Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Amargor e Sangue

Amargor e Sangue

Lucy fica fascinada pela juventude e o charme de Henry quando sua mãe articula o matrimônio entre os dois. Contudo, as ambições de um amigo próximo de Henry sabotam a união, desencadeando uma reviravolta impactante que coloca o relacionamento em xeque. Diante de obstáculos que parecem intransponíveis, o casal enfrenta um destino incerto. Resta saber se a força do sentimento será capaz de superar as barreiras que agora tornam esse amor impossível.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 3

Mal abriu os olhos, sua mãe já estava escancarando as cortinas rendadas e deixando os primeiros raios da manhã iluminar o quarto, para desgosto de Lucy.

- Vamos minha filha, já está na hora. Precisa se arrumar o quanto antes, seu pretendente logo virá ao seu encontro e deve estar uma beldade para recebe-lo.

- Mãe, ele virá apenas a tarde, me deixe dormir; indagou Lucy cobrindo a cabeça com os cobertores.

- Nada disso, minha querida. Para um dia revigorante, precisará de uma manhã revigorante. A Sra. Louis está preparando um banho para você e a cozinheira um belo café da manhã para seu desjejum.

Sabendo que não conseguiria vencer a mãe pelo cansaço, Lucy se arrasta da cama em direção a banheira.

As ajudantes da Sra. Louis cuidadosamente a ensaboaram e esfregaram dos pés à cabeça, usando sabão perfumado e esponjas macias. A água estava morna, e cada toque era suave e reconfortante. Enquanto a água escorria de seu corpo, ela se sentia mais revigorada a cada segundo.

Após um banho luxuoso, as ajudantes a ajudaram a sair da banheira e a secaram com toalhas felpudas. Sua pele estava rosada e macia, como uma pétala de rosa.

Em seguida, elas começaram a vesti-la, cuidadosamente selecionando um vestido deslumbrante. O vestido era uma verdadeira obra de arte, feito de seda delicada e rendas finamente trabalhadas. Era de um tom de amarelo pálido que destacava a tez de Lucy, e possuía mangas bufantes que caíam elegantemente até os cotovelos. O corpete ajustava-se perfeitamente ao corpo da jovem, realçando sua cintura esbelta, e a saia fluía graciosamente até o chão.

Enquanto a vestiam, suas ajudantes cuidavam de cada detalhe. Colocaram-lhe delicados sapatos de cetim, adornados com laços de seda que combinavam com o vestido. Seus cabelos foram cuidadosamente penteados em cachos suaves que caíam sobre seus ombros, e uma tiara de pérolas foi colocada com maestria em sua cabeça.

Quando finalmente Lucy olhou-se no espelho, mal pôde acreditar na visão que a refletia de volta. Ela estava deslumbrante, como uma personagem de um romance de época. Seus olhos brilhavam de felicidade e antecipação, e ela sabia que estava pronta para receber seu pretendente com toda a graça e elegância que sua mãe havia insistido.

Lucy caminhou graciosamente até a sala de jantar para o café da manhã e se deparou com Sophia e Helena tão graciosamente elegantes como a si mesma. Embora a escolha das cores dos vestidos das suas irmãs não a agradou, ela sempre achou que as irmãs iriam amadurecer e melhorar as cores das vestimentas com o passar dos anos.

Ela que nunca fora dada a romances, decidira se comportar como uma dama durante aquele dia. Nunca tivera um dia em sua vida que sua mãe dedicou um dia todo apenas para o seu trato, pois estava mais preocupada em arrumar um casamento para as suas irmãs mais ajuizadas. E esse dia todo girava apenas em torno de Lucy e seu pretendente e ela iria aproveitar o máximo essa oportunidade.

Na mesa do café, todas sentaram formalmente para o desjejum e sua mãe se deliciou com tamanha educação e requinte das filhas.

