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Capa do romance Amo pós o Casamento

Amo pós o Casamento

Amélia sempre resistiu ao destino imposto de um casamento arranjado, algo comum para as ômegas de sua alcateia. Sem alternativas para escapar dessa obrigação social, ela acaba aceitando a união forçada. No entanto, sua trajetória toma um rumo inesperado ao descobrir que a alfa escolhida para ser sua companheira possui uma personalidade e atitudes que desafiam todos os seus preconceitos, revelando uma conexão surpreendente e profunda entre as duas.
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Capítulo 2

Mais um jantar na mansão dos Bernard. As meninas conversavam animadas, Amélia estava meio dispersa enquanto brincava com a comida em seu prato. Giovanni observava sua filha e as vezes trocava olhares com a esposa.

Ele já tinha conversado com Clara sobre o assunto e ela estava preocupada. Sabia como a filha era, mas acreditava que a garota iria aceitar se fosse para ajudar a família. O casal tinha decidido que iria dar a notícia após o jantar.

- Você está bem, Amélia? - Giovanni perguntou a filha, tirando-a de seus devaneios.

- Uh? - A garota levantou a cabeça, confusa.

- Perguntei se você está bem. - Giovanni tornou a repetir.

- Desculpe, papai. - A ômega pediu, sempre submissa. - Estou sim, só pensativa.

- Sua mãe e eu gostaríamos de conversar com você, em particular, depois do jantar. - O pai voltou a falar.

- Tudo bem. - Amélia concordou e voltou a comer.

Clara ainda fitava a filha apreensiva, mas suspirou. As irmãs da garota a encararam, perguntando se Amélia tinha feito alguma coisa para que os pais precisassem falar a sós com ela.

Depois de terminaram de comer e recolher a louça, as meninas subiram para os seus quartos e Giovanni foi para o seu escritório acompanhado de sua esposa e de Amélia.

A ômega e sua mãe se sentaram lado a lado no sofá e o pai se sentou na poltrona.

- Filha, nós estamos com problemas. - Giovanni começou.

- Que tipo de problemas? - A garota perguntou, encarando o pai.

- Financeiros. - O alfa respondeu. - Três dos nossos melhores hotéis se fecharam, você já sabia disso. Certo?

A ômega apenas assentiu, balançando a cabeça.

- Sendo assim. Estamos com apenas dois hotéis de pequeno porte funcionando e com risco muito grande de ambos fecharem. - Giovanni começou a falar. - Você sabe que estamos reduzindo os gastos nessa casa e precisamos de uma solução rápida.

- O que posso fazer para ajudar? - Ela perguntou, preocupada.

Ela sabia que estavam enfrentando problemas, apenas não sabia que eram nesse patamar. Ela não estava usando seu carro e cartões de crédito, e já tinham dispensado boa parte dos empregados da casa. Assim como suas irmãs estavam restritas a muitas coisas.

- Bem, você se lembra da família Bustamante? - Giovanni perguntou e viu a filha assentir novamente. - Augusto me ofereceu ajuda, mas vou precisar da sua também.

Amélia ficou confusa. Ela conhecia sim a família Bustamante, era até amiga de Louis, o filho mais novo de Carolina e Augusto. O menino era um alfa da sua idade e ambos estudavam Literatura juntos. Mas se Augusto Bustamante ofereceu ajuda, o que ela tinha a ver com isso?

- Você se lembra de Alicia? - Seu pai voltou a lhe perguntar.

É claro que ela se lembrava de Alicia Bustamante. A alfa que lhe importunava todas as vezes que ela ia para a casa dos Bustamante com os pais ou para brincar com Louis. Ela sempre a provocava, puxava seu cabelo ou fazia brincadeiras idiotas.

Ela era uma chata na opinião de Amélia. Deu graças a Deus quando a alfa completou dezoito anos e se mudou para os EUA, para fazer faculdade.

- Lembro. - Amélia disse, ainda sem entender.

