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Capa do romance Amor além dos sonhos

Amor além dos sonhos

Neste segundo volume, Marina tenta reconstruir sua trajetória e está noiva, após superar a dolorosa perda de seu grande amor com muita resiliência e devoção. Contudo, Samuel desperta de um longo coma e percebe que o mundo e ele mesmo mudaram drasticamente. Enquanto ele lida com crises internas que abalam sua crença, o destino os confronta. Conseguirá esse sentimento puro renascer? Entre provações e escolhas, a fé de ambos será testada ao limite.
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Capítulo 2

Desde o desaparecimento do Samuel, Dylan é o novo chefe da empresa. O que posso dizer sobre ele é que após o acidente ele tem se transformado em uma outra pessoa, como posso dizer, ele ainda é o mesmo Dylan convencido como sempre ou talvez pior do que antes, mas aos poucos ele tem mudado até a igreja está frequentando. Porém desde que descobri que o acidente do Samuel não foi uma falha mecânica e sim provocado por alguém, jurei que vou descobrir o culpado mesmo que para isso tenha que ficar perto do inimigo se por acaso for mesmo o Dylan. Contudo, seu novo "Eu" obcecado por trabalho está espantando os secretários, ninguém suporta o jeito Dylan de ser. Hoje por exemplo, ele fez uma reunião com todos em plena noite de domingo para trabalhar em um dia de folga, e adivinha a única louca que apareceu? Sim somente eu Marina, ainda por cima grávida.

__Aqui está seu hamburguer e suas batatas fritas, compradas especialmente por mim - Aponta para o prato sorrindo irônico.

__Obrigada - Olho de relance enquanto digito algo no notebook.

__Como você consegue? - Apoia a mão no queixo sentando-se ao meu lado.

__O que? - O fito curiosa.

_Não se apaixonar por mim, como consegue?! Sou extremamente lindo, carinhoso, bem-humorado, o melhor chefe que já viu. Se eu fosse mulher eu casaria comigo, mas como não posso dou essa chance a você - Pisca e neguei com a cabeça pegando o lanche e devorando. Lambo os dedos e o olho de repente.

__Simples, você não é o Sam.

__Aí, essa doeu! Como consegue ser tão maldosa? Sabe que sou loucamente apaixonado por você - Coloca a mão no peito ofendido.

__E você sabe que eu amo loucamente seu primo.

__E você sabe que ele está morto Marina - Me olha sério - E mortos não falam, quem dirá amam.

__Não acharam o corpo - Me justifico sentindo meu peito doer.

__Ele está morto Marina, precisa aceitar isso. O avião explodiu, Samuel não conseguiu se salvar.

__Como pode ter tanta certeza disso? Por acaso estava lá?! - Falei exaltada.

__Porque eu sei o que você está passando. Isso se chama negação, eu também perdi quem eu amava e mesmo vendo com meus próprios olhos eu não aceitava sua morte e acredite, se não o deixar ir isso vai acabar te matando por dentro como quase me matou. E não Marina, eu não matei o Samuel - Afirma levemente irritado e desvio o olhar desconfortável - E sabe por que não faria isso? Por você - Dylan descansou sua mão sobre a minha me olhando intensamente, havia um pequeno espaço entre nós. Ele parecia ser honesto, a forma como ele tem cuidado de mim depois que Samuel se foi tem sido uma grande surpresa na verdade. Eu sabia dos seus sentimentos há pouco tempo, mas não sei se um dia poderei retribui-los, porque para mim Samuel não morreu, não acharam o corpo dele somente do piloto e que fé eu teria se não acreditasse em milagres? Ainda não é tempo de desistir, eu sei que não.

Senti uma pontada forte na barriga e agarrei sua mão com força.