-Me deleito dos bons modos e requinte de vocês, minhas filhas. Em especial Lucy, que me surpreendeu sendo boazinha e fazendo as coisas corretamente. Espero que esse rapaz bote um pouco de juízo nessa sua cabecinha de vento.

-Ora mamãe, eu tenho juízo. Só guardo para usá-lo quando me convém.

Sua mãe não cedeu a provocação de Lucy e as irmãs cochichavam baixinho uma pra outra e riam do gracejo provocado pela irmã.

O café da manhã transcorreu calmamente e as meninas subiram para retocar a maquiagem.

- Lucy é muito sortuda de ter laçado o primeiro pretendente que apareceu. Esse casamento é muito vantajoso, pois atrairá outros jovens de igual fortuna para nós duas, Sophia.

- Que bobagem, Helena. Ultimamente tenho lido e meus romances me mostraram que devo casar por amor. Seria esplêndido me casar com um objeto de minha afeição.

-Tu que pensas, tola Sophia. Casar com um homem de boa fortuna garante uma boa educação aos filhos, viagens a lugares elegantes e vestidos da mais alta qualidade.

- E quem disse que quero ter filhos? Apenas um amor tranquilo é suficiente para me satisfazer.

- Que disparate! Se mamãe ouvir tal absurdo certeza que te mandaria a um sanatório.

A conversa foi interrompida pela entrada de Lucy no quarto das meninas:

- Me ajudem. O que acham do meu vestido? Não está exagerado? E se ele não gostar de mim como pensa? E se minha companhia não for agradável?

Helena despejava perguntas e mais perguntas sobre as irmãs andando de um lado para o outro do quarto sem parar. Helena a pegou pelos dois braços e a fitou seriamente nos olhos:

-Deixe de bobagens, irmã. Não vejo motivos para ele não cair de amores por você. Guarde sua ansiedade pra si e iremos tornar esse passeio o mais agradável possível para vocês. E pare de andar de um lado a outro. O vestido não ficará mais bonito com você transpirando sem parar.

Foi o suficiente para Lucy sentar na beirada da cama e recuperar o juízo.

Lucy nunca se preocupou com a aparência, mas o jovem rapaz despertava toda sua feminilidade e desejos que antes estavam adormecidos. Decidiu que iria conhece-lo e decidir se gostaria de estender essa relação a algo mais sério.

Algumas horas depois, Sr. Henry chegou numa carruagem luxuosa com mais dois amigos.

Todos desceram da carruagem e se dirigiram a porta da casa da família.

O mordomo anunciou a entrada de todos a sala de descanso:

- Senhoras, temos visitas. Sr. Henry Thomas, Sr. Jeffrey Brown e Sr. Nicholas Gerald.

A Sra. Wood ao ouvir que mais rapazes iriam ao passeio ficou encantada, mas não mais que Helena e Sophia que sentiam que suas preces foram atendidas.

Mal os rapazes entraram na sala, Sophia logo trocou olhares com Nicholas. Os dois ficaram petrificados olhando um pro outro enquanto a Sra. Wood falava sobre qualquer coisa que nenhum dos dois prestaram atenção.

Enquanto isso, a Sra. Wood elogiava as vestes de Henry e passava orientações da hora que as moças deveriam regressar ao lar.

Após alguns minutos, todos se dirigiram para a carruagem em direção a praça central, onde era comum os jovens passearem e conversarem nos dias quentes do verão.

Durante o percurso todos ficaram muito calados. Lucy fitava insistentemente Henry, enquanto os rapazes cochichavam entre si. E as gêmeas trocavam uma palavra ou outra e davam risadinhas.

Sophia não conseguia olhar diretamente para Nicholas sem ficar envergonhada. Então passou boa parte da viagem com o olhar baixo ou apreciando a paisagem. Já Nicholas disfarçadamente olhava a garota sem a deixar constrangida.

O que ninguém notara no passeio foi o olhar malicioso de Jeffrey em Lucy. Ele mediu cada curva do corpo de Lucy com os olhos, que estava distraidamente encarando Henry.

