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Capa do romance A Vingança da Ex: Seduzindo o Herdeiro Proibido

A Vingança da Ex: Seduzindo o Herdeiro Proibido

Poente viveu uma farsa ao lado de Júlio Ouro, o homem que arruinou sua família. Após descobrir que seu casamento serviu para destruir seus pais, ela busca abrigo com o cunhado, Mauro Nobre. Contudo, o que parecia salvação vira uma obsessão controladora. Dividida entre a paixão e a suspeita de que Mauro causou a morte de seus pais, Poente usará seu segredo como a compositora Iris para derrubar o império inimigo. Ela busca justiça contra quem lhe tirou tudo.
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Capítulo 2

A mansão da família em Greenwich era um mausoléu para os vivos.

Poente entrou pela porta lateral, a que os funcionários usavam. A casa cheirava a lustra-móveis de limão e dinheiro velho - um cheiro frio, estéril e julgador.

Subiu correndo as escadas dos fundos, os pés descalços sem fazer barulho no tapete macio. Precisava esfregar a noite para fora de sua pele. Precisava lavar o cheiro do estranho - fumaça de lenha, chuva e algo mais escuro, como uísque caro.

No banheiro principal, ligou o chuveiro na temperatura máxima. Ficou sob o jato até a pele ficar rosa, esfregando até sentir ardor.

Saiu e limpou o vapor do espelho.

Havia marcas em seu pescoço. Hematomas fracos e arroxeados. Chupões.

"Estúpida," sibilou para seu reflexo. "Estúpida, estúpida, estúpida."

Pegou seu corretivo pesado e começou a aplicar, criando camadas grossas. Estava terminando quando a porta do quarto se abriu.

Júlio Ouro entrou.

Ele parecia terrível. Seus olhos estavam vermelhos, a pele pálida e úmida. Usava o mesmo terno que usara no baile, agora amassado e manchado.

Poente estremeceu. Era um reflexo que odiava, uma resposta condicionada a três anos de erosão emocional.

"Onde você estava?" Júlio explodiu. Ele não olhou para ela; estava ocupado afrouxando a gravata, seus movimentos bruscos e agitados. "Eu procurei por você. Você me envergonhou, Poente. De novo."

"Eu não estava me sentindo bem," disse Poente, a voz firme apesar do martelar em seu coração. "Peguei um táxi para casa mais cedo. Dormi no quarto de hóspedes para não te incomodar."

Era uma mentira que ela ensaiara no táxi.

Júlio zombou. "Sempre a vítima. Sempre frágil."

Ele passou por ela em direção ao banheiro. Quando ele passou, Poente viu.

Um arranhão.

Estava na lateral do pescoço dele, logo abaixo da orelha. Uma linha vermelha fina e irritada. Não era um corte de barbear. Era curvo. Era de uma unha.

Poente encarou a marca. "O que aconteceu no seu pescoço?"

Júlio congelou. Ele não pulou; ficou anormalmente imóvel. Sua mão subiu lentamente para cobrir a marca. "Nada. Acidente ao fazer a barba."

"Você não faz a barba desde ontem de manhã," apontou Poente, a voz calma.

Júlio girou. Seus olhos não estavam apenas com raiva; estavam calculistas. "Pare de me interrogar! Você está paranoica, Poente. Você sufoca."

Ele bateu a porta do banheiro.

Poente ficou ali, o silêncio zumbindo em seus ouvidos. Ela não era paranoica. Era observadora.

O telefone de Júlio vibrou na cômoda.

Poente olhou para ele. A tela acendeu.

Mensagem de S.

A respiração de Poente falhou. Ela deu um passo à frente.

O enjoo matinal está acabando comigo, amor. Preciso que você traga aqueles comprimidos.

O mundo inclinou-se sobre seu eixo.

S. Serena Lâmina. A estrela pop que Júlio agenciava. A mulher que os tabloides chamavam de gênio, a mulher que cantava músicas que Poente havia escrito na calada da noite.

Enjoo matinal.

Poente sentiu o sangue drenar de seu rosto. Júlio não estava apenas traindo. Ele estava começando uma família. Uma família que ele sempre dissera a Poente que não estava pronto para ter.

A porta do banheiro se abriu. Júlio saiu, uma toalha na cintura. Viu-a perto do telefone.

Ele não avançou. Não foi tão desleixado. Caminhou rapidamente, os movimentos tensos, e arrancou o aparelho da cômoda com uma casualidade forçada que era mais aterrorizante do que a violência.

"Não toque nas minhas coisas," disse ele, a voz baixa.

"Eu não toquei," disse Poente, levantando as mãos. "Ele acendeu."

"Saia," disse Júlio. "Tenho que ir para o escritório."

"Num domingo?"

"Negócios não dormem, Poente. Ao contrário de você."

Ele a empurrou ao passar.

Poente esperou até ouvir a porta da frente bater e o rugido do Porsche dele desaparecendo na entrada da garagem.

Ela não chorou. Já tinha chorado o suficiente no primeiro ano.

Saiu do quarto, desceu o corredor, passou pelas suítes de hóspedes, até o final da ala leste. Havia um depósito empoeirado lá, cheio de móveis velhos cobertos por lençóis. Júlio nunca vinha aqui. Era sujo demais, esquecido demais.

Ela se espremeu atrás de uma pilha de quadros velhos e pressionou uma tábua solta no painel.

Um clique, e abriu.

Dentro havia um espaço pequeno e apertado, mal cabia um armário. Mas era dela. Um teclado, um laptop e uma parede coberta de papéis emoldurados.

Não eram discos de platina. Esses estavam pendurados na mansão de Serena. Eram as folhas de composição originais, escritas à mão. Os primeiros rascunhos crus e bagunçados dos sucessos que atualmente lideravam as paradas. Não estavam assinados, mas a caligrafia era dela. As datas estavam lá. Era a única prova que ela tinha de que existia.

Sentou-se e abriu o laptop. Não abriu seu software de música. Abriu um aplicativo de mensagens seguro.

Digitou uma mensagem para Lira, seu contato no submundo digital.

Preciso dos registros de chamadas do Júlio. Extratos de cartão de crédito. Tudo dos últimos seis meses.

A resposta de Lira foi instantânea.

Problemas no paraíso?

Poente olhou para o reflexo de seus próprios olhos na tela preta. Pareciam frios. Duros.

Preciso de vantagem, digitou ela. Inicie o rastreamento.

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