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Capa do romance A Vingança da Filha Abandonada

A Vingança da Filha Abandonada

Após Lara ser agredida e trancada por sua família ao descobrirem sua bolsa de estudos no exterior, ela vivencia um pesadelo de violência e controle. Seu pai destrói seu celular e sua irmã, Júlia, celebra sua queda. No entanto, após desmaiar de dor, Lara desperta milagrosamente no início do dia anterior. Com o celular intacto e sem ferimentos, ela percebe que renasceu no começo do seu pior dia, ganhando uma chance de mudar seu destino e se vingar.
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Capítulo 3

O ar ficou preso nos meus pulmões. Olhei de novo para a data no celular. Não era um sonho. Era real. De alguma forma, eu tinha voltado no tempo. Voltei para o começo do pior dia da minha vida.

Um calafrio percorreu minha espinha. O pânico começou a subir, mas eu o forcei para baixo. Eu não podia entrar em desespero. Esta era uma segunda chance. Uma chance de fazer diferente.

"Lara, o café está na mesa!"

A voz da minha mãe veio da cozinha. Soava normal, carinhosa. Exatamente como ela soava todas as manhãs, antes de tudo desmoronar. A normalidade daquilo era aterrorizante.

Caminhei até a cozinha, minhas pernas parecendo feitas de chumbo. Minha mãe estava de costas para mim, mexendo em uma panela no fogão. Júlia estava sentada à mesa, digitando furiosamente no celular, um sorriso no rosto enquanto conversava com alguém. Bruno, meu irmão mais velho, lia o jornal, alheio a tudo. Tudo estava perfeitamente, horrivelmente normal.

"Bom dia, filha. Dormiu bem?"

Minha mãe se virou, sorrindo. O mesmo sorriso que, em poucas horas, desapareceria para dar lugar a uma máscara de frieza. Tive que me segurar na porta para não cair.

"Sim... dormi."

Minha voz saiu rouca. Sentei-me à mesa, longe de Júlia. Meu único pensamento era a carta. A carta de aceitação. Ela ainda estava na gaveta de meias. Eu precisava tirá-la de lá antes que Júlia a encontrasse.

Comi em silêncio, meu coração batendo tão forte que eu tinha certeza que todos podiam ouvir. Cada movimento deles, cada palavra, me deixava em alerta máximo. Eu observava Júlia. Em que momento ela iria ao meu quarto? Ela sempre inventava uma desculpa para pegar algo emprestado, mas na verdade ia para bisbilhotar.

Assim que terminei o café, levantei-me.

"Vou arrumar meu quarto."

Corri para o quarto antes que alguém pudesse dizer qualquer coisa. Fechei a porta, meu corpo tremendo. Fui direto para a cômoda, abri a gaveta de meias e enfiei a mão no fundo. Meus dedos tocaram o envelope. Um alívio momentâneo me inundou.

Eu tinha que escondê-lo em um lugar melhor. Um lugar onde ninguém pensaria em procurar. Olhei ao redor do quarto, desesperada. Debaixo do colchão? Não, muito óbvio. Dentro de um livro? Júlia poderia pegá-lo.

Meu olhar caiu sobre a caixa de sapatos velhos no alto do guarda-roupa. Uma caixa que guardava coisas da minha infância, coisas que ninguém tocava há anos. Era perfeito.

Subi na cadeira, peguei a caixa empoeirada e coloquei o envelope dentro dela, bem no fundo, debaixo de desenhos antigos e pulseiras de miçangas. Coloquei a caixa de volta no lugar, o mais para trás que pude.

Respirei fundo, tentando me acalmar. Pronto. O gatilho da tragédia tinha sido desarmado. Júlia não encontraria a carta. A briga não aconteceria. Meu pai não chegaria em casa para encontrar uma guerra. Eu estava segura.

Senti um peso sair dos meus ombros. Pela primeira vez naquela manhã, eu relaxei um pouco. Talvez tudo ficasse bem. Talvez fosse apenas um pesadelo horrível.

Passei o resto da manhã trancada no quarto, fingindo estudar. O tempo passava e nada acontecia. Júlia não veio bisbilhotar. Minha mãe não gritou. O silêncio era bom.

Até que ouvi uma batida na porta.

"Lara? Posso entrar?"

Era minha mãe.

"Pode, mãe."

Ela entrou com uma pilha de roupas limpas.

"Vim guardar suas roupas e dar uma arrumada nessa sua bagunça."

Ela disse com um sorriso. Mas meu sangue gelou. "Arrumar a bagunça" era o código dela para "vasculhar tudo".

"Não precisa, mãe, eu mesma arrumo mais tarde."

Tentei impedi-la, mas ela já estava abrindo o guarda-roupa.

"Que isso, filha. Eu te ajudo."

Ela começou a dobrar as roupas, a reorganizar as prateleiras. Meu coração martelava contra as minhas costelas. Fiquei parada, observando cada movimento dela, rezando para que ela não olhasse para cima.

Então, ela parou. Seus olhos se fixaram no topo do guarda-roupa.

"Nossa, essa caixa está aqui há tanto tempo. Deve estar cheia de poeira. Vou tirar para limpar."

"Não!"

O grito saiu antes que eu pudesse me conter.

Minha mãe se virou para mim, a testa franzida em confusão.

"O que foi, Lara? Por que esse susto?"

O pânico tomou conta de mim. A história estava se repetindo, e eu não sabia como pará-la.

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