
A Vingança das Sete Estrelas
Capítulo 3
Lucas agarrou o braço de Sofia, sua expressão uma mistura de fúria e descrença.
"Você não pode fazer isso, Sofia. Depois de todos esses anos?"
Sofia olhou para a mão dele em seu braço e depois para o rosto dele, sem nenhuma expressão.
"Me solte, Lucas."
Sua voz era tão fria que ele recuou instintivamente, soltando-a.
"Eu te dei tudo," ele disse, a voz agora um pouco mais baixa, tentando usar a antiga tática da culpa. "Uma vida de luxo, tudo que você sempre quis."
Sofia riu, um som seco e sem humor.
"Você me deu uma gaiola dourada, Lucas. E achou que eu ficaria feliz cantando nela para sempre."
Ela se virou, pronta para sair, mas ele a bloqueou novamente.
"Tudo bem, tudo bem," ele disse, levantando as mãos em sinal de rendição. "Quanto você quer? Um cheque? Diga um número. Eu te dou o que você quiser para parar com esse circo."
Ele ainda acreditava que o dinheiro podia resolver tudo. Essa era a sua maior fraqueza.
Sofia o olhou com pena.
"Lucas, o seu dinheiro não pode comprar o que eu quero."
Ela então se aproximou dele, sua voz baixando para um segredo compartilhado.
"E, para ser sincera, você não tem tanto dinheiro quanto pensa."
Antes que ele pudesse responder, ela já estava se afastando, deixando-o parado no meio da sala vazia e confusa.
Sozinha no carro, a caminho de seu novo apartamento, Sofia finalmente se permitiu respirar.
Ela olhou para o anel de divórcio que já usava, um anel que ela mesma desenhou. Simples, elegante, um símbolo de sua liberdade.
Ela se lembrou do dia em que renasceu. A dor, o sangue, a visão de Lucas a abandonando em sua vida passada para ficar com uma de suas amantes enquanto ela perdia o filho deles.
A memória ainda doía, mas não era mais uma ferida aberta, e sim o combustível para sua vingança.
Naquela vida, ela era submissa, cega de amor. Nesta vida, ela voltou com um único propósito, desmantelar o império de Lucas e libertar não apenas a si mesma, mas todas as outras mulheres que ele colecionava como troféus.
Ela as encontrou, uma por uma, em seus momentos de maior desespero, todas vítimas da crueldade e do egoísmo de Lucas.
Ela as ajudou, as capacitou, lhes deu as ferramentas para se tornarem poderosas. E elas, em troca, deram a ela sua lealdade. Juntas, elas eram mais fortes do que ele jamais poderia ser.
Seu telefone tocou, tirando-a de seus pensamentos. Era a Quarta, a atriz.
"Sofia, a pequena influenciadora está fazendo um show."
Sofia colocou no viva-voz.
No fundo, a voz estridente de Clara podia ser ouvida. Ela estava de pé no jardim da mansão vazia, fazendo uma live para seus seguidores.
"Vejam, pessoal! O verdadeiro amor venceu! As velhas finalmente foram embora!"
Clara ria, apontando a câmera para a casa agora despojada.
"Elas acharam que podiam levar as coisas dele, mas o meu Lucas é tão rico, ele vai comprar tudo novo e melhor para mim! Esta casa vai ser o nosso ninho de amor!"
Sofia escutava com um sorriso frio. Clara não tinha a menor ideia do que estava acontecendo.
A Quinta, a advogada, entrou na chamada.
"Ela está se gabando da riqueza dele? Mal sabe ela que a família de Lucas está afundada em dívidas. Aquela mansão é a única coisa que ainda tem algum valor, e está hipotecada até o teto."
A Segunda, a maga das finanças, acrescentou.
"E essa hipoteca está prestes a ser executada. Eu comprei a dívida através de uma de nossas empresas de fachada na semana passada. A casa é nossa, tecnicamente."
Um coro de risadas satisfeitas soou pelo viva-voz do carro.
Clara continuou sua live, alheia à sua própria desgraça.
"Elas pensam que são espertas, mas são apenas um bando de mulheres desesperadas e abandonadas. O futuro é meu e de Lucas!"
Sofia desligou a chamada.
Ela olhou pela janela do carro para as luzes da cidade. Um sentimento de paz a invadiu.
Pela primeira vez em duas vidas, ela estava verdadeiramente livre.
"Uma vida de solteira", ela pensou. "Viajar, construir meu próprio império, talvez encontrar um amor de verdade um dia."
Mas primeiro, ela iria saborear a queda de Lucas.
Cada detalhe, cada momento de desespero dele, seria a recompensa por anos de planejamento e dor contida.
A vingança estava apenas começando.
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