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A Vingança Doce da Ex-Esposa Desprezada

Após perder o filho por asfixia e quase morrer no parto, Lia busca o apoio do marido, Pedro. Contudo, ele a ignora para cuidar do cão da irmã, Sofia. Cruel, Pedro expulsa a esposa de casa, troca as fechaduras e doa seus pertences enquanto ela ainda está no hospital. Abandonada e bloqueada pelo homem que amava, Lia transforma o luto em fúria. Agora, ela está determinada a se reerguer do abismo para destruir aqueles que a traíram e fazê-los pagar por todo o sofrimento.
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Capítulo 2

O médico disse que o meu bebé morreu de asfixia.

A placenta desprendeu-se demasiado cedo, e eu perdi muito sangue.

Quando acordei, a primeira coisa que vi foi o teto branco do hospital.

O meu marido, Pedro, não estava lá.

A minha sogra, a Dona Laura, também não estava.

A única pessoa ao meu lado era a minha mãe, que parecia exausta e tinha os olhos vermelhos.

Ela segurou a minha mão.

"Lia, está tudo bem agora."

Eu olhei para a minha barriga, agora vazia e flácida sob o lençol.

Não chorei.

Apenas senti um vazio imenso.

Peguei no telemóvel para ligar ao Pedro.

A minha mão tremia tanto que quase o deixei cair.

A chamada demorou a ser atendida. Quando ele finalmente atendeu, a sua voz estava cheia de irritação.

"O que foi agora, Lia? Estou ocupado!"

Ao fundo, ouvi a voz da minha cunhada, a Sofia.

"Pedro, o Bolinha não quer comer. Estou tão preocupada. O veterinário disse que ele está muito stressado."

Bolinha era o cão da Sofia.

A voz do Pedro suavizou-se imediatamente.

"Não te preocupes, querida. Eu estou aqui. Vamos dar-lhe o remédio juntos. Ele vai ficar bem."

A minha voz saiu como um sussurro.

"Pedro, o nosso bebé..."

Ele interrompeu-me bruscamente.

"Lia, agora não! Já não basta a Sofia estar a passar por um mau bocado? O cão dela quase morreu atropelado! Tive de correr para a clínica veterinária. Não podes ter um pouco de compaixão?"

Compaixão.

Eu estava numa cama de hospital.

O nosso filho, que esperei durante três anos, estava morto.

E ele pedia-me para ter compaixão pelo cão da irmã dele.

"Pedro, vamos divorciar-nos."

Houve um silêncio do outro lado.

Depois, a sua raiva explodiu.

"Divórcio? Ficaste maluca? Só porque eu fui ajudar a minha irmã? Ela é a minha única família, além da mãe! Ela estava em pânico!"

"E eu?", perguntei, a minha voz finalmente a ganhar um pouco de força. "E o teu filho?"

"O que tem o bebé? O médico já não disse que foi um acidente? Acidentes acontecem! Queres culpar-me por isso? És egoísta, Lia. Só pensas em ti mesma."

Ele desligou.

Desligou-me o telefone na cara.

Tentei ligar de volta.

O número estava bloqueado.

Ri. Foi um som seco, sem alegria.

A minha mãe pegou no telemóvel e olhou para o ecrã.

"Ele bloqueou-te?"

Eu assenti.

"Vou ligar-lhe", disse ela, furiosa.

"Não vale a pena, mãe. Acabou."

Se o meu filho estivesse vivo, eu talvez lutasse. Talvez tentasse perdoar.

Eu não queria que ele crescesse sem pai.

Mas agora não havia mais nada.

A única coisa que nos ligava desapareceu.

Continuar neste casamento seria uma tortura diária.

Ajudar a Sofia?

A clínica veterinária ficava a uma hora de carro na direção oposta ao hospital para onde a ambulância me estava a levar.

Eu liguei-lhe. Liguei-lhe vinte e três vezes enquanto sangrava na ambulância.

Cada chamada não atendida era uma facada no meu peito.

Ele não se importou.

Ele escolheu o cão da irmã em vez do seu próprio filho.

De repente, o telemóvel da minha mãe tocou.

Era a Dona Laura, a minha sogra.

A minha mãe atendeu, colocando no altifalante.

A voz da Dona Laura era estridente e acusadora.

"Helena! Que raio de filha é que tu criaste? O Pedro acabou de me ligar, a chorar! Ela quer o divórcio! Porquê? Porque o meu filho é um bom irmão e foi ajudar a Sofia?"

"O seu neto morreu, Laura!", a minha mãe gritou, a sua calma a desaparecer.

"Foi um acidente! Estas coisas acontecem! A Lia é jovem, pode ter outros! A Sofia só tem o Pedro e a mim! A Lia quer destruir a nossa família por causa de um capricho egoísta!"

Capricho egoísta.

O meu filho morto.

Um capricho.

Fechei os olhos.

A decisão estava tomada.

Não havia volta a dar.

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