
A Vingança da Noiva Traída
Capítulo 2
Voltei para casa, a cabeça zumbindo. Cada passo era uma decisão. Não havia mais volta. Comecei a arrumar minhas coisas, jogando em uma mala tudo o que era realmente meu. Roupa, livros, alguns objetos pessoais.
A porta se abriu. Gilberto. Ele estava radiante, como se tivesse tirado um peso das costas.
"Meu amor, já estou de volta! Não aguentava ficar longe de você," ele disse, com uma falsa preocupação em sua voz. "Amanhã vou resolver o resto das coisas da conferência, mas hoje eu sou todo seu."
Ele estendeu um buquê de rosas vermelhas. As pétalas já estavam um pouco murchas. Cheirava a perfume de mulher, um adocicado enjoativo que não era o meu.
Meu estômago revirou.
"Para você. Uma pequena compensação por ter que adiar nosso grande dia," ele disse, me dando um beijo superficial na bochecha. "Me desculpe por tudo, meu amor." Ele me chamou por um apelido que eu costumava amar.
"Está tudo bem," eu sussurrei, pegando o buquê. Meus dedos tocaram as pétalas frias.
Ele notou minha falta de entusiasmo. "Fátima? Você parece distante."
"Estou só um pouco cansada. O dia foi longo." Evitei seu olhar. A raiva borbulhava em mim, mas eu precisava mantê-la contida.
Meu olhar caiu sobre a gola de sua camisa. Um rastro de batom vermelho. Vivo, vibrante.
"Sua camisa está suja," eu apontei, a voz neutra.
Ele seguiu meu olhar. Seus olhos se arregalaram. Um pânico momentâneo passou por sua face.
"Ah... isso? Deve ser da Thalita. Ela... ela me abraçou forte no restaurante. A gente se encontrou com uns amigos." Ele gaguejou, tentando limpar a mancha com o polegar.
"Não se preocupe. Eu lavo para você," eu disse, pegando a camisa de sua mão.
"Não, Fátima, não precisa. A Josefa pode fazer isso. É só uma camisa." Ele tentou me impedir, mas eu já estava com a peça em minhas mãos.
"Insisto. Faça um favor. Eu lavo." Eu pisquei para ele. Ele suspirou, um alívio evidente em seu rosto, pensando que eu havia engolido a desculpa.
Ele me deu um beijo rápido. "Meu anjo. Você é a mais compreensiva de todas."
Fui para a lavanderia. Observei a gola da camisa. O batom vermelho gritava traição. Respirei fundo, peguei a tesoura e rasguei a camisa de cima a baixo. O tecido cedeu, a fibra se desfazendo. Uma satisfação fria me preencheu.
Mais tarde, Gilberto veio ver a camisa. "O que aconteceu? Rasgou tudo!" Ele riu, sem se importar. "Ah, que seja. Jogue fora, meu amor. Eu compro uma nova."
Ele trocou de roupa. O perfume enjoativo de Thalita ainda impregnava o ar ao redor dele.
"Realmente, as coisas velhas nunca se comparam às novas, não é?" eu comentei, sem olhar para ele.
"É verdade! As coisas novas sempre são melhores!" Ele concordou, sem captar o sarcasmo.
Minha alma doía.
Nós nos conhecemos num incêndio. Eu era uma estudante de arquitetura, ele, um jovem empreendedor ambicioso. Ele me salvou de um prédio em chamas. Dali nasceu uma paixão avassaladora. Eu o via como meu herói, meu protetor. Ele jurou amor eterno, que nunca me deixaria. Eu acreditei. Eu me entreguei.
Uma vez, em uma briga boba, eu disse a ele: "Se você um dia me trair, Gilberto, eu me caso com o primeiro homem que aparecer." Eu estava brincando na época. Mas agora, a frase ecoava em minha mente como uma profecia.
Ele não mudou. Ele nunca me amou de verdade. Ou talvez nunca me amou o suficiente para ser leal.
Meus olhos se encheram de lágrimas novamente. Eu segurava a camisa rasgada em minhas mãos. O tecido, antes um símbolo de sua presença, agora era um farrapo.
"Fátima, por que você está chorando?" Ele perguntou, sua voz cheia de uma falsa preocupação.
"Nada. Só... só estou emocionada." Eu limpei as lágrimas com as costas da mão.
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