
A Vingança da Esposa da Máfia: Desencadeando Minha Fúria
Capítulo 3
Ponto de Vista: Alina
Eu não era mais uma esposa. Eu era um fantasma, assombrando as bordas de uma vida que nunca foi verdadeiramente minha. E fantasmas não têm nada a perder.
O contato de Bia no submundo da cidade era caro, mas eficiente. Um suborno bem colocado para a gerente administrativa da Galeria Rinaldi e um currículo falso foram tudo o que precisei. Meu novo cargo: Faxineira Temporária.
Eu estava no vestiário dos funcionários, vestindo um uniforme de faxineira sem graça. Uma peruca barata e áspera cobria meu cabelo, e uma máscara descartável escondia a metade inferior do meu rosto. Eu era invisível.
Minha tarefa: o escritório particular de Kiara.
O escritório era um santuário para o seu triunfo. A arquitetura tinha o gosto ostentoso da minha mãe por toda parte; a arte selecionada nas paredes era a preferência do meu pai. Este lugar não era apenas uma galeria. Era um monumento à traição deles, construído com meu dinheiro e meu futuro.
Em sua mesa, entre pilhas de catálogos de arte, havia um pequeno porta-retrato de prata. Eu o peguei. Era uma foto de "casamento". Kiara em um vestido branco simples, Ivan em um terno escuro, em pé numa praia. Uma cerimônia secreta. Votos sussurrados sobre os destroços dos que ele jurou a mim.
Andei pela galeria, meu carrinho de limpeza um escudo. Na sala de descanso dos funcionários, uma jovem assistente de galeria chamada Ana fofocava livremente com outra garota.
"O Sr. Moraes está aqui o tempo todo", disse Ana, alheia ao fantasma que ouvia da porta. "Praticamente cuida da parte de negócios. E o próprio Don — o Sr. Medeiros — visita com frequência. Muito quieto, muito particular."
Ela se inclinou conspiratoriamente. "E a Sra. Medeiros? Ela traz produtores de Hollywood toda semana. Ouvi ela dizer a um deles que Kiara é 'a filha vibrante e forte que ela sempre quis'."
As palavras deveriam ter doído. Em vez disso, caíram como pontos de dados, fatos frios em uma longa lista de queixas.
Ouvi o ronronar familiar do carro de Ivan parando do lado de fora. Peguei um esfregão e comecei a limpar o salão principal, mantendo a cabeça baixa, meus movimentos lentos e metódicos.
A voz de Kiara, aguda e irritada, cortou o silêncio. "Estou tão cansada disso, Ivan. O fantasma dela está se tornando cansativo. Quando você vai finalmente se livrar dela de vez?"
"Eu a traí no momento em que você me disse que estava grávida, Kiara", a voz de Ivan era baixa, áspera. "Essa foi a escolha. Só temos que ir até o fim."
Seu olhar pousou em mim. A nova faxineira. Seus olhos se estreitaram.
"Você", ele ordenou, sua voz carregada da autoridade que usava com seus soldados. "Vire-se. Tire essa máscara."
Gelo inundou minhas veias. Meu coração não apenas martelava; ele se debatia contra minhas costelas, uma coisa frenética e aprisionada.
Justo quando comecei a me virar, a gerente administrativa apareceu ao meu lado, um borrão de alegria forçada.
"Mil desculpas, Sr. Moraes!", disse ela, sua voz um pouco brilhante demais. "Ela é nova. E está com uma gripe terrível. Não deveríamos expor você ou a Sra. Rinaldi."
Ela agarrou meu braço, seu aperto firme, e me apressou em direção à saída dos fundos. "Minhas desculpas. Vamos colocar outra pessoa no salão principal."
Não parei até estar no meu carro, a quarteirões de distância. Arranquei a peruca da cabeça, minha respiração saindo em arquejos irregulares. Não era apenas a adrenalina que alimentava os suspiros desesperados por ar. Era a certeza arrepiante e absoluta da minha missão.
Eu tinha visto o mundo deles. Agora eu o queimaria até o chão.
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