- Então, eu e Augusto selamos um acordo. - Giovanni voltou a falar, de uma forma cautelosa. - Você precisa se casar com Alicia e em troca ele nos ajuda a não falir.

Amélia não teve tempo de reagir. Estava tão surpresa que não teve palavras para se expressar.

- Filha, eu sei que não é isso que você queria. - Seu pai começou a falar, preocupado. - Sei que você queria se apaixonar primeiro para depois pensar em formar uma família, porém, infelizmente casamentos arranjados acontecem a todo tempo ainda. - Ele a fitava intensamente.

- Lia, meu anjo, precisamos da sua ajuda para passar por essa crise. - Sua mãe, que até então estava calada, finalmente disse alguma coisa. – Não queremos te pressionar a aceitar, você tem todo o direito de recusar. Vamos encontrar uma outra alternativa mesmo que fique mais difícil.

A garota ainda estava chocada demais para verbalizar alguma coisa. Encarava sua mãe e seu pai e seus pensamentos estavam a mil.

Amélia se considerava uma ômega sonhadora. Ela gostava da ideia de encontrar um alfa incrível e que a fizesse se sentir a ômega mais especial do mundo, que a amasse como ela era.

A jovem sonhava com o amor. Ela nunca se apaixonou, nunca entregou seu coração para alguém. Obviamente que já tinha beijado e conhecido diversas pessoas. Porém, ela queria passar por todas as fases antes do casamento: encontrar alguém que valesse a pena, apaixonar-se, noivar e depois se casar.

Mas parece que o destino não iria deixá-la realizar esse sonho.

Ela sabia do rombo que seu tio deixou nos hotéis, sabia que muita gente estava desempregada e para pagar todos os direitos dos trabalhadores quase ficavam sem nenhum dinheiro. Venderam algumas propriedades, dispensaram alguns luxos que tinham, mas as coisas ainda estavam difíceis.

E Amélia amava demais suas irmãs para deixá-las passarem por qualquer tipo de necessidade. Então, logicamente que ela iria ceder e aceitar o acordo de seu pai com Augusto Bustamante. Por mais que ela odiasse sua filha. Ela não iria deixar sua família cair na miséria.

- Papai... - Ela conseguiu externar depois de alguns minutos em silêncio.

- Eu aceito. – Informou nervosa, mas decidida.

- Vou ajudar a nossa família. – Disse com os olhos cheios de lágrimas.

- Ah, meu amor! - Clara exclamou, chorosa, e puxou sua pequena para os seus braços.

Giovanni viu sua filha se aninhar nos braços da mãe e se sentiu cada vez mais culpado. Não era isso que ele queria para a sua menina. Podia estar sendo egoísta, mas estava pensando no bem da própria Amélia também. Ele esperava que não estivesse cometendo o maior dos erros.

....

Quando Giovanni informou os Bustamante que Amélia tinha aceitado, Augusto os chamou para um jantar entre as famílias.

Amélia se arrumou impecavelmente. Mesmo se sentindo sufocada e parecia que seu coração ia saltar pela boca. Estava muito bonita como sempre, mas não sorria e nem tinha o brilho hipnotizante em seus olhos verdes.

- Vai dar tudo certo, querida. - Sua mãe lhe disse, assim que pisaram na mansão Bustamante e foram recebidos por uma governanta.

Amélia e sua família foram direcionados a uma das várias salas de estar da mansão e encontraram a família Bustamante quase completa os esperando. Enquanto seus pais se cumprimentavam, a pequena ômega foi atacado por um abraço de urso. Ela riu um pouco, porque conhecia aquela cabeleira castanha. Era Louis.

- Lia! - O garoto exclamou, ainda abraçada a ômega. - Espero que você esteja bem depois de tudo.

- Eu ainda não consegui... Hm, digerir. - Foi o que Amélia disse, após terminaram o abraço. - Foi tudo tão rápido.

