
A Vingança Dela, a Vida Arruinada Dele
Capítulo 2
"Meu filho não se matou."
Minha voz cortou o barulho do centro de comando. Olhei para Bernardo Sampaio, cujo rosto estava pálido e coberto de suor.
"A escolha é sua, senhor Promotor. Não minha. Você pode salvar sua filha, ou pode continuar a proteger um assassino. Você tem seis chances restantes."
Lembrei-me do quarto recurso. Eu estava diante dele em seu escritório de mogno polido. Ele nem sequer levantou os olhos dos papéis que estava assinando.
"Senhora Mendes", ele disse, seu tom gotejando pena condescendente. "O luto pode nos fazer ver coisas que não existem. O médico legista é o melhor do estado. A polícia encerrou o caso. Você precisa aceitar e deixar seu filho descansar em paz."
Eu bati com o punho em sua mesa. "Descansar em paz? Ele foi atropelado como um animal e deixado para morrer na beira da estrada! Você ao menos olhou as provas que eu enviei?"
"As provas que eu vi", ele disse, finalmente encontrando meus olhos com um olhar gélido, "são um exame toxicológico cheio de opioides e uma declaração da namorada dele sobre sua depressão. Suas 'provas' estão comprometidas pelo seu relacionamento com o falecido. Agora, se me der licença, tenho uma cidade para administrar."
Meu advogado me tirou do escritório naquele dia, aconselhando-me a desistir. "Você não pode lutar contra o Ministério Público, Carolina. Eles vão te enterrar."
Eu não podia desistir. Toda vez que eu fechava os olhos, eu via Lucas. Não o corpo quebrado na laje, mas meu filho vibrante e sorridente cruzando a linha de chegada, braços erguidos em vitória, seu futuro tão brilhante e aberto quanto o céu. Ele não era um garoto que jogaria tudo isso fora.
A audiência da transmissão ao vivo ofegou quando peguei a segunda ferramenta. Uma pinça hemostática.
Clarice Sampaio caiu de joelhos. "Por favor, não, de novo não. Bernardo, faça alguma coisa! Dê a ela o que ela quer!", ela gritou, agarrando o paletó do marido.
"Eu não posso!", ele gritou de volta, sua compostura desaparecida. "O laudo diz suicídio! Esse é o único laudo que existe!"
Ele estava mentindo. Segurei a pinça sobre o outro braço de Laura.
Antes que ele pudesse terminar a frase, prendi a ferramenta na pele delicada do antebraço dela. Não rasguei a pele, mas apertei o suficiente para deixar uma marca profunda e dolorosa.
O pequeno corpo da menina se contraiu na mesa.
"Seis chances", repeti, minha voz um monotono mortal.
O mundo fora da minha sala estéril enlouqueceu. A polícia estava em frenesi, tentando rastrear minha localização. Eu podia ouvir sirenes à distância, um lamento fúnebre que era tarde demais. Eles não me encontrariam. A transmissão estava sendo roteada por uma dúzia de servidores criptografados em três países diferentes. Eu planejei isso por meses. Eu era uma perita. Eu conhecia seus métodos.
Os comentários no feed eram um rio de fúria.
Ela é um monstro. Encontrem-na e acabem com ela.
Espero que ela apodreça na cadeia.
Eu te amaldiçoo, Carolina Mendes. Espero que você queime no inferno pelo que está fazendo com essa criança.
Eu não senti nada. Deixe que me amaldiçoem. Deixe que me odeiem.
"Suas maldições não significam nada para mim", eu disse, falando para a multidão sem rosto. "Eu já estou no inferno. Estou aqui desde o dia em que meu filho foi tirado de mim. Se é isso que é preciso para limpar o nome dele, eu pagarei qualquer preço."
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