
A Vingança de Ana Lúcia Começa
Capítulo 3
Uma semana depois, o nome de Pedro estava em toda parte.
Ele e Sofia não perderam tempo. Lançaram um dueto, deram entrevistas exclusivas falando sobre seu "amor avassalador e artístico" e, claro, sobre a "ex-namorada obsessiva e controladora" que ele bravamente deixou para trás.
Eu era o bode expiatório perfeito para a narrativa de amor proibido deles.
O ápice do espetáculo foi o show de lançamento do álbum de Pedro, num bar da moda no centro da cidade. A imprensa foi convidada. Fãs se acotovelavam na porta. E eu, claro, recebi um convite. Não um convite direto, mas um recado de um amigo em comum: "Pedro disse que seria bom para você ver o sucesso dele, para finalmente seguir em frente."
A arrogância dele era quase cômica.
Eu fui. Vesti um vestido preto simples, mas elegante, um dos meus próprios designs. Prendi o cabelo em um coque apertado e usei um batom vermelho sangue. Eu não parecia uma mulher de coração partido, parecia uma mulher indo a um funeral. O funeral da minha antiga vida.
O lugar estava lotado, a música era alta e a atmosfera era carregada de uma energia artificial. As pessoas me olhavam com uma mistura de pena e curiosidade. Sussurravam quando eu passava.
"É ela... a ex do Pedro."
"Nossa, coitada. Ele a humilhou publicamente."
"Ela parece bem, não acha?"
"É só fachada. Deve estar destruída por dentro."
Deixei que pensassem o que quisessem. Encostei-me em uma parede nos fundos, perto do bar, e pedi uma água com gás. Eu era uma espectadora silenciosa em meu próprio drama.
Pedro subiu ao palco sob aplausos ensurdecedores. Ele usava uma jaqueta de couro que eu lhe dei de presente e um sorriso presunçoso que eu conhecia muito bem. Ele cantou suas músicas, a maioria das quais eu o ajudei a escrever as letras ou a encontrar a melodia certa. Era irônico ouvi-lo cantar sobre dor e perda, quando ele era o causador de tanta dor.
No meio do show, ele parou. As luzes diminuíram, focando apenas nele.
"Eu quero dedicar esta próxima música a uma pessoa," ele disse ao microfone, a voz carregada de uma emoção falsa. "Uma pessoa que me mostrou o que é o amor de verdade."
A multidão suspirou em uníssono. Os celulares se ergueram para gravar.
Eu senti um nó no estômago. Não de dor, mas de antecipação. O show estava prestes a começar.
"Por muito tempo, eu estive em um lugar escuro," ele continuou, olhando diretamente na minha direção, garantindo que eu estivesse prestando atenção. "Eu estava com alguém que não acreditava em mim. Alguém que tentou me diminuir, me controlar... alguém cujo amor era uma gaiola."
Um murmúrio percorreu a plateia. Todos sabiam de quem ele estava falando. Os olhares se voltaram para mim, cheios de pena. Senti o peso da humilhação pública que ele estava orquestrando. Era cruel, desnecessário e exatamente o que eu esperava dele.
Ele fez uma pausa dramática.
"Mas então... a luz entrou na minha vida."
Ele estendeu a mão para a lateral do palco.
"Sofia, meu amor, venha aqui."
Sofia emergiu da escuridão, usando um vestido branco brilhante, parecendo um anjo de araque. Ela caminhou até o centro do palco e pegou a mão de Pedro. A multidão foi à loucura.
Eles se olharam com uma adoração ensaiada.
"Sofia," Pedro disse, a voz embargada. "Você me salvou. Você me libertou."
E então, para o choque de todos, ele se ajoelhou.
O bar ficou em silêncio absoluto. O único som era o clique das câmeras dos fotógrafos.
Ele tirou uma pequena caixa de veludo do bolso.
"Sofia, você quer se casar comigo?"
Sofia levou as mãos à boca, lágrimas de crocodilo escorrendo por seu rosto perfeitamente maquiado.
"Sim! Sim, mil vezes sim!" ela gritou.
Eles se beijaram apaixonadamente enquanto a multidão explodia em aplausos e assobios. Flashs disparavam por toda parte. Era a cena perfeita para as manchetes do dia seguinte.
No meio do caos, os olhos de Pedro encontraram os meus novamente. Havia um brilho de triunfo maligno neles. Ele não estava apenas pedindo Sofia em casamento, ele estava me executando publicamente. Ele queria que eu visse, que eu sentisse, que eu desmoronasse sob o peso daquele espetáculo.
Eu permaneci imóvel, meu rosto uma máscara de calma.
Peguei meu celular e disquei um número. Meu advogado.
Enquanto a multidão celebrava o noivado-relâmpago, eu falava baixo ao telefone.
"Marcos, é a Ana. Sim, está acontecendo agora. Exatamente como previmos."
Fiz uma pausa, ouvindo.
"Não, não se preocupe comigo. Eu estou ótima. Apenas prepare a papelada. Ele acabou de me dar tudo o que eu precisava."
Desliguei o telefone e levantei meu copo de água com gás em um brinde silencioso para o casal feliz no palco.
Eles achavam que tinham ganhado.
O jogo estava apenas começando.
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