
A Vingança da Ex: O Karma Chegou
Capítulo 3
Na manhã seguinte, agi como se nada tivesse acontecido. Levantei, tomei um banho e me vesti para o trabalho. Dentro de mim, um deserto gelado se formava, mas por fora, eu era a imagem da normalidade.
O presente de aniversário que eu havia comprado para Gabriel, um relógio caro que ele queria há meses, continuava na gaveta. Eu o peguei e, sem pensar duas vezes, joguei-o na lata de lixo da cozinha, por baixo das cascas de frutas e borra de café.
Gabriel saiu do quarto, bocejando.
"Bom dia, amor. Dormiu bem?"
"Sim," menti.
Ele olhou para a minha roupa de trabalho. "Você vai para o escritório hoje? Pensei que poderíamos passar o dia juntos, comemorar."
"Tenho uma reunião importante," respondi, usando suas próprias palavras contra ele.
Ele pareceu desapontado, mas não insistiu. Seu foco mudou rapidamente.
"Ah, sobre ontem à noite... eu sei que você ficou chateada. Eu comprei um presente para você, mas acabei perdendo na confusão do restaurante. Era um anel lindo."
Um anel.
A imagem de outra foto, que vi na noite anterior enquanto rolava o feed sem rumo, veio à minha mente. Uma foto postada pela própria Mariana. Ela mostrava sua mão em primeiro plano, exibindo um anel de diamante delicado, com a legenda: "O começo de um novo sonho".
A peça final do quebra-cabeça se encaixou com uma clareza dolorosa. O presente "perdido" não estava perdido. Estava na mão de outra mulher.
"Que pena," eu disse, a voz sem emoção. "Não se preocupe com isso."
Ele pareceu aliviado por eu ter aceitado a mentira tão facilmente. Ele era um manipulador, mas também era preguiçoso. Ele sempre escolhia o caminho mais fácil.
No escritório, mergulhei no trabalho como uma náufraga se agarrando a uma tábua. A arquitetura, com suas linhas claras e regras definidas, era o oposto do caos da minha vida pessoal.
Meu chefe, Sr. Almeida, me chamou em sua sala no meio da tarde.
"Lívia, tenho uma proposta para você."
Ele me ofereceu a liderança de um projeto novo e ambicioso, um complexo de luxo em Portugal. Seriam meses de trabalho no exterior, uma oportunidade de ouro para a minha carreira.
"Isso é incrível, Sr. Almeida. Eu..."
"Mas," ele me interrompeu, seu olhar se tornando mais pessoal. "É um grande compromisso. Vai exigir muito de você, uma mudança temporária. Você tem certeza de que seu marido vai concordar com isso? Ouvi dizer que ele também está começando um novo negócio."
A preocupação dele era genuína, mas a menção a Gabriel me fez endurecer. O mundo inteiro parecia saber mais da vida do meu marido do que eu.
"Meu marido vai me apoiar," eu disse com uma confiança que não sentia. "Eu aceito a proposta."
Naquele momento, meu telefone tocou. Era Gabriel. Atendi, colocando no viva-voz por algum motivo que nem eu entendia.
"Lívia, onde você guardou minhas abotoaduras da sorte? Não consigo achar em lugar nenhum."
Sua voz era a de um menino mimado, não de um empresário de sucesso.
"Na caixa de cima do seu armário, Gabriel. Onde sempre estiveram."
"Ah, ok. Ei, o que você vai fazer para o jantar? Estou pensando em chamar os rapazes para assistir ao jogo aqui."
Eu fiquei em silêncio por um momento, olhando para o meu chefe, que ouvia tudo com uma expressão neutra. Ele queria que eu liderasse um projeto internacional, e meu marido queria saber o que tinha para o jantar.
"Gabriel," eu disse, a voz fria como aço. "Eu não vou fazer o jantar. E, aliás, não volte para casa hoje."
Desliguei antes que ele pudesse responder.
Sr. Almeida levantou uma sobrancelha.
"Problemas no paraíso?"
"Você nem imagina," respondi, guardando o telefone. "Sobre Portugal... quando eu começo?"
A decisão estava tomada. Eu não era mais a esposa que esperava. Eu era a arquiteta que estava de partida.
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