- Eu acredito. - Louis disse, compreensivo. - Mas vai ficar tudo bem, sweetie... A Alicia não é uma má pessoa, nem uma alfa ruim.

- Sei que as pessoas mudam, Lou. - Amélia tentou intervir. - Mas se casar com uma garota que sempre enchia o meu saco quando éramos adolescentes não estava nos meus planos.

Os dois riram e logo Augusto chamou a mais velha dos Bernard para cumprimentá-lo. Alicia ainda não tinha aparecido, mas foi só pensar na diaba que ela apareceu na sala.

Amélia sabe que Alicia nunca foi feia. Ela era linda e a idade só a fazia bem. Estava bem mais alta do que se lembrava, o cabelo ondulado bem maior, as covinhas ainda estavam ali juntamente com o sorriso de tirar o fôlego.

O sorriso.

Alicia tinha um sorriso conquistador, um sorriso de deixar qualquer um com as pernas bambas.

- Boa noite. - Ela desejou com a voz suave. - É um prazer revê-los.

Clara e Giovanni a cumprimentaram, mas Amélia se sentiu nervosa. Não sabia bem como cumprimentar a sua... noiva? Mas Alicia não perdeu tempo, aproximou-se da ômega e estendeu a mão.

- É muito bom te ver de novo. - Ela sorriu para Amélia.

- Sim. - Amélia respondeu envergonhada. - Como você está?

- Melhor agora e você? - A alfa respondeu no mesmo instante.

A menor apenas balançou a cabeça, ainda constrangida com toda a gentileza da alfa.

- Espero conversar melhor com você durante o jantar. - Foi o que Alicia disse e então uma empregada chegou na sala de estar para avisar que o jantar estava pronto.

As duas famílias se encaminharam para a sala de jantar, que era um luxo na opinião da ômega.

Na verdade, toda a mansão era.

Amélia já conhecia a mansão Bustamante por ter passado parte da infância ali, mas fazia alguns bons anos que não pisava na residência.

Amélia tentou quebrar seu nervosismo falando durante o jantar, rapidamente foi relaxando e interagindo com todos.

Ela pode sentir os olhos de Alicia em si durante todo o momento.

Suas irmãs mais novas não foram, Clara e Giovanni acharam melhor que o jantar inicial fosse apenas com eles e Amélia.

O restante da família Bernard ainda teria muito para conhecer Alicia, já que as meninas ainda eram pequenas quando ela foi para os EUA e quase não conviveram com ela durante a infância.

Após o jantar, todos estavam de volta a sala de estar, os alfas bebiam uma dose de conhaque, enquanto as ômegas, e Louis, bebiam vinho.

Amélia estava sentado numa poltrona ao lado de Louis sorrindo para o que sua mãe e Carolina conversavam, as ômegas já estavam planejando o casamento que ainda nem tinha data. Alicia, por outro lado, observava as feições da ômega. Ela sempre soube que Amélia era linda, mas agora parecia mais perfeita ainda.

Seu corpo era pequeno e cheio de curvas, os olhos verdes brilhantes, o sorriso era radiante e um pouco envergonhado, o seu jeito sempre meigo. Sem contar que ela era absurdamente cheirosa.

Mas Alicia sabia que a ômega tinha mais do que isso, lembra de como a garota podia ter a língua bem afiada quando queria.

Tirou do bolso interno do paletó que usava uma caixinha azul de couro, e viu seu pai e futuro sogro sorrirem.

Aquilo já estava previsto, apenas Amélia que não sabia.

Alicia pediu a atenção de todos e pediu para que Amélia se aproximasse. Completamente tímida ela foi até a alfa.

- Eu sei que você queria algo mais elaborado, apaixonado e principalmente feito por uma pessoa que você ame. - Alicia começou a falar, pegando delicadamente na mão pequena. - Mas eu posso prometer apenas uma coisa Amélia, farei até o impossível para te fazer feliz. Então, Amélia Bernard, você quer se casar comigo?

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