__Alii!! - Bradei de dor.

__Marina, o que houve? - Dylan agarrou minha mão preocupado.

__Acho que já vai nascer - Olhei para ele assustada.

__Seu filho?!

__Não, o sol do amanhecer! É claro que é meu filho Dylan, corre! Pega minhas coisas acho que a bolsa vai estourar - Bradei alto, deu um pulo e saiu correndo para dentro, dou um sorriso satisfeita do desespero dele.

__Corre Dylan!! Meu Deus, meu filho vai nascer. Que dor é essa? se seu pai tiver vivo eu juro que mato ele por me fazer passar por isso sozinha. Converso com a minha barriga.

__Aqui está, vamos - Dylan me entrega a minha bolsa e um balde.

__O que significa isso? - Ergo o rosto o fuzilando com o olhar.

__Não quero que urine no meu carro novo, eu mandei limpar ontem - Me olha indignado - Agora vamos - Puxa meu braço enquanto imagino várias formas de o torturar quando estiver em condições, porém sinto uma dor aguda, seguida por um líquido que escorre entre minhas pernas.

__Marina, devia esperar pelo menos chegarmos no carro e posicionar o balde, está vendo? Molhou meu tapete novo - Dylan comenta inconformado.

__Eu juro que vou te matar! Me leva agora para o hospital, estou à beira de ter um colapso. Está doendo muito - Agarro seu braço e Dylan passou o braço na minha cintura me levando rapidamente para o carro.

Ajeitei a postura no banco do passageiro puxando o ar fortemente, respirando e soltando pela boca enquanto Dylan dava a volta e ligava o carro. Lembrei da passagem bíblica que sempre guardo comigo, "Não temas eu estou contigo, não te assombres eu sou teu Deus" Ele estava comigo, e tudo ia acabar bem. Minha filha vai nascer saudável e tudo vai terminar bem.

__Corra Dylan!! Corre mais rápido - Berrei alto enfiando minhas unhas na sua perna e ele rugiu de dor.

__Ei, isso dói - resmungou pisando fundo no acelerador.

__Isso não é nem dez por cento da dor que estou sentindo. O que tenho dentro de mim? É só um bebê inofensivo, como pode doer tanto? - Choramingo.

__Inofensivo? - Ele ri - Você tem uma mini Marina dentro de você, acompanha com a genética do Samuel. Essa criança pode ser tudo menos inofensiva - O olho lançando faíscas dos olhos.

Descemos na frente do hospital, Dylan conseguiu uma cadeira de rodas e me levou diretamente para sala onde iria acontecer o parto. As dores ficaram ainda maiores junto com o medo do que estava por vir, sem Samuel seria difícil ter habilidade suficiente para criar uma criança, existia outra pessoa agora, um ser indefeso sob meus cuidados e isso era totalmente assustador.

__Por favor, não me deixa sozinha - Apertei o braço do Dylan com olhar de súplica prestes a desabar.

__Eu não irei a lugar nenhum, fique tranquila - Aqueceu minha mão e acenei em gratidão. Espero estar errada e que Dylan não seria capaz de provocar aquele acidente. Apertei os olhos, era hora de lutar mais essa batalha.

Meus olhos se encheram de lágrimas quando minha mãe entregou minha bebê para eu segurar. As memorias tão enterradas por mim vieram à tona novamente e tudo que eu mais queria era tê-lo aqui do meu lado, apreciando esse momento tão importante para nós, descobrir minha gravidez foi há minha maior alegria no meio de tanta dor, eu sabia que teria que ser forte e corajosa não por mim, mas sim por ela.

__Ela é tão preciosa. É tão delicada mãe, tem certeza de que não vou machucá-la? Que vou conseguir cuidar dela? - A fitei entre lágrimas tentando segurar aquele pacotinho barulhento no meu colo. A enfermeira me explicou com alimentá-la e fiz morrendo de medo de matar a pobrezinha afogada.

__Sim, minha querida. Seu extinto materno vai mostrar como cuidar da sua filha, e eu estarei aqui para te ensinar - Passa a mão nas minhas bochechas limpando as lágrimas.

