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Capa do romance A Vingança da Pintora: Amor Redimido

A Vingança da Pintora: Amor Redimido

No que seria seu terceiro casamento, Alana Mendes é humilhada por Damião Ávila, que a abandona no altar para proteger a manipuladora Evelyn. Após ser torturada e deixada para morrer sob chuva, Alana relembra as agressões passadas que destruíram sua carreira de pintora. Determinada a salvar sua família e o negócio herdado, ela desperta no hospital e sela um pacto desesperado: um casamento internacional em troca de proteção e fuga do país.
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Capítulo 2

A ligação terminou e, quando ergui os olhos, encontrei o olhar da minha mãe fixo em mim. Havia esperança misturada com medo em seus olhos.

"Outro casamento?", ela murmurou, quase sem voz. "Alana, tem certeza de que vai dar certo desta vez?"

Me limitei a assentir, exausta demais para explicar qualquer coisa. Além disso, ainda não havia revelado todo o plano para ela.

Nesse instante, a porta do quarto se abriu.

Damião surgiu ali, segurando um buquê com meus lírios preferidos.

Meu coração disparou e um pavor gelado tomou conta de mim — ele não podia estar ali, não agora!

Olhei desesperada para minha mãe, que entendeu no mesmo momento e se posicionou entre mim e a porta, como se quisesse me proteger.

"Ele não pode descobrir meu casamento", pensei, com o pânico crescendo. "Se descobrir, nunca vai me deixar partir. Vai me prender a ele para sempre. Esse era o seu modo de amar."

Damião entrou mais um passo no quarto, seus os olhos carregados de uma tristeza encenada, e disse com voz macia, quase suplicante: "Alana, minha querida, preciso te pedir algo."

Meu corpo ficou rígido, enquanto o encarava.

"Evelyn e eu... vamos nos casar. Amanhã."

As palavras me atingiram como uma pancada no estômago.

"Mas é só fachada", ele continuou apressado, notando minha expressão. "O terapeuta dela sugeriu. É uma forma de dar segurança a Evelyn, para que ela possa se recuperar. Depois, eu me divorcio e ficamos juntos. De verdade. Vou te dar tudo o que você sempre sonhou."

Seus olhos imploravam que eu acreditasse quando ele completou: "Eu só preciso que você esteja lá, Alana, como madrinha da Evelyn."

A ironia disso quase me fez rir. Madrinha? No casamento da mulher que me destruiu e do homem que deveria ser meu noivo?

Meu coração, já tão machucado, se contraiu de dor. Para ele, o que eu era? Um brinquedo descartável? Um animal de estimação que podia ser ferido e depois acalmado com promessas ocas?

Lembrei-me das palavras que tantas vezes ouvi dele: "Alana, você é o meu mundo, minha única."

Mentira! Uma raiva quente percorreu minhas veias, e peguei o copo de água da mesa de cabeceira, arremessando contra ele.

"Saia daqui!"

Ele desviou com facilidade e o copo se espatifou contra a parede, espalhando estilhaços pelo chão.

"Alana, por favor, seja razoável", disse ele, irritantemente calmo, como se nada tivesse acontecido. "Haverá um casamento simples é amanhã. Vou mandar alguém te buscar. E a grande festa será na próxima semana."

Ele queria legitimar seu relacionamento com Evelyn enquanto me mantinha sob controle? Queria que o mundo visse que eu, sua verdadeira noiva, aprovava a união deles? Era a humilhação máxima.

"Vocês dois são doentes", esbravejei cuspindo, com a voz trêmula de ódio. "Você e ela são loucos. E eu não sou a cura de vocês."

Agarrei o travesseiro e joguei nele com toda a força.

Dessa vez, ele não desviou. O objeto bateu em seu peito e deslizou para o chão sem impacto.

"Vai chegar para você um vestido lindo", ele disse, imperturbável. "Lilás, a sua cor favorita."

Ele deu alguns passos em minha direção. "Quando tudo terminar, eu vou compensar você. Juro que vou."

"Saia daqui!", gritei de novo, a voz rasgando minha garganta e ecoando pelos corredores do hospital.

Nas horas seguintes, meu quarto se transformou num palco para a peça doentia que eles encenavam — Evelyn e Damião apareciam juntos, quase diariamente, e se sentavam perto da minha cama, de mãos dadas, falando de seus planos e implorando para que eu aceitasse participar da cerimônia.

Evelyn fingia fragilidade, com os olhos cheios de uma inocência falsa. "Alana, por favor. Eu tenho tanto medo. Se você estivesse lá, eu teria mais segurança."

E logo encenava uma crise, levando a mão ao peito, arfando, como se fosse desmaiar.

As enfermeiras e pacientes me olhavam com reprovação e cochichavam: "Aquela pobre moça... E a noiva dele é tão cruel com ela."

Eu era a vilã da história que eles tinham inventado.

Durante uma visita, não aguentando mais, encarei Evelyn e disse, com a voz baixa e envenenada: "Espero que você morra."

Seu rosto se desfez em lágrimas instantâneas. "Eu não posso, Damião! Não consigo me casar com você se ela me odeia tanto! Vamos cancelar tudo!"

Então, ela saiu correndo do quarto, chorando alto.

Damião se virou para mim, seu rosto distorcido de raiva, e agarrou meus ombros com força.

"Por que você precisa ser tão difícil?", rugiu ele. "Não pode simplesmente aguentar por um tempo? Por mim?"

Com seus olhos selvagens e desesperados, ele continuou: "Estou fazendo isso por nós dois! Assim que ela melhorar, tudo volta ao normal, eu prometo!"

"E se ela nunca melhorar?", perguntei, fria.

Ele hesitou por um instante. "Ela vai. Ela tem que melhorar."

Eu estava cansada, cansada demais de lutar. "Vai atrás dela, Damião, antes que ela se jogue na frente de um carro e eu seja acusada pela morte dela."

Isso foi suficiente para ele me soltar e sair correndo, gritando o nome de Evelyn pelos corredores.

Olhei para a porta aberta, sentindo meu peito vazio, pesado.

Eu não suportava mais ficar ali, então, decidi pedir alta. Arrumei minhas poucas coisas, com minhas mãos firmes e uma determinação nova.

Enquanto caminhava pelo saguão do hospital, vi Damião, que estava parado próximo ao balcão de informações, sorridente, distribuindo pequenas caixas de lembrancinhas de casamento às enfermeiras.

"Parabéns pelo casamento, senhor Ávila!", disse uma delas, sorrindo.

Meu estômago gelou, e logo peguei o celular. Havia uma mensagem nova, de Evelyn.

Ela havia mandado uma foto: duas mãos entrelaçadas, cada uma exibindo uma aliança dourada.

Logo abaixo, outra imagem: a certidão de casamento oficial, datada daquele mesmo dia.

O casamento não seria amanhã, mas era hoje. Ele havia mentido mais uma vez!

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