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Capa do romance A Vingança Suprema da Esposa Rejeitada

A Vingança Suprema da Esposa Rejeitada

Casada por honra com Eduardo Monteiro, vivi três anos sob o desprezo de seu TOC e frieza. O sonho do amor ruiu ao vê-lo salvar sua amante, Carla, de um incêndio. Para protegê-la, ele aleijou meu irmão e me humilhou publicamente com um vídeo íntimo. Agora, grávida e traída, possuo um segredo devastador descoberto por meu irmão. Decidida a abortar e destruir o império de Eduardo, transformarei minha dor na ruína definitiva do homem que me descartou.
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Capítulo 2

"Dez segundos." A voz de Eduardo cortou o armazém, fria e afiada. Cada palavra era uma nova ferida.

Minha respiração falhou. "Eduardo, por favor!" implorei, minha voz rouca, as palavras presas na garganta. "Eu juro, eu não sei!"

Ele apenas observava o cronômetro, um observador cruel e distante. Seu olhar estava fixo nos números vermelhos piscando, não no meu rosto desesperado. Não no rosto machucado de Beto.

Como ele podia ser tão indiferente?

Olhei para Beto, seus olhos vidrados de dor, mas ainda mantendo uma lealdade feroz. Ele balançou a cabeça levemente, um comando silencioso para que eu me mantivesse forte.

"Cinco." A voz de Eduardo era desprovida de emoção. "Quatro. Três."

"Espere!" Beto sussurrou, empurrando-se contra os caixotes, gemendo de dor. "Fui eu. Eu fiz isso."

Minha cabeça virou em sua direção. "Beto, não! O que você está dizendo?"

Eduardo parou de contar, seu olhar finalmente se voltando para Beto. Um lampejo de algo, talvez curiosidade, cruzou seu rosto. "Continue."

"Eu... eu a ouvi falando," Beto tossiu, sangue manchando seu queixo. "Carla. Ela estava se gabando de roubar dados das Empresas Monteiro." Ele olhou para Eduardo, desafio em seus olhos. "Eu não podia deixar ela se safar."

Meu coração batia forte. Beto, meu hacker ético, desprezava a ganância corporativa. Isso era exatamente algo que ele faria, mas nunca por maldade. Sempre por justiça. "Beto, você não-"

"Eu a confrontei," Beto interrompeu, sua voz ganhando força. "Ela entrou em pânico. Fugiu. Não sei onde ela está agora, mas provavelmente está se escondendo porque sabe que estou na cola dela." Ele olhou para mim, um apelo desesperado em seus olhos. "Laura não teve nada a ver com isso. Ela nem sabe o que eu faço."

Os olhos de Eduardo se estreitaram. Ele olhou de Beto para mim, depois de volta para Beto. "Então, você admite espionagem corporativa?"

"Eu admito ter tentado parar uma ladra," Beto retrucou, seu olhar inabalável. "Ela estava vendendo os segredos da sua empresa, Eduardo. Para Domenico Perez."

Perez. O rival mais feroz de Eduardo. O nome pairou no ar, pesado e carregado.

A mandíbula de Eduardo se contraiu. Ele caminhou em direção a Beto, lenta e ameaçadoramente. "Você acha que pode simplesmente entrar e se meter nos meus negócios?"

"Eu estava protegendo seus negócios, seu idiota!" Beto cuspiu, seus instintos protetores surgindo. "E a Laura! Você a trata como lixo, mas ela vale mil das suas preciosas Carlas Salles!"

Um recuo agudo, quase imperceptível, cruzou o rosto de Eduardo. Mas desapareceu rapidamente, substituído por uma fúria ainda mais fria. "Tolo. Você acabou de assinar sua própria sentença de morte." Ele se virou para um dos homens. "Ligue para a federal. Diga a eles que temos uma confissão de espionagem corporativa."

