Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Além do Arrependimento Bilionário Dele

Além do Arrependimento Bilionário Dele

Arthur Bittencourt sobreviveu à leucemia, mas o transplante mudou tudo. Alegando uma memória celular vinda do doador, ele se tornou obcecado por Diana, a ex do falecido. Ella vê sua vida ruir enquanto Arthur permite que a intrusa usurpe seu espaço. O auge da crueldade ocorre quando ele arranca o medalhão da falecida mãe de Ella para presentear Diana. Diante dessa traição imperdoável, Ella decide abandonar o noivo e retornar para sua família.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

No dia seguinte, comecei a fazer as malas. Não minhas roupas, mas minhas memórias. Peguei uma grande caixa de papelão e comecei a enchê-la com tudo que me ligava a Arthur.

Fotografias de nós sorrindo em Paris. O chaveiro bobo que ele ganhou para mim em um parque de diversões. O primeiro pincel que ele me comprou, dizendo que acreditava no meu sonho. Cada item era um fantasma.

Eu havia desistido de tanto por ele. Quando sua leucemia foi diagnosticada, coloquei minha carreira artística em espera. Adiei uma prestigiosa residência em Florença para estar ao seu lado. Aprendi a administrar seus medicamentos, a cozinhar as refeições sem graça e estéreis que seu sistema imunológico podia suportar. Tenho até uma pequena cicatriz desbotada no braço de onde me queimei correndo com uma panela de sopa para sua cama quando ele estava fraco demais para se alimentar.

A cicatriz formigou, uma dor fantasma. Era um lembrete de um amor que agora era uma fonte de agonia.

Levei a caixa para a lareira. Acendi um fósforo e o joguei dentro. As fotos se enrolaram, os rostos derretendo. O plástico do chaveiro borbulhou e se deformou. O pincel de madeira enegreceu e virou cinzas.

Observei as chamas consumirem nosso passado. O amor que eu sentia por ele, a esperança que eu tinha para nosso futuro, tudo virou fumaça e subiu pela chaminé, desaparecendo no céu frio de São Paulo.

Ele havia me prometido o mundo. Ele havia me prometido a eternidade. Era tudo mentira? Ou o homem que fez essas promessas simplesmente morreu na mesa de operação, substituído por este estranho cruel usando seu rosto?

Não importava mais. Eu não me importava com o que acontecesse com ele, ou com sua "memória celular", ou com Diana.

Fui até o calendário na parede e arranquei a página. Faltavam vinte e nove dias.

Eu estava saindo.

Naquela noite, Arthur entrou no meu ateliê. Ele me abraçou por trás, o queixo apoiado no meu ombro. "No que você está trabalhando?"

Seu toque fez minha pele se arrepiar. Forcei-me a permanecer imóvel, a não recuar.

"Nada ainda", eu disse, minha voz cuidadosamente neutra. "Apenas pensando."

Ele franziu a testa, sentindo que algo estava errado. "Você tem estado quieta ultimamente, Ella. Está tudo bem?"

"Estou bem, Arthur."

"Eu sei que fui duro sobre o medalhão", disse ele, sua voz um pedido de desculpas baixo. "Mas Diana... ela é tão frágil. Sinto essa necessidade avassaladora de protegê-la. Você entende, não é?"

Virei-me para ele, um sorriso amargo e sarcástico nos lábios. "Claro. É a memória celular."

Ele pareceu aliviado com minha resposta, perdendo completamente a ironia. "Exatamente. Eu sabia que você entenderia. Obrigado por ser tão compreensiva."

Ele beijou minha bochecha. "Vista-se. Vamos ao baile de aniversário do meu avô hoje à noite."

Meu estômago se contraiu. Outro desfile público. "Eu tenho que ir?"

"Sim. É importante. E eu quero você ao meu lado."

Eu sabia o que isso significava. Eu era um adereço. Um tapa-buraco até que Diana estivesse pronta para tomar meu lugar oficialmente.

O baile foi no Palácio Tangará, um evento brilhante de dinheiro antigo e poder. Assim que chegamos, Diana foi cercada. Ela usava um deslumbrante vestido vintage que eu sabia, com certeza, que Arthur havia comprado para ela. Ela parecia perfeita, em todos os sentidos a herdeira imobiliária em formação.

"A Diana! Por sua força e graça!", alguém brindou.

Enquanto levantavam suas taças, Arthur se adiantou. "Não! Ela não pode beber."

Diana deu um pequeno sorriso de mártir. "Não é nada, de verdade. Posso tomar uma taça."

"Absolutamente não", insistiu Arthur, pegando a taça de champanhe de sua mão. "Gabriel não gostaria que você bebesse. Sua saúde é preciosa demais."

Seus olhos então pousaram em mim.

"Ella", ele comandou, sua voz alta o suficiente para que todos por perto ouvissem. "Você bebe por ela."

A sala ficou em silêncio. Todos os olhos estavam em mim. Isso não era um pedido. Era uma humilhação pública.

Lembrei-me de uma vez que tive uma gripe estomacal e Arthur não me deixou tomar nem um gole de vinho, cuidando de mim, fazendo-me chá de ervas com as próprias mãos. Aquela memória era um fantasma agora, me assombrando de uma vida que parecia pertencer a outra pessoa.

Minha mão tremeu quando peguei a taça dele. Bebi de um só gole, as bolhas ardendo na garganta.

Então outro brinde foi feito. E outro. Cada vez, Arthur interceptava a taça destinada a Diana e a entregava para mim. "Beba", ele ordenava.

Bebi até minha cabeça girar e meu estômago queimar. As luzes brilhantes do salão de baile se turvaram. Os rostos dos convidados se transformaram em máscaras grotescas, seus sussurros e olhares se fechando sobre mim.