__Ela é linda, não é?! Se parece com o Samuel, tem o mesmo olhar dele, ele ficaria tão orgulhoso - Minha voz embarga.

__Ele a deixou de presente para você, sempre terá uma parte dele com você. Deus quis levá-lo Marina.

__Eu sei, mas algo dentro de mim diz que Sam não morreu - Argumento.

__Marina, já conversamos sobre isso - Me mira de forma repreensiva e desvio o olhar para minha filha sorrindo.

__Seu pai vai voltar, ele nos prometeu - Escutamos bater na porta.

__Posso entrar? - Dylan apareceu, seu rosto estava vermelho como se tivesse chorado, ele também tinha algumas olheiras escuras em volta dos olhos.

__Esse homem ficou a noite toda esperando você acordar. Dá para ver de longe o quanto se preocupa com você.

__Mãe - A olho séria.

__Só estou falando, Marina. Não o trate mal por suas suposições - Concordo - Entre querido, já estamos de saída, obrigado por cuidar tão bem da nossa Marina - Minha mãe beija sua testa.

__É um prazer, Dona Vera - Me olha sorrindo fraco.

Dylan se aproximou meio hesitante com as mãos no bolso procurando um sinal de aprovação, dei um sorriso e isso o encorajou a chegar perto. Seu olhar foi direcionado a bebê que estava no meu colo agora dormindo serena como um anjinho.

__Ela está tão quieta, tem certeza de que é sua filha e não foi trocada no berçário? Quer que eu vá verificar? - Gesticula e riu.

__Seu bobo, é claro que é minha filha.

__Estou brincando - Passa as mãos entre os fios negros alisando - Ela é linda! - Me olha gentil, segurando a mãozinha dela - Também, com a genética tão boa quanto a do primo dela.

__Estava demorando - Reviro os olhos. Dá uma risada.

__O Alex e meu tio estão a caminho - Sorriu fraco enquanto olhava para minha filha com seus olhos perdidos e opacos, poderia jurar que vi o mesmo olhar de dor e sofrimento de quando o abracei naquela calçada quando escutou a sirene do carro de polícia.

__Ela estava grávida - Sua voz saiu como um chiado e meus olhos arregalaram.

__Quem? - Perguntei já temendo a resposta. Ele me olhou de volta só que com os olhos cheio de lágrimas.

__Jade - Sua voz saiu rouca. Abri a boca chocada.

__Samuel ele... -Não consegui terminar, ele negou com a cabeça.

__Nunca soube. Ele ficaria muito mal se soubesse, ele não suportaria sempre achou que tudo que de ruim era culpa dele - Sorriu triste - Eu sei que o culpei também, eu errei em culpá-lo, eu fiz isso todas as vezes que nos encontramos. Você não sabe, mas antes de viajar ele veio falar comigo e me pediu para cuidar de você, novamente ele se desculpou e o que fiz? Eu disse que nunca o perdoaria, que só se ele morresse para pagar tudo que ele me fez. E olha o que aconteceu?! Agora eu tenho mais uma morte para me culpar. A culpa é toda minha Marina, eu não mexi naquele avião, mas eu o amaldiçoei com minhas palavras - Engoli seco, sentido as lágrimas frias descerem sobre meu rosto.

__É melhor eu ir embora agora, você já sabe o tipo de monstro que eu sou. Agora poderá me odiar à vontade, adeus Marina - Ele solta a mão da minha filha e antes de sair eu seguro sua mão.

__Jade - Digo subitamente e ele gira o pescoço me olhando confuso - Jade, esse será o nome da minha filha - Repito sorrindo entre lágrimas e ele me olha em transe sem acreditar. Tenho certeza de que era exatamente isso que Samuel faria se estivesse no meu lugar, porque apesar de tudo está claro que Dylan se importava com o primo e agora tenho certeza que ele não é o mandante desse crime.

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