"Não!" gritei, finalmente me libertando do aperto dos guardas e me lançando em direção a Eduardo. Agarrei seu braço, minhas unhas cravando em seu terno caro. "Eduardo, por favor! Você não pode fazer isso! Ele é inocente!"

Ele arrancou o braço como se meu toque o queimasse. "Ele confessou, Laura. E ousou insultar a Carla." Seus olhos, como lascas de gelo, encontraram os meus. "Ele morre por isso."

"Ele é meu irmão!" gritei, minha voz quebrando. "Ele salvou sua família uma vez! Meu pai salvou você! É assim que você nos paga?"

"A dívida do seu pai é paga com sua presença em minha casa," ele zombou. "A tolice de Beto é problema dele." Ele olhou de volta para o cronômetro da bomba. "E o tempo dele está se esgotando de qualquer maneira."

Meus olhos correram para os dígitos vermelhos. Dez segundos. "Eduardo, olhe para mim! Ele está ferido! Ele está sangrando! Ele pode morrer!"

Ele olhou para Beto, depois de volta para mim. Sua expressão não se suavizou. "Ele é irrelevante para mim. Minha única preocupação é a Carla. Você vai me dizer onde ela está, ou vai assistir seu irmão sangrar até a morte e depois apodrecer na prisão?"

O desespero, frio e agudo, me atravessou. Ele realmente não se importava. Nem com Beto. Nem mesmo comigo. Minhas lágrimas caíam livremente, queimando trilhas em minhas bochechas sujas. Meu coração se partiu em um milhão de pedaços.

"Eduardo, por favor," sussurrei, caindo de joelhos. "Ele não pode ir para a prisão. Ele precisa de atendimento médico. Ele vai morrer." Minha voz era um apelo esfarrapado. "Apenas... me diga o que você quer. Por favor, não o machuque mais."

Ele olhou para mim, um lampejo de algo indecifrável em seus eyes. "A localização da Carla. É tudo o que eu quero."

Beto, atrás de mim, de repente falou, sua voz fraca, mas clara. "Ela mencionou uma cabana. No interior. Pertence à tia dela." Ele deu a Eduardo um endereço específico, rapidamente. "Ela disse que ia se esconder lá por um tempo."

Os olhos de Eduardo se estreitaram. Ele pegou o celular, digitando rapidamente as coordenadas. Ele olhou para Beto. "Se isso for mentira..."

"Não é," Beto tossiu. "Eu juro."

Eduardo terminou de digitar. Ele olhou para os guardas. "Protejam o perímetro. Mandem uma equipe para este local. Tragam-na de volta em segurança." Ele olhou para Beto novamente. "Quanto a você, sua confissão ainda vale. A prisão federal o aguarda."

"Não!" gritei, me levantando de um salto. "Você prometeu! Se eu te dissesse onde ela estava-"

"Você não me disse," ele me cortou, sua voz monótona. "Ele disse. E a confissão dele vale." Ele se virou para sair, sua expressão fria e resoluta.

"Eduardo! A bomba!" gritei. O cronômetro piscava perigosamente em vermelho. Três segundos.

Ele parou, mal olhando para trás. "Ah, isso." Ele deu um aceno curto para um dos guardas. "Desarme."

O guarda se atrapalhou com um dispositivo, tentando cortar os fios. O cronômetro piscou para dois.

"Não, Eduardo! Ele está ferido! Ele está sangrando! Dê a ele ajuda médica primeiro!" Minha voz era um apelo desesperado e cru.

Eduardo fez uma pausa, depois se virou completamente. Seus olhos, ainda frios, percorreram Beto. "Tudo bem. Dê a ele os primeiros socorros básicos. Depois, prepare-o para a transferência para uma instalação de detenção federal." Ele olhou para mim, um sorriso arrepiante em seus lábios. "E você? Não pense que vai se safar. Isso não acabou, Laura. Longe disso." Ele gesticulou vagamente para o meu vestido manchado. "Limpe-se. Você fede a desespero."

