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Capa do romance Acompanhante de casamento

Acompanhante de casamento

Dois anos após ser humilhada no altar, Erin reencontra Retty, um stripper atraente que conheceu em uma situação bizarra. Embriagada, ela o contrata para acompanhá-la ao casamento da irmã. O plano é provar ao ex-noivo, Liam, que ela seguiu em frente. No entanto, enquanto enfrenta o passado e pedidos de perdão, Erin luta contra o desejo por Retty, que guarda um segredo. Agora, ela deve lidar com sentimentos reais em meio a uma farsa na sua cidade natal.
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Capítulo 3

Insegura, constrangida e comum. Eram exatamente esses três adjetivos que me definiam perfeitamente.

Eu podia até ser uma fera quando o assunto era negócios, mas se tratando da minha vida pessoal, eu era uma completa sem noção.

Eu não tinha o corpo escultural e perfeito e muito menos o porte físico de uma gostosona. Na verdade estava mais para o porte físico de alguém que adora chocolate e sente um número aumentado toda vez que sai pra comprar um jeans novo.

Eu não tinha a menor ideia sobre o que vestir e agora me olhando no espelho, me senti completamente insegura sobre o minúsculo vestido que estava usando. Ele não era tão apertado, desses que você não consegue dar mais de dois passos sem ter que se ajeitar o tempo todo, mas era curto e deixava minhas pernas grossas de fora e isso de certa forma me incomodava, já que eu não era acostumada a usar esse tipo de roupa o tempo todo... mais pelo menos era preto.

Tentei fazer alguma coisa diferente do liso sem graça nos cabelos seguindo algum tutorial maluco no youtube, mas acabei com um ninho na cabeça. Então prendi os cabelos num rabo de cavalo e fiz uma make basiquinha. No fim das contas, ainda era eu dentro de um micro vestido de alças finas.

— Não diga nem uma palavra sobre isso — eu resmunguei assim que entrei no carro da Sarah, enquanto ela me observava com um sorriso exagerado.

— Tá gata hein! — ela ignorou meu pedido dando partida — E que pernocas meu amor!

— Vai logo — revirei os olhos.

— Você deveria sair mais com a gente, sabia? Quando foi a última vez?

— Sei lá, tem uns dois anos, eu acho.

— Caralho, Erin! Não vou nem perguntar quando foi seu último encontro.

— Faça isso amiga, não pergunte!

— O que eu quero saber é se isso aí embaixo ainda funciona? — ela tirou os olhos da estrada e apontou para o meio das minhas pernas.

— Cala a boca! — nós rimos juntas.

— Só espero que pelo menos esteja usando uma lingerie decente, nunca se sabe com quem vai voltar pra casa — ela disse entrando em um estacionamento.

— Como assim? Achei que ia voltar pra casa com você.

— Ah tá, vai sonhando. No lugar que a gente tá a última pessoa que eu quero voltar, meu amor é com você, sem ofensa.

— O que quer dizer com isso? Onde a gente tá? — perguntei, seguindo Sarah pelo corredor mal iluminado, que dava acesso a uma porta grande de metal e assim que foi aberta, pude ouvir a música eletrônica alta, show de luzes que quase me cegaram e gritinhos histéricos de um bando de mulher tarada.

— Mais que porra é essa?... — sussurrei assim que me dei conta de onde estávamos.

— Bem vinda ao paraíso! — Sarah gritou toda animada, dando pulinhos de alegria.

— Não, não e não!! — eu dei meia volta, tentando sair do lugar, mas fui impedida por nossas colegas alucinadas, correndo em minha direção, gritando como um bando de crianças em um parque de diversão.

— Meu Deus é a Erin — uma delas gritou .

— Não acredito que você veio! — Leah, a noiva berrou, se lançando ao meu pescoço.

Foi uma loucura, todas elas falando ao mesmo tempo, a música ensurdecedora, as luzes e depois uma fumaça quase tóxica de algum show que estava prestes a começar.

Sarah me agarrou pelo braço e então seguimos as meninas eufóricas para uma mesa perto do palco e assim que me sentei ao seu lado, tive que berrar para poder ser ouvida.

— Por acaso isso é parte de algum plano idiota pra me arranjar uma transa?

— Credo, Erin. Relaxa! É só um clube — ela respondeu sem tirar os olhos do gostosão que se apresentava com um traje de cowboy.

— Porque não me disse que viríamos aqui?

— Onde acha que acontecem as despedidas de solteiro?

— Eu não cheguei a ter uma, mas com certeza não seria aqui — eu disse, enquanto ela assobiava e aplaudia o cowboy freneticamente — Sei, lá, na balada, dançando?

— Não em Nova York, baby — ela deu uma chacoalhada nos peitos que quase saltaram na minha cara, através do decote exagerado que deixava meu vestido no chinelo. Pelo menos me fez sentir melhor com minhas pernas grossas de fora.

Clubes, baladas e boates, eu odeio todos na mesma intensidade.

Lugares cheios, gente se esfregando, corpos suados, luzes reluzindo nas paredes em sincronia com a música alta que faz seus tímpanos sangrarem... é tudo horrível! Mas o pior disso, sou eu, a pessoa que não sabe nem fingir que está se divertindo. Eu até tentei dar uns sorrisos, bater palmas, juro que até dei uns gritinhos histéricos, mas se gostar de balada já era difícil, imagina de um clube das mulheres? Era uma apresentação mais bizarra que a outra, um deles até incorporou o Rocky Balboa com seus golpes de boxe. Eu tinha que admitir que pelo menos eles eram criativos.

Eu sei que não deveria, mas tudo o que desejava depois da décima apresentação, era sair correndo dali. Pode até ser que a Sarah e as meninas estavam cheias de boas intenções (ou não) quando me trouxeram pra cá, mas eu realmente me sentia como um peixe fora d'água.

Em uma determinada altura da noite, parte das minhas amigas já haviam subido no palco para se esfregar em algum bonitão. Minha cabeça doía só de pensar em ter algum saradão me chamando para dançar. Metade das mulheres ali esperam por isso a noite inteira, eu porém só desejava ir pra casa e me jogar na cama.

Aquela música alta, misturada as margaritas que estava bebendo quase fazia meus miolos estourarem, eu só precisava achar um jeito de escapar dali bem rapidinho.

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