
A Vingança Tem Muitas Faces: A Dela, A Minha
Capítulo 2
O mundo era um borrão de neon e ruído. Não me lembro como cheguei do bar da cobertura à rua abaixo. Minhas pernas simplesmente se moveram, me levando para longe do som de suas risadas.
Uma mão agarrou meu braço, com força. Eu me encolhi, virando-me para ver Caio. Seu sorriso encantador havia desaparecido, substituído por uma máscara tensa e irritada.
"Onde você vai?", ele exigiu.
Atrás dele, Bruna e seus amigos saíam do elevador, seus rostos uma mistura de diversão e desprezo.
"Caio, não perca seu tempo", um deles arrastou as palavras, passando o braço pelo ombro de Bruna. "Vamos. Você ainda tem que dar a ela o presente de boas-vindas 'de verdade'."
Bruna sorriu com malícia. "Sim, Caio. Você prometeu. Uma proposta que ela nunca esquecerá."
O grupo explodiu em gargalhadas. Meu estômago se revirou.
"Do que vocês estão falando?", perguntei, minha voz mal um sussurro.
Caio me ignorou. Ele apertou seu aperto em meu braço, seus dedos cravando em minha pele. "Entre no carro."
Não era um pedido. Era uma ordem. Eu estava fraca demais, atordoada demais para lutar. Ele me empurrou para o banco de trás de seu carro, e seus amigos se amontoaram em outro. As luzes da cidade passavam velozmente. Eu sentia como se estivesse assistindo à minha vida de fora do meu próprio corpo.
Paramos em frente à Prefeitura. Uma multidão de repórteres já estava lá, os flashes das câmeras como um enxame de vaga-lumes raivosos. Eles haviam sido avisados. Esta era outra parte do show.
"O que é isso?", sussurrei, encolhendo-me no assento.
"Nosso futuro, querida", disse Caio, sua voz pingando sarcasmo. Ele me arrastou para fora do carro e para o centro do circo da mídia.
"Caio! É verdade que você vai pedir Alana Viana em casamento esta noite?", gritou um repórter.
Caio sorriu para as câmeras, puxando-me para mais perto. "Ela sacrificou tudo por mim. É o mínimo que posso fazer."
Seu amigo, aquele que estava com Bruna, deu um passo à frente, segurando uma pequena caixa de veludo. Mas ele não a entregou a Caio. Em vez disso, ele assobiou.
Um homem trouxe um cachorro vira-lata de aparência desgrenhada. Tinha um anel de plástico barato amarrado em sua coleira com uma fita suja.
A multidão ofegou, depois explodiu em gargalhadas. A humilhação, quente e sufocante, me envolveu. Eles não estavam me pedindo em casamento. Estavam propondo que eu me casasse com um cachorro.
"Vá em frente, Alana", Bruna cantarolou, seus olhos dançando com um prazer perverso. "Ele é todo seu. Uma combinação perfeita para uma vadia presidiária como você."
O mundo começou a girar. As luzes piscando, os rostos zombeteiros, o cachorro latindo — era demais. Minhas pernas cederam e eu desabei no chão.
O concreto frio e duro contra minha bochecha foi um choque de realidade brutal. A dor na minha cabeça explodiu, uma luz branca e ofuscante atrás dos meus olhos. Lembrei-me das surras na prisão, da solidão, do medo. Mas nada disso, nada disso, se comparava a isto.
"Por favor", implorei, olhando para Caio, minha visão turva de lágrimas. "Por favor, pare."
Bruna zombou. "Parar? Mas a diversão está apenas começando. Levante-se. As câmeras estão esperando."
Caio olhou para mim, sua expressão tão fria e implacável quanto um bloco de gelo. "Não seja estraga-prazeres, Alana."
Dois de seus amigos agarraram meus braços, me levantando. Eu lutei, uma tentativa patética e fraca de resistência.
"Me soltem!"
"Não até você dizer sim para o vira-lata", um deles grunhiu, seu aperto como ferro.
Tentei me libertar, correr, escapar deste pesadelo acordado. Meu pé escorregou e eu caí de novo, desta vez batendo a cabeça no meio-fio. Uma onda de náusea e tontura me envolveu.
De repente, Caio estava lá, agachado na minha frente. Ele agarrou meu queixo, forçando-me a olhá-lo. Seus olhos, antes tão cheios do que eu pensava ser amor, agora estavam cheios de um vazio arrepiante.
"Sabe", disse ele, sua voz um murmúrio baixo e perigoso que só eu podia ouvir. "Eu quase senti pena de você por um segundo."
Ele fez uma pausa, um sorriso cruel brincando em seus lábios. "Quase. Agora, você vai se comportar, ou teremos que tornar isso ainda mais desagradável?"
Você pode gostar





