
A Vingança do Amor
Capítulo 3
Acordei na manhã seguinte com os raios de sol entrando pela janela. Pela primeira vez em anos, senti uma centelha de esperança. Tive um sonho bom, um sonho com um futuro que eu mesma escolheria. Levantei-me, tomei um banho demorado e vesti um vestido leve e casual. A liberdade estava tão perto que eu quase podia tocá-la.
Desci as escadas e encontrei a casa em um estado de comoção incomum. A porta da frente estava aberta, e vozes enchiam o ar geralmente silencioso. Arthur estava de volta. E ele não estava sozinho.
Ele estava no meio da sala de estar, e ao seu lado, com a mão possessivamente em seu braço, estava Letícia. Ela usava um pijama de seda rosa e parecia pálida, mas seus olhos brilhavam com um triunfo mal disfarçado. Atrás deles, um grupo de empregados carregava malas e caixas.
"Elisa", Arthur me chamou quando me viu. Seu rosto mostrava um traço de cansaço, mas também de alívio. "Letícia teve um pequeno susto ontem à noite. O médico disse que ela precisa de repouso absoluto. Ela vai ficar aqui por um tempo."
Ele disse isso como se fosse a coisa mais natural do mundo, trazer sua amante para a casa que ele dividia com sua esposa.
Letícia me deu um sorriso fraco e condescendente. "Espero não incomodar."
"Claro que não", Arthur disse rapidamente, antes que eu pudesse responder. Ele se virou para mim, sua expressão se tornando mais formal. "Eu sei que isso é repentino. Como compensação, você pode escolher qualquer carro da garagem. Ou uma joia. O que você quiser."
Eu olhei para ele, para a oferta descarada de me comprar, de me pagar para aceitar essa humilhação. A antiga Elisa teria aceitado em silêncio. Mas a nova Elisa, a mulher com os papéis do divórcio assinados em seu quarto, não iria.
"Não preciso de compensação, Arthur", eu disse calmamente, minha voz surpreendentemente firme. "A casa é grande o suficiente." Eu olhei para Letícia. "Seja bem-vinda."
Minha calma pareceu desconcertá-lo. Ele esperava lágrimas, ou uma briga. Ele não esperava essa aceitação fria. Ele me estudou por um momento, uma ruga de confusão se formando entre suas sobrancelhas. Ele não fazia ideia do que estava por vir.
Letícia, por outro lado, pareceu irritada com a minha falta de reação. Ela se aproximou de mim, seu sorriso doce se tornando mais afiado. "Você é tão compreensiva, Elisa. É por isso que Arthur te admira tanto. Você sempre sabe o seu lugar."
A provocação era clara. Ela queria uma reação, queria me ver desmoronar. Eu apenas a encarei com a mesma expressão polida e contida que aperfeiçoei ao longo de cinco anos.
"Estou feliz que Arthur tenha alguém para cuidar dele", eu respondi, e me virei para sair da sala.
"Arthur, querido", a voz chorosa de Letícia o chamou. "Minha cabeça dói. Você pode ficar comigo um pouco?"
"Claro, meu bem", ele respondeu instantaneamente, sua atenção totalmente voltada para ela.
Eu não olhei para trás. Subi as escadas e fui para o meu quarto. Ignorei-os completamente e comecei a arrumar minha mala. Eu não precisava de muito, apenas o essencial. O resto, as roupas de grife, as joias, tudo o que pertencia a "Sra. Patterson", eu deixaria para trás. Eu estava focada, meu objetivo claro na minha mente.
Mais tarde, enquanto eu passava pelo corredor, ouvi vozes vindas do quarto de Arthur. A porta estava entreaberta.
"...mas eu quero você, Arthur. Agora", Letícia dizia, sua voz manhosa.
Houve uma pausa. Então, a voz de Arthur, mais baixa e séria. "Letícia, nós conversamos sobre isso. Eu sou um homem casado. Enquanto eu estiver casado com Elisa, não posso."
Eu parei, surpresa. Apesar de tudo, ele mantinha uma linha de respeito ao nosso contrato. Era uma honra vazia, mas ainda assim, uma honra. Isso não mudava nada, mas era... interessante.
Continuei meu caminho. Alguns minutos depois, a porta do meu quarto se abriu. Era Arthur. Seus olhos percorreram o quarto e pousaram na minha mala semi-aberta na cama.
"Você vai a algum lugar?", ele perguntou, a confusão em seu rosto se aprofundando.
"Apenas uma pequena viagem de fim de semana. Visitar uma amiga", menti suavemente. "Preciso de um pouco de ar fresco."
Ele pareceu aceitar a resposta. Ele se aproximou de mim, seu olhar intenso. Ele parecia diferente, quase vulnerável. Ele estendeu a mão e tocou meu rosto.
"Eu preciso de você, Elisa", ele sussurrou, e o significado por trás de suas palavras era inconfundível. Ele estava pedindo a intimidade que nosso contrato permitia, a que ele tinha acabado de negar a Letícia.
Eu o encarei, a confusão agora era minha. O que ele estava fazendo? Eu pensei no que ouvi. Ele a rejeitou por causa do nosso casamento, e agora ele estava vindo até mim?
"Eu ouvi você e Letícia", eu disse diretamente, sem rodeios.
Ele não pareceu envergonhado. Ele apenas assentiu. "Ela vai ter que esperar. Você é minha esposa." Ele se inclinou, sua boca perto da minha orelha. "Vamos?"
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