
Adeus, Segunda Opção
Capítulo 2
Quando o meu noivo, Léo, finalmente chegou, a minha avó já tinha sido levada pela ambulância.
Ele correu para dentro do restaurante, com o cabelo molhado e as roupas amarrotadas.
"Meu amor, desculpa, desculpa, desculpa! A Bia teve uma crise de ansiedade terrível, não a podia deixar sozinha."
Ele agarrou os meus ombros, a sua respiração pesada e cheia de pânico.
Olhei para ele, para o seu rosto bonito e ansioso.
Depois olhei para a sopa de marisco derramada no chão, a mesma sopa que a minha avó, com as suas mãos trémulas, tinha preparado para ele.
Ela queria conhecer o homem com quem eu ia casar.
Ela esperou por ele durante três horas.
Durante essas três horas, ele estava a consolar a sua ex-namorada.
"Léo," eu disse, a minha voz soava estranha aos meus próprios ouvidos, "A avó foi para o hospital."
O pânico no rosto dele transformou-se em choque. "O quê? Como? Ela está bem? Porque não me ligaste?"
"Eu liguei. Vinte e seis vezes."
Ele tirou o telemóvel do bolso. O ecrã estava rachado.
"Desculpa, o meu telemóvel caiu enquanto eu tentava acalmar a Bia. O ecrã ficou preto, não vi nada."
Ele parecia sincero, mas as suas palavras não me tocaram.
"Vamos para o hospital agora," ele disse, puxando a minha mão. "Vou explicar tudo à tua avó, vou pedir-lhe desculpa."
"Não é preciso," eu disse, puxando a minha mão de volta. "Vamos acabar tudo."
O corpo de Léo ficou rígido. Ele olhou para mim, incrédulo.
"O quê? Inês, estás a brincar? Por causa disto? Eu sei que errei, mas a Bia precisa de mim! Ela não tem ninguém!"
"E a minha avó?", perguntei. "Ela tem 82 anos. Ela cozinhou para ti. Ela esperou por ti. Ela desmaiou à minha frente, Léo."
"Eu não sabia que isso ia acontecer!", ele gritou, a sua frustração a explodir. "Achas que eu queria isto? A Bia estava a ter um ataque de pânico! Ela podia ter morrido!"
A sua voz ecoava no restaurante vazio.
"Ela tem uma vida tão difícil, Inês. Tens de ter um pouco de compaixão."
Compaixão.
Era sempre sobre a compaixão pela Bia.
A minha própria dor, a minha própria preocupação, nunca pareciam importar.
"Ok," eu disse calmamente. "Então vai ter compaixão por ela. Mas eu e tu, acabou."
Virei-me e comecei a andar.
"Inês!", ele gritou atrás de mim. "Vais mesmo deitar fora cinco anos por causa de um capricho? Pensa em tudo o que passámos! Pensa no nosso futuro!"
Eu parei, mas não me virei.
O nosso futuro. Um futuro onde eu seria sempre a segunda opção.
"Estou a pensar," disse eu. "E não o quero."
Continuei a andar, deixando-o ali, no meio da confusão que ele criou.
O meu telemóvel tocou. Era a minha mãe.
"Inês, onde estás? A tua avó acordou. Ela está a perguntar por ti e pelo Léo."
"Estou a caminho, mãe. Sozinha."
Houve um silêncio do outro lado.
"O que aconteceu?"
"Depois explico."
Desliguei e chamei um táxi. O hospital não era longe, mas as minhas pernas pareciam feitas de chumbo.
Eu tinha amado o Léo. Tinha mesmo.
Mas o amor não devia ser assim. Não devia fazer-me sentir invisível.
A Bia. A sua ex-namorada frágil e desamparada.
Ele disse que eram apenas amigos, que ele só se sentia responsável por ela.
Mas a responsabilidade dele por ela parecia sempre anular a sua responsabilidade por mim.
Cheguei ao hospital e encontrei a minha mãe no corredor. Os seus olhos estavam vermelhos.
"Ela está estável. Foi uma queda de tensão, o médico disse que foi causada por stress e cansaço."
Assenti, sentindo um peso a sair dos meus ombros.
"Onde está o Léo?", ela perguntou suavemente.
"Nós acabámos."
A minha mãe não pareceu surpreendida. Ela apenas me abraçou com força.
"Foi por causa da Bia, não foi?"
Não respondi. Não precisava. Ela já sabia.
Ficámos ali abraçadas por um momento, até que o telemóvel da minha mãe tocou.
Ela olhou para o ecrã. "É a mãe do Léo."
Ela hesitou, depois atendeu.
Imediatamente, a voz irritada de Sofia, a mãe de Léo, encheu o corredor silencioso.
"Helena! O que é que a tua filha fez ao meu Léo? Ele chegou a casa devastado! Acabar tudo por uma coisinha de nada? Ela não tem coração? O Léo só estava a ajudar uma amiga necessitada!"
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