Ele se virou e saiu do armazém, seus passos ecoando no espaço cavernoso. Eu o encarei, minha mente girando. Meu irmão ia para a prisão. E eu estava presa.

O guarda se moveu em direção a Beto, mas suas mãos tremiam, atrapalhando-se com os fios. O cronômetro chegou a um.

"Não!" gritei, me jogando em direção a Beto, tentando cobri-lo com meu corpo.

BOOM!

Um clarão ofuscante, um rugido ensurdecedor. O chão vibrou sob mim. Poeira e detritos choveram. Senti uma dor lancinante no meu lado, depois um solavanco vertiginoso quando fui jogada contra os caixotes, Beto embaixo de mim.

Silêncio. Então, um zumbido em meus ouvidos. Lentamente me levantei, minha cabeça latejando. Beto ainda estava embaixo de mim, mas seu corpo parecia... errado. Mole.

"Beto? Beto!" solucei, minha voz embargada de medo. Eu o virei. Sua perna estava torcida em um ângulo antinatural, sangue escorrendo por suas calças rasgadas. Estilhaços estavam cravados em seu braço. Seu rosto estava pálido como um fantasma.

"Laura..." ele sussurrou, seus olhos se abrindo. Ele conseguiu um sorriso fraco. "Eu te salvei, não foi?"

"Não, Beto, não fale! Apenas fique quieto! Ajuda!" gritei, minha voz quebrando, lágrimas escorrendo pelo meu rosto.

"Me escute," ele sussurrou, segurando minha mão com uma força surpreendente. "Carla... ela tinha uma... uma chave criptográfica. Biométrica. Ela a guardava em... em seu colar." Sua respiração falhou. "É... é o que ela usava para criptografar os dados de Eduardo."

Minha mente se prendeu em suas palavras, mesmo em meu pânico. "Uma chave criptográfica? Do que você está falando?"

"É... é uma vantagem, Laura," ele sussurrou, seus olhos começando a perder o foco. "Ela se gabou disso. Disse que poderia... arruinar Eduardo se quisesse." Ele apertou minha mão com mais força, sua voz mal audível. "Use. Saia. Fique livre. Não... não seja como eu."

Sua mão ficou mole. Seus olhos encaravam o teto sem expressão.

"Beto? Beto! Não! Não se atreva!" gritei, sacudindo-o, mas ele não respondia. "Ajuda! Alguém o ajude!"

Os guardas, abalados e desorientados pela explosão, finalmente correram para frente. Um verificou o pulso de Beto, seu rosto sombrio. "Ele está vivo, mas por pouco. Precisamos levá-lo para um hospital. Agora!"

Agarrei-me a Beto, meu corpo sacudido por soluços. Eduardo. Ele tinha feito isso. Ele quase matou meu irmão. E tudo por aquela mulher.

"Vou me divorciar dele," engasguei, uma resolução fria se instalando em meio à dor. "E não vou para a prisão. Vou usar essa vantagem. Por Beto. Por mim."

Os dias seguintes foram um borrão de gritos, lágrimas e papelada legal. Assinei os papéis do divórcio, minha mão firme apesar dos tremores que percorriam meu corpo. Os funcionários trouxeram minhas coisas, já embaladas. O silêncio da mansão era ensurdecedor. Eu não sentia nada além de uma dor oca e uma raiva gelada e ardente.

Fui direto para o hospital. Beto estava em estado crítico. Eles conseguiram salvar sua vida, mas sua perna ficou permanentemente aleijada. Ele nunca mais andaria sem uma bengala. Meu coração se contorceu de culpa e fúria.

Assim que me acomodei na sala de espera, ainda coberta de fuligem e sangue seco, o advogado de Eduardo, Dr. Henderson, chegou. Ele parecia desconfortável, evitando meus olhos.

"Sra. Monteiro," ele começou, sua voz formal. "O Sr. Monteiro envia seus cumprimentos. Ele também deseja lembrá-la de seu acordo."

