
ALICE - A DESCOBERTA
Capítulo 3
NARRAÇÃO JANAÍNA
Meu corpo está quente demais. Abro meus olhos e estou de cara com um rosto muito familiar, que vem tentando ganhar meu coração. Renato está dormindo feito um bebê. Me assusto com seu ronco alto e esse bebê tem um grave problema nas vias respiratórias. Será que ele sempre ronca assim? Isso pode ser um problema para nós. Tenho sono leve e qualquer coisa me incomodaria. Aposto que ainda é de madrugada e acordei por causa do calor do corpo dele e seu ronco alto. Tento me afastar de seus braços e pernas que estão em torno de mim, para olhar o despertador atrás de mim, mas não consigo. Cada tentativa minha de fugir de seu aperto, é um puxão dolorido que ele me dá.
- Não foge Mamute!
Resmunga ainda dormindo e acho engraçado me chamar assim. Subo minha mão entre o pequeno espaço entre nossos corpos e tento acordá-lo.
- Renato!
Toco seu rosto de leve e ele quase me engole em uma sugada de nariz, que segue com um ronco. Meu Deus! Ele não é nada sexy dormindo. Prefiro olhá-lo acordado que dormindo.
- Acorda meu donzelo!
Digo rindo e vejo um olho dele se abrir.
- Me chamou de donzelo?
Pergunta com cara de sono ao abrir o outro olho.
- Sim! Nessa relação estranha, você é o mocinho em perigo, o donzelo. Eu sou o mamute ou dragão que pode te ferir.
Dá um sorriso fofo e avança com os lábios roncadores para os meus, me roubando um beijo.
- Você é igual o dragão do filme Shrek.
Sussurra em minha boca e belisco sua barriga.
- Ai! Isso doeu.
Empurra meu corpo e deita em cima de mim, sem colocar muito pressão sobre mim. A verdade é que tem uma certa parte acordada dele, com uma bela pressão em uma certa parte minha que está adorando.
- Você disse que era meu mamute ou dragão. Por que me bateu?
- Eu falar é uma coisa. Você dizer é outra bem diferente.
- Seu donzelo em perigo exige que seja menos grosseira. Mereço beijos e um pouco de carinho.
Empurra o quadril para o meu sexo, fazendo ainda mais pressão com seu membro.
- Dragões são bravos e comem cabeças.
- Não me importo que engula uma certa cabeça minha.
Fala safado e sua boca logo está em meu pescoço, beijando e chupando minha pele que queima. Viro minha cabeça para o lado, lhe dando mais acesso e meus olhos focam no despertador.
- Merda!
O empurro de cima de mim e Renato vai para o chão.
- Estamos atrasadas!
************
NARRAÇÃO RENATO
Meu mamute/dragão passa por cima de mim, quase pisando em minhas bolas. Ela realmente não possui qualquer delicadeza ou sutileza e amo isso nela.
- Alice vai perder a escola. Temos cinco minutos para sair de casa.
Corre para todo lado e para lado nenhum ao mesmo tempo, enquanto me levanto do chão. Vai para a porta e a abre.
- Nós vamos perder a hora. Acorda a Alice pra mim enquanto me troco.
Fala quase gritando e entra no banheiro. Se Alice não acordou com essa correria e gritaria da Janaína, deve estar em coma. Vou para o quarto da minha pequena e não encontro Alice em lugar nenhum. Vou para a porta do banheiro.
- Alice não está no quarto dela.
- Embaixo da cama!
- Não está!
- Vê se está comendo na cozinha.
Ando em direção a cozinha e tudo está silencioso demais. A pintinha está aprontando. Entro na cozinha e escuto sussurros, mas não identifico de onde vem. Vou andando e fica mais perto a voz dela. Paro em frente a porta do armário.
- Paolaaaa eles estão perto. Muito perto! Se eu sumir é porque o Batman foi pego.
Quem é Paola? Por que está dentro do armário?
- Coco mole te ajuda a ganhar amor. Lembra disso Paola.
Coco mole? O que essa menina está inventando agora? Abro a porta do armário e vejo um pequeno serzinho descabelado, segurando o celular da Janaína.
- Alice, o que faz no armário?
- Adeus Paola!
Diz com voz de quem vai morrer e me seguro para não rir. Ela tem um olho em mim, outro no celular e aperta o botão.
- Adeus Batman!
É a voz de um homem. Parece muito com a voz do meu irmão Diego.
- Com quem estava falando?
Tento pegar o telefone, mas ela é rápida e o enfia embaixo do bracinho.
- Com meu amigo!
- Sua mãedinda sabe que fala escondida com ele no celular dela?
Seus olhinhos viram olhos enormes.
- Imagino que saiba, já que as mensagens ficam salvas. Deve ouvir tudo isso depois.
Digo para apavorá-la ainda mais. Não pode conversar com estranhos escondida assim.
