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Capa do romance Alma Penada, Amor Perdido

Alma Penada, Amor Perdido

Como um espírito, Leo vê Arthur viver uma farsa com Isabella. Todos creem que Leo fugiu, ignorando que seu corpo definhou para salvar o amado. Arthur credita sua cura à Isabella, ocultando o sacrifício de Leo. Quando ossos surgem na ilha onde Leo foi banido, a verdade ameaça a cegueira de Arthur. Enquanto Isabella apaga rastros e elimina até o cão de Leo, a trama de seu assassinato e a pureza de seu amor doentio estão prestes a serem reveladas.
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Capítulo 3

Uma semana se passou.

A televisão da sala está ligada em um canal de notícias. Arthur está sentado no sofá, lendo alguns papéis da empresa, a testa franzida em concentração.

De repente, uma reportagem chama sua atenção.

"URGENTE: Ossada humana é encontrada por pescadores em uma ilha particular remota na costa. A polícia está investigando a identidade e a causa da morte."

A imagem na tela mostra uma praia desolada. A mesma praia. A minha última visão do mundo dos vivos.

Arthur congela. O corpo dele fica tenso, os papéis em sua mão tremem levemente. Uma sombra de pânico passa por seus olhos.

Ele sabe que ilha é aquela. É a ilha para onde ele me mandou. Para onde ele me baniu.

Mas a negação é mais forte.

Ele desliga a TV com o controle remoto, o gesto brusco, violento.

"Bobagem" , ele murmura para si mesmo.

Ele pega o telefone e liga para seu assistente, Ricardo.

"Ricardo, você viu o noticiário?" , a voz dele é dura.

"Vi, senhor."

"É ele, não é? Aquele moleque está aprontando de novo. Fingindo a própria morte para chamar atenção. Que patético."

Arthur não espera uma resposta.

"Eu quero que você resolva isso. Dê um sumiço nessa história. E encontre o Leo. Quando o encontrar, diga que a brincadeira acabou."

Ele desliga o telefone na cara de Ricardo.

A raiva dele é um mecanismo de defesa. Uma forma de não encarar a verdade terrível que tenta borbulhar para a superfície da sua consciência.

Minha mente volta para aquele dia. O último dia.

Arthur me levou para a ilha sob o pretexto de um retiro, um lugar para eu "melhorar da minha doença" . Sozinho.

Ricardo ficou para trás, com instruções. Ele trazia suprimentos uma vez por semana.

Na última visita, eu já estava fraco, mal conseguia ficar de pé. Meus remédios, os que me mantinham vivo depois de doar parte do meu sistema para a cirurgia de Arthur, estavam acabando.

Eu implorei a Ricardo.

"Por favor, Ricardo, eu preciso dos meus remédios. Eu vou morrer sem eles."

Ele me olhou com um desprezo que eu nunca vou esquecer.

"Morrer? Ah, para de drama, Leo. O chefe já se cansou do seu teatrinho."

O frasco com as últimas pílulas caiu da minha mão trêmula. Ricardo, com a ponta do seu sapato caro, chutou o frasco para longe, para dentro do mato.

"Você é um ator, Leo. Sempre foi. Agora aproveite o seu palco."

Ele se virou e foi embora no barco, me deixando ali, com a certeza da morte.

Minha última respiração foi um suspiro de dor e solidão, olhando para o mar, esperando por um resgate que nunca viria.

No presente, a porta se abre. É Isabella.

Ela entra sorrateiramente, como uma serpente. Ela o vê perturbado e usa isso a seu favor.

"Arthur, meu amor? O que foi? Você parece tenso."

Ela o abraça por trás, suas mãos deslizando pelo peito dele.

"Não é nada. Só trabalho" , ele mente.

De repente, um latido.

Max, meu golden retriever, corre para a sala. Ele me amava. Ele ainda me procura pela casa.

Ao ver Isabella perto de Arthur, Max começa a rosnar baixo. Ele nunca gostou dela. Animais sentem a maldade.

"Que cachorro estúpido!" , Isabella diz, com um falso sorriso. "Ele ainda não se acostumou comigo."

Ela se abaixa e, quando Arthur não está olhando, dá um beliscão forte na orelha de Max. O cachorro solta um ganido de dor e recua, o rabo entre as pernas.

Arthur se vira.

"O que foi, Max? Para com isso. Isabella só quer ser sua amiga."

Ele não vê a crueldade dela. Ele só vê a imagem que ela projeta.

Ela se senta ao lado dele, aninhando-se em seu ombro.

"Sabe, eu estava pensando... poderíamos redecorar o quarto de hóspedes. Deixá-lo mais com a minha cara. O que você acha?"

Ela está, pouco a pouco, apagando cada vestígio meu daquela casa.

Arthur, distraído por seus próprios demônios, apenas concorda com a cabeça.

"Faça o que quiser, meu bem."

Mais tarde, naquela noite, eu o observo na cozinha. Ele prepara um copo de leite morno para Isabella. Ele sabe exatamente como ela gosta: com uma pitada de canela e uma colher de mel.

Ele nunca soube como eu gostava do meu café.

O cuidado que ele dedica a ela, os pequenos gestos, a atenção aos detalhes... tudo isso era o que eu sempre sonhei em receber dele.

E agora, ele entrega tudo a ela, de bandeja.

O amor que um dia foi meu agora tem uma nova dona. E eu fui completamente esquecido, substituído, como um objeto velho que não serve mais.

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