
Alma Perdida, Inocência Quebrada
Capítulo 3
O olhar de Sofia para Leo era de puro desgosto, como se ele fosse uma sujeira em seu tapete persa.
Carlos Alberto, ao contrário, exibiu uma máscara de preocupação.
"Leo, meu querido, o que aconteceu? Você está bem?"
Sua voz era melosa, falsa.
Sofia, instantaneamente influenciada, rosnou para Leo.
"O que significa isso, Leo? Usando seu estado para me envergonhar na frente de todos?"
Ela acreditava que eu, João Miguel, estava por trás daquilo, usando nosso filho.
"Seu pai te mandou aqui, não foi? Para fazer essa cena patética?"
Leo balançou a cabeça, lágrimas escorrendo pelo rosto. "Não, mamãe! O papai... o papai..."
"Chega!" Sofia o empurrou novamente, com mais força desta vez.
"Eu não quero ouvir mais nenhuma mentira sua!"
Leo caiu de novo, o som de seu corpo batendo no chão de mármore frio cortou minha alma.
Eu tentei alcançá-lo, protegê-lo, mas minhas mãos etéreas atravessaram seu corpo pequeno.
A impotência era uma tortura.
Carlos Alberto cambaleou para trás, fingindo ter sido atingido.
"Ai! Sofia, querida, acho que Leo me empurrou sem querer."
Ele se curvou, gemendo como se estivesse com dor.
Sofia, sem sequer olhar para Leo, correu para o lado de Carlos Alberto.
"Você está bem, meu amor? Esse menino... ele está cada vez mais agressivo!"
Ela se virou para Leo, os olhos faiscando de raiva.
"Peça desculpas ao tio Carlos Alberto agora mesmo!"
Leo, encolhido no chão, soluçou. "Mas eu não fiz nada, mamãe."
"Ajoelhe-se!" A ordem de Sofia foi brutal. "Ajoelhe-se e peça desculpas, ou você vai se arrepender!"
Leo, com o corpo doendo, olhou para o rosto furioso da mãe.
Ele sabia que era inútil argumentar.
Por mim, ele suportaria qualquer coisa.
Ele se ajoelhou, as lágrimas silenciosas traçando caminhos em sua sujeira.
"Des... desculpa, tio Carlos."
Carlos Alberto sorriu por cima do ombro de Sofia, um sorriso de triunfo cruel que só eu pude ver.
Ele se aproximou de Sofia, sussurrando algo em seu ouvido.
"Talvez João Miguel esteja com aquela colega de faculdade de novo, Letícia. Ele sempre teve uma queda por ela."
A semente da desconfiança, plantada e regada por ele, florescia em veneno no coração de Sofia.
Leo, ainda de joelhos, levantou a cabeça.
"Mamãe, por favor, volta pra casa. O papai precisa de você."
A voz de Sofia era fria como gelo. "Eu não vou a lugar nenhum com você. Seu pai que se vire."
Leo engasgou. "Mas, mamãe... e se o papai morrer?"
Sofia riu, um som oco e cruel.
"Que morra. Seria um alívio."
As palavras dela atingiram Leo como um golpe físico.
Ele se levantou, cambaleando, e correu atrás de Sofia e Carlos Alberto, que já se dirigiam ao elevador.
"Mamãe! Espera!"
Ele tropeçou nos próprios pés, caindo e batendo a cabeça com força no chão.
O sangue começou a escorrer de um corte em sua testa.
Sofia olhou para trás por um instante, viu o filho caído e sangrando, mas virou o rosto e entrou no elevador.
As portas se fecharam.
Leo ficou ali, sozinho, o sangue se misturando às lágrimas.
Minha alma gritava em silêncio.
Ele se levantou, a dor evidente em cada movimento.
Mas sua única preocupação era eu.
Ele voltou para casa, para o meu corpo sem vida.
Você pode gostar