Afastei-me da multidão, precisando de ar. Cheguei a uma varanda isolada, apoiando-me pesadamente no parapeito. Meu estômago revirou e uma onda de náusea me invadiu. Tossi, e minha mão saiu da minha boca com uma mancha de sangue.

Minha úlcera. O estresse a tinha feito atacar novamente.

Eu estava prestes a voltar para dentro para encontrar um pouco de água quando ouvi suas vozes do outro lado da esquina.

"Você está feliz agora?", Arthur perguntou a Diana, sua voz baixa e íntima.

"Ela foi tão má comigo por causa do medalhão", Diana choramingou. "Eu só queria que ela sentisse um pouco de dor, como eu sinto todos os dias."

"Eu sei, meu amor. Eu sei. Vê-la sofrer por você... é a única coisa que me faz sentir que estou honrando a memória de Gabriel."

Meu sangue gelou. Isso não era sobre memória celular. Não era sobre culpa. Era intencional. Era um castigo sádico e direcionado, projetado para agradar Diana.

"Há mais uma coisa", Diana murmurou, sua mão traçando um padrão em seu peito. "Gabriel tinha uma tatuagem... bem aqui. Um pequeno 'D' de Diana. Toda vez que te vejo, imagino que ainda está lá."

"Não está", disse Arthur, a voz tensa.

"Eu sei", ela suspirou. "Mas se estivesse... seria como tê-lo de volta."

Houve um longo silêncio. Então ouvi a voz de Arthur, cheia de uma determinação aterrorizante.

"Eu posso fazer isso por você."

Ouvi uma inspiração aguda, depois o som de algo afiado rasgando o tecido. Espiei pela esquina.

Arthur tinha um caco de uma taça de champanhe quebrada na mão. Ele havia rasgado a camisa, revelando a pele lisa sobre o coração, onde uma pequena e elegante tatuagem de 'E' para Ella estava. Foi o primeiro presente que eu lhe dei.

Ele pressionou a borda irregular do vidro contra a pele.

"Arthur, não!", Diana gritou, embora seus olhos brilhassem de triunfo.

Ele não ouviu. Ele arrastou o vidro pela pele, cortando a tinta, cortando o símbolo de seu amor por mim. O sangue brotou, escuro e espesso, escorrendo por seu peito. Ele cerrou os dentes, o rosto uma máscara de agonia e êxtase.

"Agora", ele ofegou, a palavra um suspiro rouco. "Agora, este coração só bate por você. Por Gabriel."

Você pode gostar

Capa do romance A bela honestidade
8.0
Após enfrentar anos de intensas adversidades, Naomi passou a acreditar que o destino reservava apenas dor para sua trajetória. Contudo, a vida revela que feridas antigas podem dar lugar a sonhos há muito tempo negligenciados. Embora pertença a uma linhagem de grande poder aquisitivo, ela descobre da maneira mais difícil que a fortuna não é capaz de garantir a plenitude. A verdadeira felicidade reside apenas na honestidade de estar com quem se ama.
Capa do romance Bilionário de Wall stret
8.8
Emma vive para seus gatos e o trabalho, negligenciando sua vida pessoal há tempos. Durante um brunch, sua melhor amiga Kendall a confronta com a dura realidade: Emma se tornou a 'Senhora dos Gatos'. Sem visitar um salão há dezoito meses e sem encontros reais há mais de um ano, a jovem de vinte e seis anos tenta justificar seu isolamento social. Entre crepes caros e conversas sobre veterinários, ela percebe que sua rotina pacata precisa de uma mudança urgente.
Capa do romance Desejo Irresistível por Você
7.8
Nascida em berço de ouro, ela prefere trilhar seu caminho como gerente em uma grande empresa. Após uma noite inesperada com um desconhecido no aniversário de seu namorado, ela foge deixando duzentos e cinquenta dólares para trás. O que ela não sabia é que o rapaz era um CEO influente e famoso conquistador. Ofendido pelo pagamento, ele jura vingança, dando início a um perigoso e sedutor jogo de gato e rato entre os dois.
Capa do romance Do Peão Dele À Rainha Dela
8.4
Helena Ferraz, jornalista rebelde, vivia um romance secreto com o CEO Arthur Monteiro, sem saber que era apenas uma peça em um jogo de dívidas. Arthur a usava para satisfazer Camila, a filha de um aliado político. Após ser humilhada, presa e abandonada em um grave acidente de carro para que ele protegesse a rival, Helena desperta. Decidida a se vingar, ela destrói o império de Arthur e reconstrói sua vida ao aceitar se casar com um bilionário gentil.
Capa do romance Infertilidade e Traição: O Divórcio
8.8
Engenheira dedicada, transformei a PetroVargas em um império, mas no auge da minha carreira fui traída. Pedro, meu marido, interrompeu minha ascensão à presidência ao exibir sua amante grávida, usando meu segredo médico para me humilhar e me rotular como estéril perante todos. Meus sogros me abandonaram enquanto Pedro tentava me despojar de minhas conquistas através de um divórcio cruel. No meio desse caos, uma ligação inesperada do Sr. Montenegro mudou tudo.
Capa do romance Mamãe, não deixe o papai
8.7
Após um encontro acidental há seis anos, Lance, o herdeiro dos Hardwick, perdeu o contato com a mulher que mudou sua vida. Na mesma época, Carly foi expulsa de casa grávida e sem rumo. Agora uma médica renomada, ela reencontra Lance em um hospital, mas o confunde com um perigoso criminoso. Desesperada para proteger os dois filhos de uma má influência, Carly se choca ao ver que os pequenos já criaram um laço inexplicável com o pai biológico.