
Além das fronteiras do coração
Capítulo 3
A primeira semana de Isabela na Kingston & Co. Publishing havia sido intensa, mas produtiva. Aos poucos ela se ajustava ao ritmo acelerado e exigente da editora, sempre mantendo o foco em dar o seu melhor. Ethan Dave, continuava sendo uma presença constante e imponente, era criterioso e detalhista, observava cada movimento e cada decisão que ela tomava. E embora a relação entre eles fosse estritamente profissional, Isabela não podia negar o efeito que ele começava a ter sobre ela.
Ela se pegava, vez ou outra, admirando-o mais do que deveria. A maneira como seus olhos azuis acinzentados pareciam penetrar sua alma, a postura impecável e o jeito quase predatório com que ele se movia pelo escritório... tudo isso a deixava inquieta. Ethan era lindo de uma forma que ela não esperava de um homem tão contido, havia algo magnético em sua seriedade, um mistério que ela sentia desejo de desvendar.
Por outro lado, Ethan, sempre analítico e reservado, também não era indiferente à presença de Isabela. Ele se impressionava cada vez mais com a habilidade dela de se adaptar ao caos do escritório, sua inteligência afiada e a organização meticulosa. Havia algo em sua confiança discreta e no sorriso caloroso que o desarmava. Com o tempo, Ethan passou a notá-la de forma diferente, reparou alguns aspectos mais sutis, a maneira como seus olhos brilhavam quando conversava sobre algum livro ou projeto interessante, ou o leve toque de nervosismo que ela tentava esconder quando ele a observava por tempo demais.
Naquela sexta-feira, ao fim de uma semana exaustiva, Isabela foi surpreendida por um convite da equipe para um happy hour no pub local. Ela hesitou por um instante, mas acabou aceitando. Afinal, se enturmar com os colegas era importante. O local escolhido ficava na rua da editora, era um pub tradicional inglês, com luzes baixas e paredes de madeira escura. Isabela chegou um pouco atrasada, e o clima já estava animado. Tom, James e Emily riam enquanto contavam histórias do cotidiano da editora, e Claire já havia pedido uma rodada de bebidas.
- Que bom que você veio, Isabela! – disse Tom, acenando para ela. – Isso aqui– Isso aqui não é a mesma coisa sem a nossa nova colega.
Ela sorriu, agradecida pela acolhida calorosa, e logo entrou no clima da conversa. A noite parecia que seria leve e descontraída, até que, de repente, a porta do pub se abriu e Ethan Dave entrou. Um silêncio breve tomou conta do grupo. Ethan raramente participava desses eventos sociais, o que tornava sua presença uma surpresa. No entanto, a equipe logo retomou o ritmo habitual, como se fosse algo normal.
Isabela, por sua vez, sentiu o coração acelerar. Ele estava vestido de forma mais leve, sem o terno e gravata e com os dois primeiros botões de sua camisa abertos, com as mangas arregaçadas, dando um ar menos formal, mas ainda assim intimidador. Ele trocou algumas palavras rápidas com Tom e Jaime, pegou uma cerveja e se aproximou do grupo, sentando-se em uma cadeira próximo a Isabela.
Ela sentia o peso de sua presença, mesmo que ele não a estivesse olhando diretamente. A conversa fluía, mas Isabela se sentia distraída para o assunto, porém estava ciente de cada movimento de Ethan, de como ele parecia à vontade, mas ao mesmo tempo inacessível. Em determinado momento, seus olhares se cruzaram. O azul-cinza de seus olhos encontrou o dela por um instante que pareceu mais longo do que realmente foi. Isabela sentiu um calor percorrer seu corpo, uma onda de desejo que a deixou desnorteada e assustada, pois apenas um olhar a deixou molhada e querendo descobrir mais. Ele sorriu levemente, algo que ela nunca havia visto no escritório, e logo voltou sua atenção para outra parte da mesa.
Aquela troca de olhares foi suficiente para mexer com os nervos de Isabela. Por que ele tinha que ser tão bonito? E por que ela não conseguia parar de pensar nele? Ela não queria se distrair com nada disso, esse não era o propósito de sua mudança de país. Não sabia nem se ele era solteiro e mesmo assim, ele não saía de seus pensamentos.
Enquanto a noite avançava, Ethan continuava interagindo com o grupo, mas seus olhos frequentemente voltavam para Isabela. Ele a observava rindo com os colegas, os olhos brilhando sob a luz suave do pub. Havia algo na maneira como ela ocupava o espaço, sem esforço, que o intrigava profundamente. Ele sabia que havia uma linha tênue entre o profissional e o pessoal, e que cruzá-la seria perigoso. Mas ao mesmo tempo, não conseguia evitar a crescente curiosidade.
Perto da meia-noite, o grupo começou a se dispersar. Ethan se levantou e, com um último olhar para Isabela, despediu-se de todos. Isabela observou-o sair, sentindo-se dividida entre o alívio e excitação. O ar da noite estava frio, porém ela decidiu caminhar até o apartamento, esfriando um pouco o turbilhão de emoções que se agitava dentro dela.
A semana havia terminado, mas o jogo entre ela e Ethan estava apenas no início. Ela sabia que, de alguma forma, aquele homem de olhares intensos e presença imponente faria parte de seus dias. E, ansiava por isso, mesmo sem saber onde aquilo a levaria.
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