozinha, apenas fui atrás.- Mas fala aê, tú está me observando desde quando?

– Desde quando tua filha falou que tú não para em casa.- meti serinho olhando pra cara dela.

Cíntia: Tú é igualzinho seu pai mesmo...- riu dechada.- Fala essa mochila aí é de drogas né?- negou séria. - Vai acabar igual seu pai, na cadeia!

– Vai começar com o mesmo papo? Se liga nessas paradas, pesa na minha não...

Rafaela: Qual foi, vocês dois não cansa de brigar não? Que merda!- suspirei.

– Apenas vim mandar o papo de ficar de mente aberta com essas tuas descidas pro asfalto...- falei dando as costas.

Cíntia: Relaxa, meu futuro bofe é de boa.- engoli em seco sem dar papo.

Ela tem que saber com ela vai se envolver, parcero, aqui é facção e não tem essa de perdão em relação a macho de mulher de favela.

(...)

_______________

'WhatsApp'

Patatá:Brota no churras,vai está quente.

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Marcela:Churras hoje?

_____

Simone: Teu parceiro te quer no churras na minha laje, te aguardo!

__________

– Que porra.- murmuro indo até o banheiro ligando o chuveiro e tirando minha bermuda junto com a boxer.

Aproveitei pra pensar várias fitas debaixo daquela água fria, foi papo de um banho de meia hora.

Me enxuguei e passei a toalha na cintura saindo do banheiro, vesti uma boxer, bermuda tactel, camiseta e um boné enterrado no rosto deixando meu rosto mais sério, levei a peça na cintura jogando um perfume.

Me olhei no espelho encarando meu próprio rosto, olheiras, maxilar travado e um olhar frio, fechei o pulso pra desferir um murro no espelho, mas parei em cima suspirando fundo.

– Caralho, de novo não, Rodrigo.- Me disviei pegando a chave da moto.

Desci naquela de sem ânimo algum, vou pra esse churrasco afim de beber apenas, com saco pra nada, parcero.

Subi na moto puxando pra goma da Simone, estacionei a moto desligando e ativando o alarme.

Marcela: Todo gostoso.- mordeu os lábios chegando de canto.

– Eu ou a grana?- ironizei.

Marcela: Sabe que os dois.- sorriu safada dando as costas, desci meu olhar pra sua bunda.- Não quer pegar?

– Não tô afim.- revirei os olhos passando na frente dela pra entrar na goma.

Marcela: Qual foi, sabe que tô afim...- caminhou do meu lado subindo a escada pra laje do meu lado.

– Chatona pra caralho...

Patatá: Sabia que é tú ia brotar.- fiz um legal pra ele dando um giro com o olhar.

– Porra...- sussurrei forçando minha visão sobre aquela mina.

Patatá: Agora tô ligado... A crente.- puxei a cadeira sentando do lado dele.

– Coé, crente brota nisso?- tirei meu cigarro acendendo.

Patatá: Olha pra cara dela, como se ela quisesse estar aqui... Com certeza veio puxada pela irmã dela que é piranha.- puxei uma fumaça desviando meu olhar pra ela que tinha na mão uma latinha de guaraná observando geral.

Mesmo de calça que marcava o corpo e uma blusa com apenas um pequeno decote, enquanto as outras garotas de short e decotão jogando a bunda, ela chamava atenção, parcero.

Patatá: Tá querendo fuder ela?

– Não faz meu tipo...- neguei soltando a fumaça do cigarro.

Patatá: Tô ligado, tú gosta das safadas experientes... As piranhas.- apenas confirmei calado...

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