
A voz do Coração
Capítulo 3
Humm não entende o que digo, você não sabe língua de sinais?
Humm humm -
Ela começou a querer me bater levantando os braços pelo ar e resmungava.
- Calma, calma ok ok , não vou te machucar. Calma to longe viu . A menina se virou de costas abraçando as pernas, eu apenas deixei a maçã do lado dela e sai. Quando me afastei vi ela tateando a madeira e depois a fruta e rapidamente pegou cheirando ela, reconheceu do que se tratava e deu aquela mordida. Ângelo ficou observando ela de longe pegando as lindas tulipas e sorriu pensando como aquela menina tinha algo especial e diferente nela. A semana corria rápido no orfanato e infelizmente Melissa não estava progredindo nas aulas, mal deixava as crianças chegar perto dela, e nem as Freiras. Jasmine e Ir. Xian Lin tentava enturmar as crianças junto de Melissa, mas ela sempre se recusava a ficar perto delas, então a Superiora achou melhor conversar com a mãe de Melissa e decidiram que ela voltaria para casa. Claro a mãe de Melissa não gostou e já não sabia mais o que fazer para que ela se enturmasse com as outras crianças, ela era muito solitária e distraída, mas percebeu que desde pequena era inteligente e vivia em seu mundo. Era uma criança curiosa, que vivia enfurnada no sótão da casa, e pegava gafanhotos, baratas, folhas e minhocas para suas pesquisas, escrevia no papel as letras que conseguiu aprender com sua mãe e dizia que seria uma Veterinária mas a mãe não sabia como ela poderia chegar a tanto se ela mesmo não dava chance de querer aprender numa boa escola. Quando Melissa completou 14 anos sua mãe ficara muito doente, de um câncer de mama, o único médico da família já não podia fazer mais nada, ela já estava designada, só esperava pra morrer, Melissa já entendia a dura realidade da morte, ficou com a mãe em seu leito, cuidando dela, dia e noite, ela não deixava ela sozinha um minuto sequer, não queria perder a chance de estar com ela o pouco que restava, na frente da mãe ela se mostrava forte e calma, mas quando ela dormia e ela olhava pra ela, ela chorava em segredo, mas sua mãe a ouvia e lhe partia o coração com o sofrimento da menina. Na tarde de Natal, fazia um frio de castigar qualquer um, a neve lá fora caia fininha, no relógio velho da família marcava exatos oito horas da noite, quando a mãe de Melissa deu seu último suspiro, segurando a mão da filha que chorava debruçada a mãe, aquele dia que tanto achavam especial, mesmo que a família dela não era religiosa, mas ela sabia que se tratava do nascimento do Menino Jesus ou que o Papai Noel lhe traria presentes se fosse uma menina bom, sua mãe o ensinou bem essas tradições, mas aquele dia, Melissa odiou com toda sua força, porque teria que ser justo naquele dia que sua mãe se foi, ela não queria mais comemorar a chegada do papai noel, onde que o mesmo levou sua mãe, o bom velhinho pra ela, ja não
tinha mais esse nome.
Os meses se passaram, e Melissa estava ficando difícil de lidar, os avos não conseguia mais educa-lo, ela nao obdecia eles, estava se tornando desobediente, malcriada, quando o chamava para comer, ou fazer as tarefas, ela e esperneava, não queria mais tomar banhos, se vestir e se pentear, era algo impossivel, os cabelos ja estavam quase nas costas, não deixava tocar em seus cabelos, pois só quem tocava neles, era sua mãe , as roupas lavadas, o banho que ela tomava, a comida que ela comia, tudo era feito pela mãe ela não queria mais viver, os avós temia que a menina estava entrando em uma forte tristeza que se não tomassem uma atitude pratica, e salvar a vida da neta, ela poderia morrer, pois nem se alimentar Melissa tinha forças.
Ela não tinha vontade de mais nada, pois a morte da mãe foi dura e seus avos também não tinha paciência com a menina, as vezes o Avô batia nela, dando varadas nas pernas quando ela se recusava a levantar da cama, ou comer no almoço, ja a avozinha tinha mais pena da menina , mas eles eram velhos beirando os 80 anos e eles não conseguia cuidar dela.
Foi quando o avô teve a ideia de deixá-la no Orfanato das freiras para cuidar dela . O dia da ida ao orfanato fazia um frio de castigar a espinha, como eles não tinha muito dinheiro, seu avô sentiu a necessidade de vender a charrette velha, para por comida na mesa, e único meio de transporte que eles tinham era sua carroça velha, para levar a menina, mas Melissa parecia adivinhar o que iria acontecer, ela usava alguns trapos velhos, o cabelo todo sujo desarrumado até os ombros, a cara tinha algumas manchas sujas por falta de banho, as unhas então nem se fale, como o avô sabia que a força de Melissa era algo demais pra ele, aproveitou que ela estava dormindo, a avozinha antes tinha feito um chazinho com pão amanhecido que ela preparou, e sem Melissa perceber, ela fez uma mistura de ervas com sonífero natural e deu para ela beber, sem ela notar, ela comeu tudo e caiu num sono profundo. Foi o suficiente para que o avô d jovem a colocasse na carroça dormindo, a avó deu um beijo na testa de Melissa e chorando pedindo perdão a ela.
Quando Melissa chegou no orfanato o avô pegou ela no colo com dificuldade, e naquela hora Ângelo passava com o cavalo que ganhou do Padre Paulo. Nas noites de Sexta feira junto do amigo Jorge saiam pela noite para pastar as ovelhas, Ângelo aprendeu com o Padre Paulo o ofício de fazendeiro que ficava alguns quilômetros do orfanato, os cavalos e ovelhas era o ganha pão deles, foi uma doação generosa que ganharam da Senhora Miller que sempre ajudou os Irmãos e Freiras do orfanato, e Ângelo adorava tomar conta das ovelhas e ficar nas montanhas olhando o céu estrelado, contava suas experiências ao amigo Jorge que também tinha deficiência auditiva e os dois se entendiam muito bem. Ângelo desceu do cavalo e abriu o grande portão deixou o cavalo perto de uma árvore e ajudou o senhor Tomás com a menina Melissa que estava desmaiada. Ele olhou para o senhor e colocou ela no chão pegando um braço e envolvendo ela sobre seus ombros e o levaram até a superiora.
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