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Capa do romance ALÉM DE MIM II

ALÉM DE MIM II

Nesta aguardada continuação, o convite é para mergulhar fundo na narrativa sem reservas. Nada precisa ser dito previamente, apenas sentido através de cada página. A jornada propõe que o leitor absorva e compreenda uma nova e importante mensagem central. Com gratidão pelo apoio constante do público, a trama se desenrola de forma envolvente, desafiando a percepção e convidando à reflexão sobre os sentimentos que transcendem o óbvio nesta obra.
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Capítulo 3

BRIGA – Capítulo XIII

Cansado de ficar sozinho no apartamento, André saiu e pensou em andar um pouco pela ilha, mas, ao passar pelo restaurante, viu Renato com Tato e mais alguns rapazes. Pareciam estar se divertindo porque riam muito e alto. Quando ele se aproximou do grupo, Tato, já meio alto, falou:

- Oi, gracinha!

Renato não gostou daquela atitude e ficou sério, mas sabia exatamente o que fazer. Se fosse sua mulher, ele tomaria uma atitude drástica, mas André definitivamente não era sua mulher.

André não levou em conta o que Tato fez e olhou para Renato:

- Posso falar com você, Renato?

- Agora não dá... Renato respondeu, tentando parecer normal.

- Tudo bem.

- Uma perfeita Amélia, falou Tato. – Se conforma fácil, não?

- Tato, para com isso... Renato interferiu.

- Você está defendendo ele?

André afastou-se, mas Tato quis provocar ainda mais.

- Aonde você vai, bonequinha? Não vai dar satisfação ao seu amor, não?

O rapaz voltou-se lentamente e se aproximou dele. Olhou bem em seus olhos e lhe desferiu um forte soco no queixo.

A briga estava armada e iria longe, se alguns dos rapazes não tentassem apaziguar, separando Renato e André de Tato, que estava por baixo. Felizmente dois dos rapazes estavam do lado da dupla e tudo cessou em instantes, mas Tato esbravejava, seguro por um deles.

- Mariquinha de uma figa! - ele gritava, enquanto era levado para dentro do hotel. – Você me paga, bixinha!

- Você está legal, Renato? – perguntou outro rapaz que havia aparecido depois atraído pela confusão e conhecia os dois.

- Estou. Acho melhor a gente voltar pro quarto, André, ele falou, segurando o braço do rapaz.

André tirou o braço da mão dele e disse:

- Vá você. Eu já fiquei demais lá sozinho.

E afastou-se. Renato estranhou aquela reação, mas sabia que ele tinha razão de sobra para fazer aquilo. Novamente se sentiu culpado e percebeu que o melhor mesmo era aceitar as condições que a situação lhes impunha.

André andou pela praia por muito tempo e não conseguia parar de chorar. Ao mesmo tempo em que sentia raiva de Renato, sentia orgulho de si mesmo por ter podido se defender das ofensas de Tato com as próprias mãos. Ser homem tinha suas vantagens de vez em quando.

Quando se acalmou, voltou ao hotel, já ao anoitecer. Quando passou pela portaria, dois dos rapazes que haviam apartado a briga no restaurante vieram ao seu encontro e ele imaginou que fosse haver mais encrenca. Esperou.

- A gente queria falar com você.

- Olha, se é por causa da briga, eu...

- Não, não, a gente não veio brigar mais. Meu nome é Ricardo e esse é o Caio. Nós só queríamos dizer que estávamos com o Tato na hora da briga, mas não concordamos com o que ele fez com você. A gente aqui não costuma reprimir esse tipo de coisa. Nem sabemos por que ele fez aquilo. Ele devia estar um pouco alto e não mediu as palavras. Pela amizade que a gente tem pelo Renato e pelo seu irmão Lúcio... pedimos desculpas por ele. Desconsidera, tá?

André mal podia acreditar no que ouvia e sorriu.

- Obrigado. Não vou me esquecer disso... nem da briga.

Os rapazes riram.

- Você tem um bom soco, cara! – falou Caio. – Que punho! Quase tirou o queixo do Tato do lugar.

- Falta de prática... ele brincou. – Espero que ele não tenha ficado muito zangado.

- Está, mas passa. O Tato é gente boa. Quando ele acordar do porre, vai doer mais quando ele descobrir como estava errado. Ele realmente não estava em si. Bom, até mais então. A gente se vê por aí.

- Obrigado novamente.

Os rapazes afastaram-se. Ainda mais orgulhoso, embora abismado, André olhou para a própria mão e riu. Subiu para o quarto.

Quando entrou, Renato apareceu na porta da cozinha com uma pedra de gelo sobre o lábio inferior.

- Onde foi que você andou?

André riu do jeito dele, mas acabou aproximando-se dele, preocupado.

- Você está legal? Deixa eu ver isso...

- Ah, deixa! – Renato falou, afastando-se dele bruscamente.

André não ligou. Deu de ombros e foi para o quarto. Trouxe uma caixinha de primeiros socorros e falou, indicando o sofá.

- Senta aqui.

- Pra quê?

- Deixa eu ver isso aí. Pode infeccionar. Vem.

Renato sentou-se no sofá e André começou a fazer o curativo no corte que ele tinha debaixo do lábio.

- Você nem se machucou...

- Sorte de principiante, disse, colocando mercúrio no ferimento.

Renato sentiu dor.

- Ai! Cuidado!

- Desculpa.

- Andy...

- André! E fica quieto senão eu não posso botar o curativo.

Renato se calou, ainda olhando para o rapaz. Com cuidado, ele colocou o band-aid e concluiu seu trabalho.

- Pronto! Novo em folha! Pronto pra outra... ele disse, com uma risadinha sarcástica.

- Para um cara, você ainda tem a mão muito leve... observou Renato.

- Não enche! – ele disse, apanhado a caixinha de primeiros socorros e levando-a de volta ao quarto.

Renato o seguiu.

- Você ainda quer que eu volte pra São Paulo?

André pensou por um momento, respondendo:

- Não... Não necessariamente. Você faz o que você quiser. Depois dessa... confusão toda lá embaixo, acho que, pelo menos um pouco de respeito eu já conquistei... como André pelo menos. Eu sou um homossexual respeitado na ilha. O Ricardo e o Caio estão do meu lado. E o Tato vai acabar me aceitando.

- E a Paula?

- Que tem a Paula?

- Ela te aceita?

- Faz diferença?

- Claro que faz! Eu ainda prefiro que ela te ache afeminado ou coisa parecida.

- Eu cuido disso.

- Toma cuidado, And... dré...

- Você também. Vamos dormir? O dia hoje já deu o que tinha que dar.

ALÉM DE MIM

BRIGA - CAPÍTULO 13

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