Ele a desejou instantaneamente e queria se aproximar do objeto de desejo do amigo, mesmo que isso significasse a ruina de sua amizade com o rapaz. Com o sacolejar da carruagem, ele conseguia ver o nuance dos seios de Lucy que já estavam bem desenvolvidos para uma garota de dezessete anos. Imaginou todo tipo de obscenidade com a garota naquele curto passeio, mas nada disse, afinal não poderia demonstrar tão verdadeiramente a impureza de seus pensamentos a ninguém, que não a si mesmo.

Continue assistindo!
A história está ficando intensa! Mude para o App para continuar
Desbloquear Todos os Episódios
Abrir o Site Oficial

Você pode gostar

Capa do romance A Escolha de Leo
8.5
Após perder o filho e quase morrer em um incêndio, uma mulher acorda no hospital para enfrentar a frieza de Leo, seu marido. Em vez de luto, ele demonstra irritação, priorizando um problema fútil da irmã enquanto os sogros a culpam pela tragédia. Ao perceber que foi deliberadamente abandonada nas chamas, ela decide transformar sua dor em vingança. Investigando registros e provas, ela busca expor a negligência de Leo e destruir a família que a traiu.
Capa do romance A Reviravolta do Destino
8.7
No Rio de Janeiro, Sofia Almeida descobre a traição cruel de seu noivo, Ricardo, com Isabella. Humilhada publicamente e acusada de uma agressão forjada, ela vê até o anel de sua avó no dedo da amante. Diante do desprezo e das mentiras, Sofia decide não ser apenas uma vítima. Em vez de um confronto inútil, ela aciona um contato de emergência e contata a Agência de Soluções Criativas. Com determinação, ela planeja forjar a própria morte para escapar desse pesadelo.
Capa do romance Construindo Meu Próprio Futuro
8.0
Traída e assassinada por Pedro, o homem que tentou salvar, Maria desperta subitamente no passado. De volta ao dia em que tudo começou a ruir, ela encara seu futuro executor com um vazio glacial. Diante da mesma decisão que selou seus destinos anteriormente, ela opta por não lutar mais por ele. Sem lágrimas ou súplicas, Maria decide abandonar o papel de salvadora para focar em sua própria sobrevivência, mudando o curso de sua história para escapar de um fim trágico.
Capa do romance Jogo do Destino
9.0
Ronny Falcon é um homem gélido que aceita um casamento por conveniência visando o poder total. Sua vida calculada vira um caos ao conhecer Nabi, uma jovem sem memórias que desperta nele um instinto protetor inédito. Enquanto ela acredita ter achado um porto seguro, Ronny a mantém sob seu domínio magnético. Entre traumas e segredos, o destino une essas almas opostas em uma trama intensa e sombria, onde a paixão é o único caminho para a redenção.
Capa do romance O Amendoim da Traição
8.9
No aniversário de Leo, Catarina descobre que o filho morreu por uma reação alérgica a amendoins. Culpada injustamente pelo marido Miguel e pela sogra Joana, ela enfrenta o luto sob acusações cruéis. Contudo, pistas ocultas e gravações de segurança revelam uma realidade sinistra: a ingestão foi propositada. Envolvendo a sogra e a amiga Beatriz, o acidente se prova um homicídio. Agora, Catarina busca justiça contra aqueles que traíram sua confiança e mataram seu filho.
Capa do romance O Amor Construído Sobre Mentiras Silenciosas
9.5
Após perder os pais e a audição para salvar Bruno, Elisa viveu dez anos sob sua proteção. Contudo, a chegada de Amanda revela uma realidade sombria: Bruno nunca foi seu herói, mas o mentor de um jogo cruel para vê-la sofrer. Ao recuperar a audição secretamente, ela descobre que sua dor era o entretenimento do casal. Decidida a destruir o teatro de Bruno, Elisa encena o próprio suicídio para expor a verdade, iniciando sua vingança contra quem a traiu.