
A Vingança Secreta da Noiva Substituta Bilionária
Capítulo 2
A sala de espera do escritório de advocacia cheirava a cera de limão e a dinheiro antigo.
Jocelyn alisou o tecido da saia pela décima vez. Ela estava sentada na beirada de uma luxuosa poltrona de couro, com a coluna rígida. O corretor tinha sido eficiente. *O Sr. Vincent está procurando uma candidata hoje. Esteja lá às 9.*
Ela checou o relógio. 8h58.
A pesada porta de carvalho se abriu.
Jocelyn se levantou instintivamente.
Um homem entrou.
Ele não era o que ela esperava. Os tabloides geralmente mostravam Babe Vincent saindo cambaleando de boates, com a camisa desabotoada, um borrão de movimento e vício.
Este homem era a quietude em pessoa.
Ele era alto, de ombros largos, e usava um terno de cor carvão feito sob medida que lhe caía com precisão arquitetônica. Seu cabelo escuro estava penteado de forma impecável, nem um fio fora do lugar. Ele carregava um ar de autoridade que fazia o ar na sala parecer mais rarefeito.
A respiração de Jocelyn falhou. Ele era muito mais bonito pessoalmente. As fotos borradas não faziam jus à linha nítida de sua mandíbula ou à intensidade de seus olhos escuros.
O homem parou quando a viu. Sua mão congelou na maçaneta por uma fração de segundo.
Gaston Collins encarou a mulher de pé ao lado da poltrona.
*É ela.*
A constatação o atingiu como um golpe físico. A garota do baile de gala de três anos atrás. Aquela com o vestido azul que se escondera na biblioteca para ler enquanto todos os outros bebiam champanhe. Ele a observara da sacada, cativado, mas nunca se aproximara. Ela estava com Douglas.
Agora, ela estava aqui. Em um escritório de advocacia conhecido por arranjar casamentos de fachada.
Jocelyn estendeu a mão, com os dedos tremendo levemente. "Sr. Vincent? Sou Jocelyn Wolfe."
Gaston olhou para a mão dela. Depois, olhou para o rosto dela. Ela pensava que ele era Babe.
Ele ergueu uma sobrancelha. Poderia corrigi-la. Poderia dizer a ela que era Gaston Collins, o herdeiro do império bancário Collins, e que estava ali apenas para demitir seu incompetente advogado de sucessões.
Mas, se fizesse isso, ela pediria desculpas e iria embora.
"Por favor", disse Gaston. Sua voz era grave, um barítono suave que parecia vibrar através do assoalho. Ele pegou a mão dela. Seu aperto era quente, firme e seco. "Vamos pular as formalidades."
Ele decidiu naquela fração de segundo. Se ser 'Babe' lhe rendesse uma conversa, ele seria Babe.
Eles se sentaram à mesa de mogno. Jocelyn deslizou uma pasta azul pela superfície.
"Minha proposta", disse ela. Sua voz estava firme, mas ele viu o pulso saltar em seu pescoço. "Um ano. Estritamente platônico. Separação de bens."
Gaston abriu a pasta. O cabeçalho dizia Contrato de Casamento.
Ele lutou contra a vontade de sorrir. Ela queria um acordo de negócios. Ele podia trabalhar com isso.
"Preciso de acesso ao meu fundo fiduciário", explicou Jocelyn, em um tom direto. "E você precisa de... respeitabilidade? Ou de uma fachada?"
Ela olhou para ele, seus olhos perscrutando o rosto dele. Estava tentando ser educada sobre os rumores. Ela achava que ele era gay. Achava que ele precisava de uma mulher para exibir por aí a fim de apaziguar uma família conservadora.
"Uma fachada", concordou Gaston, entrando no jogo. Ele se recostou na cadeira, estudando-a. "Minha família é... exigente."
"Não exijo amor", acrescentou Jocelyn. Sua voz vacilou na palavra amor, uma rachadura em sua armadura. "Apenas uma assinatura."
Gaston olhou para ela. Ele viu a exaustão em seus olhos, a maneira como ela se portava, como se estivesse se preparando para um impacto. Alguém a tinha machucado. Gravemente.
Ele destampou uma caneta-tinteiro do bolso. Era uma Montblanc, pesada e preta.
"Feito", disse ele.
Jocelyn piscou, atônita. "Você não discutiu o pagamento. Nem os termos."
"Não preciso do seu dinheiro, Srta. Wolfe." Gaston assinou o papel com um floreio. Ele fez a assinatura ilegível, um rabisco afiado e irregular que poderia ser qualquer coisa.
Ele se levantou, abotoando o paletó. "Vamos para a prefeitura agora."
Jocelyn o encarou. "Agora mesmo?"
"A menos que queira esperar?", ele a desafiou, com um brilho de divertimento em seus olhos escuros. "Presumo que o tempo seja crucial."
Jocelyn pegou a bolsa. "Vamos."
Eles saíram do prédio e deram de cara com o vento cortante de New York. Um sedã preto estava parado no meio-fio com o motor ligado.
O motorista, um homem chamado Henri que estava com a família Collins há trinta anos, saiu e abriu a porta de trás. Ele olhou para Gaston, depois para Jocelyn, a confusão transparecendo em seu rosto.
Gaston lhe lançou um olhar. Um olhar agudo, de aviso. *Não fale.*
Ele gesticulou para que Jocelyn entrasse primeiro.
Jocelyn deslizou para o assento de couro. O interior cheirava a sândalo e a condicionador caro. Não cheirava a cigarro velho ou a colônia barata, que era como ela imaginava que Babe Vincent cheiraria.
*Ele é surpreendentemente cavalheiro para um playboy degenerado*, ela pensou.
Gaston entrou ao lado dela. A porta se fechou com um clique, selando-os lá dentro.
"Para a prefeitura, Henri", disse Gaston.
O carro entrou suavemente no trânsito caótico da manhã de Manhattan, levando-os em direção a uma união legal e vinculativa construída inteiramente sobre uma mentira.
Você pode gostar