"Que acordo?" Minha voz era monótona.

"O referente ao Sr. Beto Pena. A acusação de espionagem corporativa."

Meu sangue ferveu. "Ele quase morreu! E você quer falar sobre acusações?"

"O Sr. Monteiro está disposto a ser leniente," Henderson continuou, como se eu não tivesse falado. "Desde que você coopere. Ele exige que você faça um pedido público de desculpas à Sra. Salles. E que se retrate formalmente de quaisquer acusações contra ela."

"Um pedido público de desculpas?" engasguei, incrédula. "Depois de tudo? Depois que ela quase matou o Beto? Depois que Eduardo tentou incriminá-lo?"

Henderson pigarreou. "É uma questão de imagem, Sra. Monteiro. A reputação da Sra. Salles foi... manchada. O Sr. Monteiro deseja restaurá-la."

Nesse momento, dois seguranças de Eduardo entraram no quarto de hospital de Beto, já começando a embalar suas coisas.

"O que vocês estão fazendo?" exigi, correndo em direção a eles.

"Ordens do Sr. Monteiro, senhora. O Sr. Pena deve ser transferido para uma instalação privada e segura, guardada por nosso pessoal, até que as autoridades federais assumam." A voz do guarda era educada, mas seus olhos eram inflexíveis.

"Vocês não podem! Ele acabou de fazer uma cirurgia! Ele precisa de cuidados especializados!" Fiquei na frente da cama de Beto, meus braços estendidos, protegendo-o.

Henderson deu um passo à frente, sua voz baixa. "Sra. Monteiro, o Sr. Monteiro está simplesmente garantindo que o Sr. Pena não tente fugir da justiça. É para o bem dele."

"Para o bem dele?" ri, um som áspero e sem humor. "Vocês quase o mataram, e agora querem arrastá-lo para fora de sua cama de hospital?"

Nesse momento, meu celular, que havia sobrevivido milagrosamente à explosão, vibrou. Era um alerta de notícias. Uma foto de Carla Salles, parecendo angustiada, com um braço enfaixado. A manchete dizia: "Estrela das Redes Sociais Carla Salles Hospitalizada Após Agressão Brutal pelo Irmão de Laura Monteiro, Beto Pena."

Meu sangue gelou. Ele estava destruindo a reputação do meu irmão. Incriminando-o. Tudo por ela.

"Você quer que eu peça desculpas?" perguntei, minha voz perigosamente calma. Olhei do noticiário para Henderson, depois para os guardas. "Para ela? Depois que ela fez isso?"

Henderson pareceu aliviado. "Sim, Sra. Monteiro. Uma declaração pública. Para limpar o nome dela."

A raiva que vinha fervendo dentro de mim por três longos anos finalmente transbordou. Ri de novo, um som histérico e quebrado. "Sabe de uma coisa, Dr. Henderson? Tudo bem. Eu vou pedir desculpas. Mas vou fazer do meu jeito."

Caminhei até a cabeceira de Beto. Ele estava acordado, observando a cena se desenrolar, seus olhos cheios de uma tristeza cansada. Inclinei-me, beijando sua testa. "Não se preocupe, Beto. Eu vou consertar isso. Eu prometo a você, vou fazê-los pagar." Olhei para Henderson, meus olhos secos, minha voz firme como uma rocha. "Diga a Eduardo que estarei lá. Para pedir desculpas. E para testemunhar sua devoção eterna à sua preciosa Carla."

Minha mão tremia, não de medo, mas de uma fúria fria e justa. Isso não era mais apenas sobre Beto. Era sobre mim. Minha dignidade. Minha própria alma. E o futuro da minha família. Eu jogaria o jogo deles, mas eu venceria. A chave criptográfica biométrica da qual Beto falou. Eu a encontraria. E eu colocaria Eduardo Monteiro de joelhos.

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