
Acordos e Corações: Uma Segunda Chance
Capítulo 3
As semanas transformaram-se em meses.
A minha vida na mansão Almeida era uma rotina monótona.
Acordava, tomava o pequeno-almoço em silêncio com a Dona Helena, que me olhava sempre como se eu fosse uma deceção.
O Lucas saía cedo para a empresa, a empresa que antes era do meu pai, e voltava tarde. Mal nos falávamos.
Ele dormia no seu quarto, eu dormia no meu. Éramos estranhos a viver sob o mesmo teto.
A única coisa que a Dona Helena me perguntava todos os dias era:
"Já estás grávida?"
E todos os dias, a minha resposta era a mesma.
"Não."
O seu rosto endurecia ainda mais.
"Para que é que serves, então? Comprei-te por uma razão. Cumpre a tua parte do acordo."
Eu não respondia. Apenas baixava a cabeça e continuava a comer.
Uma noite, o Lucas chegou a casa mais cedo do que o habitual. Ele parecia ter bebido.
Entrou no meu quarto sem bater.
Eu estava a ler na cama. Assustei-me.
"O que estás a fazer aqui?"
Ele cambaleou até à cama e sentou-se. O cheiro a álcool era forte.
"A minha mãe não para de me pressionar," disse ele, a sua voz arrastada. "O neto. O herdeiro. É tudo o que ela quer saber."
Ele olhou para mim, os seus olhos turvos.
"Temos de fazer isto, Lia. Temos de lhe dar o que ela quer."
O meu coração começou a bater mais depressa.
"Lucas, eu não..."
Ele não me deixou terminar. Agarrou-me pelos ombros. A sua força surpreendeu-me.
"Não temos escolha. Tu sabes disso. Foi este o acordo."
Naquela noite, ele cumpriu a sua parte do acordo.
Foi rápido, mecânico e sem qualquer emoção.
Quando terminou, levantou-se e saiu do meu quarto sem dizer uma palavra.
Fiquei deitada na escuridão, a sentir-me vazia e suja.
As lágrimas escorriam silenciosamente pelo meu rosto.
Isto não era um casamento. Era uma transação comercial, e eu era o produto.
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