
Ainda lembra de mim?
Capítulo 3
"Thalia, está ventando lá fora. Apresse-se e traga sua irmã... Ah, Adam, você também está aqui." A Sra. Cloude tinha percebido que as duas não haviam entrado na casa. Estava preocupada que Agnes pegasse um resfriado depois de receber alta do hospital, então foi ver como ela estava.
Mas no momento em que viu Adam, revirou os olhos e disse: "Thalia, por que você não me avisou antes que Adam vinha com você?".
"Mãe, eu..."
Thalia ia se explicar, mas Agnes a interrompeu.
"Mãe, o Dam está aqui para me ver. Se você continuar parada na porta bloqueando o caminho, ele vai presumir que não é bem-vindo!"
A Sra. Cloude saiu de seu devaneio. Sem se incomodar com formalidades, rapidamente os conduziu para dentro da casa.
Thalia congelou e observou Adam levar Agnes. Os dois conversavam em voz baixa e gentil. Ela de repente ficou sem palavras.
Sorriu, triste, e falou: "Mãe, estou me sentindo mal. Não posso jantar com vocês. Vou para casa".
A expressão facial da Sra. Cloude escureceu um pouco. "Você pode parar de fazer rebuliço?"
Thalia pensou, 'Fazer rebuliço?'
Ela estava fazendo rebuliço?
Seus olhos ficaram vermelhos e lacrimejantes.
"Mãe, Adam é meu marido, não de Agnes!"
Ela também era filha biológica da mãe, que sempre favorecia Agnes e ignorava seus sentimentos.
A senhora a encarou. Suspirou e disse: "Thalia, eu sei que você está chateada, mas Agnes perdeu a capacidade de andar. Além disso, ela não vê Adam há três anos. Não consegue ter um pouco de pena dela?".
"Pena dela? Mãe, quem vai ter pena de mim, então? Adam é meu marido. Por que eu deveria deixar que ele o roube de mim?", Thalia mordeu o lábio e respondeu.
"Roubá-lo?" A voz da Sra. Cloude tornou-se subitamente aguda. "Se não fosse por você, Agnes e Adam estariam casados agora!"
Thalia olhou para a própria mãe em descrença. "Mãe, do que você está falando? Estou com Adam há muito tempo. Se você não tivesse ajudado Agnes a esconder a verdade, por que eu teria que..."
"Tudo bem, tudo bem!"
A mãe a interrompeu com raiva: "Não sei por que você fica falando sobre essas coisas mesquinhas o tempo todo! Agnes finalmente voltou para casa hoje. Se você tem mais alguma coisa a dizer, pode falar depois do jantar. Entre!".
Antes que Thalia pudesse refutar, a Sra. Cloude se virou e saiu.
Ela observou a mãe enquanto se afastava. Mordeu o lábio e entrou na casa, no final das contas.
Pensou: 'Tudo bem, tanto faz...'.
Seria sua última visita. Depois disso, não precisaria mais aturá-los.
Quando entrou, viu Agnes e Adam sentados em um lado da mesa de jantar, enquanto seu pai e sua mãe estavam sentados à frente deles.
Pareciam dois casais.
Pensou, 'E eu?'.
Ela se aproximou devagar e se sentou sozinha em uma das pontas da mesa. Não havia nem mesmo utensílios na frente dela para que pudesse comer.
"Sra. Weigh, pegue um par extra de talheres",
Agnes pediu à governanta. Então, olhou para Thalia se desculpando. "Irmã, você não vem em casa há três anos. Todos presumiram que não viria desta vez. Não fique chateada. Aqui, coma isso. É a sua comida favorita, carpa assada."
Agnes colocou um pedaço de peixe no bowl da irmã.
Thalia olhou para o peixe e ficou com vontade de chorar. "Eu não gosto de peixe."
Ela nunca tinha gostado de peixe. Quando era criança, seus pais favoreciam Agnes, e a comida preferida dela era carpa cozida.
Para agradar os pais, Thalia lhes dissera que sua comida favorita era a mesma da irmã mais nova.
Por isso, a família Cloude comia peixe todos os dias.
Mas, Thalia não sabia como lidar com as espinhas de peixe. Então, após cada refeição, ela se escondia no banheiro e tirava os espinhos presos em sua garganta com lágrimas no rosto.
Depois de todos esses anos, tinha se cansado de fingir.
Ao se lembrar da infância, percebeu que realmente não valia a pena se dar ao trabalho de tentar cair nas graças dos pais ao agradar Agnes. Não valia a pena!
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