
Alma Reencarnada, Destino Reescrito
Capítulo 3
Clara chegou menos de uma hora depois, seu rosto uma máscara de preocupação fingida. Ela usava um vestido simples, de cor clara, que a fazia parecer pura e inocente, uma fada que não pertencia a este mundo mundano. Era sua aparência preferida, aquela que enganava a todos.
"Sofia, querida! Lúcia me disse que você não estava se sentindo bem. O que aconteceu? Estou tão preocupada!"
Ela correu para o meu lado, pegando minha mão com as dela, que estavam frias. Olhei para o rosto dela, o mesmo rosto que me assombrou em meus pesadelos. Por um segundo, a raiva ameaçou me sufocar, mas eu a forcei a recuar, substituindo-a por um sorriso suave.
"Não se preocupe, Clara. Na verdade, são ótimas notícias."
Fiz uma pausa dramática, observando a expectativa crescer em seus olhos.
"Estou grávida."
O sorriso de Clara congelou por uma fração de segundo antes de se alargar em uma expressão de alegria extática. Era uma performance digna de uma atriz talentosa.
"Grávida? Oh, Sofia, isso é maravilhoso! Estou tão feliz por você! E pelo Príncipe Lucas! Ele deve estar nas nuvens!"
"Ele ainda não sabe," eu disse, baixando os olhos timidamente. "Eu queria que você fosse a primeira a saber. Você é minha única família de verdade aqui."
A culpa cintilou em seus olhos, mas foi rapidamente substituída por um brilho de oportunidade. Ela me abraçou com força.
"Oh, sua boba. Claro que somos família. Você pode contar comigo para tudo. Absolutamente tudo."
"Eu sei," eu sussurrei. "É por isso que eu preciso da sua ajuda."
Afastei-me, olhando para ela com a maior sinceridade que consegui fingir. "Lucas... ele tem estado tão ocupado ultimamente. E ele tem certas... necessidades. Eu, na minha condição, não posso atendê-lo como deveria."
O rosto de Clara ficou vermelho, uma mistura de falsa modéstia e interesse genuíno.
"Sofia, o que você está dizendo..."
"Eu estou dizendo que preciso de alguém de confiança para cuidar dele. Alguém que entenda suas preferências. Alguém que possa... mantê-lo satisfeito."
Olhei na direção de Lúcia, que estava parada discretamente em um canto da sala. "Lúcia é uma boa moça. Leal. E ela sabe como preparar o chá de ginseng que o Príncipe tanto gosta."
Na minha vida anterior, Lúcia se tornou a concubina de Lucas. Foi um presente de Clara para ele, uma forma de colocar uma espiã ao meu lado. Lúcia, faminta por poder, agarrou a oportunidade e me traiu sem hesitar.
Desta vez, eu mesma a colocaria na cama de Lucas.
Clara ficou chocada. Ela me olhou como se eu tivesse enlouquecido.
"Sofia! Você não pode estar falando sério! Dar sua própria criada para seu marido? Isso é... isso é imprudente!"
Ah, a ironia. Ela estava preocupada que Lúcia pudesse se tornar uma ameaça para mim, quando, na realidade, ela estava preocupada que Lúcia pudesse se tornar uma ameaça para os planos dela.
"É a única maneira," eu disse, minha voz cheia de uma falsa resignação. "Eu preciso garantir que o Príncipe esteja feliz. Um homem feliz é um marido leal. E o mais importante, um pai presente para o nosso filho. Além disso," eu acrescentei, olhando para o chão, "é melhor que seja alguém que eu conheço e confio, do que uma estranha que poderia tentar minar minha posição."
Minha lógica era impecável para uma esposa virtuosa e um pouco ingênua. Clara não podia argumentar contra isso sem revelar sua própria natureza egoísta.
Ela hesitou, seus pensamentos girando visivelmente. Provavelmente, ela estava calculando como essa nova dinâmica a beneficiaria. Ter Lúcia como aliada no harém de Lucas seria útil.
"Se você tem certeza..." ela disse finalmente, sua voz cheia de falsa compaixão. "Eu só me preocupo com você, Sofia."
"Eu sei. E é por isso que confio em você para me ajudar a convencer Lucas," eu disse, selando o acordo.
Mais tarde naquele dia, quando Lucas voltou para casa, eu o recebi com um sorriso. Contei a ele sobre a gravidez, e ele ficou genuinamente feliz, embora sua alegria estivesse mais focada no que um herdeiro significaria para sua posição na corte do que no milagre da vida.
Enquanto ele comemorava, eu fiz minha proposta.
"Lucas, meu amor, agora que estou grávida, o médico disse que preciso ter muito cuidado. Não poderei... servi-lo como antes por um tempo."
Ele franziu a testa, a decepção evidente.
"Mas eu pensei em uma solução," continuei rapidamente. "Lúcia. Ela é discreta e sabe exatamente como você gosta das coisas. Ela pode cuidar de você enquanto eu me concentro em cuidar do nosso filho."
Lucas me olhou com desconfiança. Era uma proposta incomum para uma esposa principal.
"Você tem certeza disso, Sofia? Não ficará com ciúmes?"
"Meu único desejo é a sua felicidade e o bem-estar do nosso filho," eu disse, a imagem perfeita da esposa abnegada. "Se você estiver feliz, eu estarei feliz."
Sua ambição e ego superaram sua desconfiança. A ideia de ter uma nova mulher, sancionada por sua própria esposa, era atraente demais para resistir. Ele concordou.
No dia seguinte, a mãe de Lúcia, uma das cozinheiras da propriedade, veio me ver. Ela se curvou tão baixo que sua testa quase tocou o chão, seu rosto radiante de alegria e orgulho.
"Minha senhora, eu não sei como agradecer! Você deu à minha Lúcia uma oportunidade de uma vida inteira! Nós nunca esqueceremos sua bondade! Nunca!"
Eu sorri para ela, um sorriso vazio. "Lúcia é uma boa moça. Ela merece."
Enquanto ela se afastava, praticamente flutuando de felicidade, eu me virei para a janela. O primeiro peão estava em posição. Lúcia agora estava no pátio interno de Lucas, exatamente onde eu queria. Ela pensava que estava subindo na vida, uma recompensa pela sua lealdade.
Ela não fazia ideia de que era apenas o começo da minha vingança. A mesma ambição que a levou a me trair na vida passada seria a sua ruína nesta. E eu me certificaria disso.
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