
Abandonada pela família e Salva pelo Multimilionário
Capítulo 3
Safira ficou parada na entrada da mansão.
As palavras de Matteo ainda ecoavam em sua mente.
Sua vida corre perigo.
Sua família te abandonou por um motivo.
Nada fazia sentido.
Nada.
Ela apertou as alças da mochila como se aquilo fosse a única coisa familiar em todo aquele lugar.
- Isso é algum tipo de brincadeira cruel? - perguntou, desconfiada.
Matteo a observou em silêncio.
Seu rosto permanecia frio, quase ilegível.
- Eu não costumo brincar.
Safira soltou uma risada nervosa.
- Ótimo. Isso definitivamente não me tranquiliza.
O comentário arrancou um olhar quase divertido dele.
Quase.
Matteo virou-se e entrou na mansão.
Sem muitas opções, Safira o seguiu.
Assim que cruzou a porta, quase perdeu o fôlego.
O interior era ainda mais impressionante.
Lustres enormes.
Escadarias curvas.
Piso brilhante.
Quadros sofisticados.
Tudo parecia absurdamente caro.
Safira sentiu vergonha ao olhar para suas próprias roupas desgastadas.
Parecia sujeira naquele ambiente.
Uma mulher elegante surgiu imediatamente.
Devia ter cerca de cinquenta anos, postura impecável e expressão gentil.
- Senhor Castellani - cumprimentou ela.
Então seus olhos pousaram sobre Safira.
Por um segundo, algo mudou em sua expressão.
Choque.
Surpresa.
Como se tivesse visto um fantasma.
- Meu Deus... - murmurou a mulher.
Safira franziu a testa.
- O quê?
A mulher rapidamente recuperou a postura.
- Desculpe. Nada.
Nada?
Claramente não era nada.
Safira lançou um olhar desconfiado para Matteo.
- Todo mundo aqui age como se me conhecesse.
- Porque conhecem.
Ela ficou irritada.
- Pode parar de falar em enigmas?
Matteo ignorou.
- Helena, prepare um quarto para ela.
A mulher assentiu.
- Sim, senhor.
- Espera aí - Safira interrompeu. - Eu não vou subir para quarto nenhum antes de receber respostas.
Matteo suspirou lentamente.
Como se sua paciência estivesse sendo testada.
- Você receberá respostas.
- Quando?
- Agora.
Safira sentiu o coração acelerar.
Matteo caminhou até um escritório no fim do corredor e abriu a porta.
Fez sinal para que ela entrasse.
O ambiente era amplo, sofisticado e dominado por tons escuros.
Uma enorme mesa de madeira ocupava o centro.
Estantes cheias de livros cobriam as paredes.
Matteo fechou a porta atrás deles.
Safira imediatamente ficou alerta.
- Relaxe. Eu não vou te atacar.
- Que bom, porque isso seria péssimo para sua reputação.
Matteo soltou um breve suspiro pelo nariz.
Talvez uma tentativa de não rir.
Safira ainda não entendia como aquele homem conseguia parecer tão intimidador até respirando.
Ele caminhou até uma gaveta.
Retirou uma pasta preta.
Colocou sobre a mesa.
- Sente-se.
Safira permaneceu em pé.
- Prefiro ficar assim.
Matteo não insistiu.
Abriu a pasta lentamente.
Dentro havia documentos.
Fotos.
Papéis antigos.
Safira sentiu um frio percorrer sua espinha.
- O que é isso?
Matteo ergueu uma fotografia e a colocou diante dela.
Safira congelou.
Era uma foto antiga.
Muito antiga.
Nela, havia uma mulher sorridente segurando um bebê.
Ao lado dela, um homem elegante.
Os dois pareciam felizes.
Ricos.
Importantes.
Mas não era isso que importava.
O que importava era o bebê.
Safira sentiu o ar faltar.
Porque aquele bebê usava no pescoço um colar pequeno.
Um colar em formato de lua.
Exatamente igual ao dela.
Ela levou a mão ao próprio pescoço instantaneamente.
O pequeno pingente sempre esteve com ela.
Sempre.
Desde que se lembrava.
- Como conseguiu isso? - sua voz saiu quase falhando.
Matteo a observou cuidadosamente.
- Esse colar nunca pertenceu à sua mãe adotiva.
Safira arregalou os olhos.
Seu cérebro demorou a processar.
- Minha... mãe adotiva?
Silêncio.
Pesado.
Sufocante.
Ela riu sem humor.
- Não. Não.
Deu um passo para trás.
- Não, você está mentindo.
Matteo permaneceu imóvel.
- Sua mãe nunca foi sua mãe biológica.
Safira balançou a cabeça.
- Para.
Seu peito começou a subir e descer rápido demais.
Ansiedade.
Medo.
Pânico.
- Para agora.
Matteo continuou, implacável.
- Você foi entregue ainda bebê.
Criada por aquela mulher em circunstâncias que ainda estamos investigando.
Safira sentiu as pernas enfraquecerem.
Segurou a borda da cadeira para não cair.
- Isso é impossível.
- Infelizmente, não é.
Lágrimas começaram a se formar em seus olhos.
Sua vida inteira parecia desmoronar pela segunda vez.
Primeiro: abandono.
Agora: mentira.
- Então... eu nem fui abandonada pela minha família de verdade? - perguntou em voz baixa.
Matteo a observou.
Havia algo diferente em seu olhar agora.
Menos frieza.
Quase compaixão.
- Não.
Safira deixou escapar uma risada quebrada.
Quase histérica.
- Isso é ridículo.
Ela passou a mão no rosto.
Tentando pensar.
Respirar.
Existir.
- Quem são eles?
Matteo fechou a pasta.
- Ainda não posso te contar tudo.
Safira arregalou os olhos, indignada.
- Você só pode estar brincando comigo.
- Há pessoas observando seus passos há anos.
O sangue dela gelou.
- O quê?
- Se descobrirem que você sabe da verdade antes da hora, tudo pode dar errado.
Safira sentiu um nó no estômago.
- Quem está me observando?
Matteo demorou alguns segundos para responder.
Então falou:
- As mesmas pessoas responsáveis pelo desaparecimento da sua verdadeira família.
O mundo pareceu parar.
Safira perdeu completamente a capacidade de formular qualquer pensamento lógico.
- Desaparecimento?
Matteo assentiu.
- Sua família não sumiu por acaso.
O coração dela disparou ainda mais.
- Você está dizendo que minha família-
Antes que pudesse terminar, uma batida forte ecoou na porta.
TOC. TOC. TOC.
Os dois olharam imediatamente para a entrada.
Helena abriu a porta apenas o suficiente para aparecer.
Seu rosto estava tenso.
Diferente de antes.
Preocupado.
- Senhor Castellani... temos um problema.
Matteo estreitou os olhos.
- O que aconteceu?
Helena engoliu em seco.
- Tem alguém no portão pedindo para ver a senhorita Safira.
Safira franziu a testa.
- A mim?
Helena assentiu lentamente.
- E disse que é da sua família.
Safira sentiu o coração parar.
Impossível.
Sua família tinha ido embora.
Então... quem estava lá fora?
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