- Ela escuta minhas conversas? Que coisa feia.
Não acredito que vai tentar mudar o problema todo pra cima da Janaína. Vai se sair de vitima. Essa garotinha tem que ser estudada.
- Tem como apagar as mensagens?
- Por que quer apagar?
Pergunto desconfiado. Alice talvez esteja em perigo falando com esse estranho ou até mesmo expondo o que não deve.
- Por que é algo meu e do Paola.
- Tem coisa ai, Dona Alice!
- Se me ensinar a apagar, te ensino a fazer a mãedinda ficar fofa e fazer o que você quiser.
Opa! Isso me interessa e muito. Amolecer mais o coração do meu lindo dragãozinho seria perfeito. Mas em primeiro lugar a segurança da pintinha.
- Antes de te ensinar, preciso ouvir o que diziam.
- Se ouvir, perde a chance de ter a mãedinda te amando e cuidando de você.
- Isso é chantagem!
- Isso é ser inteligente, tio Renato! E essa coisa de chalanchale não existe.
Deus! Como eu amo essa garota.
- Chantagem! Existe sim e você faz muito.
- Temos um acordo?
Respiro bem fundo e tenho um plano. Vou reenviar as mensagens pra mim, antes de apagar. Assim poderei saber o que conversava com o Paola que ela tanto fala.
- Certo!
Pego o celular e antes que perceba, seleciono tudo e mando pra mim. Mostro as mensagens ainda selecionadas e mostro o botão de apagar. Alice está atenta aprendendo. Depois que ouvir as mensagens e se achar algo estranho, vou avisar Janaína sobre essas conversas escondidas. Se esse Paola estiver fazendo algo de ruim a Alice, vou no inferno atrás dele se preciso for.
- Só me prometa que não vai fazer besteira com esse amigo.
Peço finalizando tudo no celular.
- Ele é chato e me mandou assistir documentário. A única coisa que pode acontecer sendo amiga dele é perder a visão vendo coisa chata na televisão. Ele não assiste novela como a gente.
- Agora me diz o que devo fazer com a mãedinda.
- Ainda está de pijama? Perdemos o dia de aula.
Janaína entra na cozinha brava e atrás de mim. Antes de me virar, vejo uma Alice arteira se transformar em uma Alice murcha e sofredora. Caramba! Ela aprendeu direitinho nas novelas.
- Mãedinda!
Fala manhosa e abaixa a cabeça. Praticamente se rasteja até Janaína e estou impressionado com sua atuação. Quero bater palmas e gritar bravo, mas espero para ver até onde vai esse show.
- Acho que não estou bem.
Leva a mão a testa, como a Soraia Azevedo faz, quando vai desmaiar.
- O que você sente meu amor?
Janaína abaixa e segura seu rostinho que parece despencar de novo.
- Eu não sei!
Isso foi voz de choro? Ando para ver se ela consegue fingir lágrimas também. Caramba! Ela consegue. Olho mais perto e seus olhos estão lacrimejando. Uma belíssima atuação.
- Vem comigo! Vamos para o seu quarto.
Janaína pega Alice no colo e segue para o quarto dela. Não posso perder nenhuma cena desse teatro que Alice montou. Será que é assim que ganho amor dela? Minha dragão coração mole coloca a artista mirim na cama e a cobre. Alisa seu rosto e parece muito preocupada. Alice suspira cansada e ando para o outro lado da cama com ela. Sento ao seu lado e tento fazer cara de doente junto.
- Que cara é essa, Renato?
- Não estou me sentindo bem, também.
Suspiro como Alice e puxo a coberta pra mim, ficando igual a pintinha doente de mentira.
- Não estava assim quando acordou!
- Estava estranho e agora piorou.
Tento forçar lágrimas nos olhos, mas não consigo. Como Alice consegue tão rápido?
- Será que foi a pizza de ontem?
- Pode ser...
Respondo junto com Alice.
- Vou pegar minhas coisas para examinar vocês.
Janaína sai da cama e do quarto.
- Tio Renato, não estraga meu momento.
Tenta me empurrar com sua bundinha da cama, mas não consegue.
- Você disse que me ensinaria a ganhar mais amor da sua mãedinda. Estou vendo se funciona, junto com você.
- Faz outro dia, hoje é minha vez de ganhar amor e não ir pra escola.
- Você já perdeu a hora. Vai ficar em casa e tenho que ficar também. Se estiver doente, Janaína não me manda embora.
- Não me atrapalha.
- E se não der certo essa cena de doença?
- Ai a gente vai para o dejeto.
- O que?
- Dejeto! Não acredito que não sabe o que é isso, tio Renato! Se fosse amigo do Paola aprenderia sobre dejetos.
Quero rir alto, mas me controlo, já que Janaína pode voltar a qualquer momento.
- Se não der certo a carinha, vamos para a operação dejeto. Vamos fazer coco pra mãedinda.
Você pode gostar





