
Além das Cinzas
Capítulo 2
Cedo na manhã seguinte, o avaliador de joias bateu à porta.
Depois que Evelyn entregou os itens, ela se virou e viu Aidan parado atrás dela.
Seu rosto escureceu. "Você vendeu tudo o que eu te dei?"
Os cílios de Evelyn tremeram. Claro que ela vendeu—eram o que ele lhe devia. "Não, enviei para manutenção."
Aidan suspirou aliviado e estendeu a mão para acariciar sua cabeça. "Você me deu um susto. Pensei que você não gostasse dos meus presentes."
Evelyn sutilmente evitou o toque dele. Era o aniversário de morte do seu pai, e em três anos, Aidan nunca a acompanhou para prestar respeito.
Ela uma vez pensou que ele ressentia seu pai, mas agora sabia que ele provavelmente tinha medo de enfrentá-lo.
"Aidan, hoje é o terceiro aniversário da morte do meu pai. Você virá comigo visitar o túmulo dele?" Ela olhou nos olhos dele, buscando qualquer traço de remorso. Se ele sentisse uma ponta de culpa, ele iria ao túmulo de seu pai, se ajoelharia e pediria desculpas.
Aidan percebeu algo diferente em Evelyn naquele dia. Ela nunca tinha feito tal pedido antes. Vendo a tristeza em seus olhos, ele não conseguiu recusar. "Está bem, eu irei com você."
Jonny estava enterrado perto de um pequeno rio nos subúrbios, o mesmo lugar onde Evelyn conheceu Aidan pela primeira vez.
Naquela época, Aidan e seus colegas estavam desenhando nos subúrbios quando ele escorregou no rio transbordando pela chuva. Jonny e Evelyn passaram por ali e o salvaram.
Para demonstrar gratidão, os Harrisons contrataram Jonny como motorista e providenciaram para que Evelyn frequentasse a escola de Aidan, cobrindo todas as suas despesas escolares.
Foi quando Evelyn se apaixonou por Aidan.
Ela olhava pela janela, cheia de arrependimento. Se pudesse escolher novamente, teria impedido seu pai de salvar Aidan. Mas a vida não dá segunda chance.
Aidan, lembrando do passado, ficou sério. Evelyn falou suavemente. "Aidan, como você caiu no rio naquele ano?"
Um sorriso surgiu em seus lábios. "Meu colega insistiu que eu pegasse um sapo para ele. Perdi o equilíbrio e caí. Felizmente…"
Ele parou abruptamente, olhando para Evelyn. Seus olhos estavam vermelhos, seus lábios curvados em um leve desdém. "Então você ainda se lembra."
O coração de Aidan deu um salto, percebendo que deveria estar amnésico e não deveria se lembrar de tais detalhes. "Meus colegas mencionaram isso em uma reunião. Como eu lembraria disso?"
Seus olhos desviaram nervosamente, evitando o olhar de Evelyn.
Um amargor subiu em sua garganta. Se ele se lembrasse da bondade de seu pai naquela época, não teria deixado ele morrer.
Um toque de telefone interrompeu o silêncio.
Talvez o carro estivesse quieto demais, ou o telefone de Aidan estivesse muito alto, mas Evelyn ouviu a voz animada de Dayna do outro lado. "Aidan, voltei mais cedo! Estou no aeroporto. Você pode vir me buscar?"
Um sorriso carinhoso iluminou o rosto sombrio de Aidan. "Claro, espere por mim."
Evelyn observou a expressão dele mudar, seu coração se retorcendo como uma faca.
Aidan desligou e percebeu que ela estava olhando. Ele falou de forma constrangida. "Desculpe, querida, há um assunto urgente na empresa. Tenho que voltar."
A decepção de Evelyn feriu, mas ela assentiu com um sorriso amargo. Claro, um homem morto não podia se comparar à sua noiva.
"Estamos perto do cemitério. Vou pedir ao motorista para te deixar e você pode caminhar o resto do caminho. Vou preparar algo delicioso para você esta noite, está bem?" Aidan beijou sua bochecha e a fez sair do carro.
Evelyn esfregou com raiva o lugar onde ele a beijou até sua bochecha arder de dor, então parou.
Alguns passos depois, um raio cortou o céu, seguido por uma chuva torrencial. O carro de Aidan desapareceu na chuva.
Coberta de lama, Evelyn ajoelhou-se diante do túmulo de seu pai.
Ela abraçou a lápide, seu coração pesado de tristeza, mas nenhuma lágrima caiu. "Papai, estou indo embora. Talvez eu não visite com frequência, mas confie em mim, farei Aidan se ajoelhar diante de você e confessar."
No caminho de volta, Claire contatou o melhor escritório de advocacia da cidade. "Preciso do melhor time para me ajudar a lutar por um caso. Diga seu preço."
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